Lembro me de um dia, que encontrei Ana em um shopping - detalhe ela odeia shopping - mas, tinha acabado de pintar o cabelo, ficara ruiva, porém não era vermelho escuro, vinho, Ana tingiu o cabelo de um ruivo, quase laranja “é loiro sueco” disse o cabeleireiro obviamente homossexual (porque não pode mais falar, bicha), que dizem esses nomes de colorações que só eles sabem.
Ficou ainda mais sensacional, se é que é possível aquela mulher ficar mais bela, aquele tom, ressaltando sua pele quase transparente, e olhos verde musgo (Ana adorava um poema de Clarice que diz mais ou menos assim “... meus olhos são verdes. Mas são verdes tão escuros que na fotografia saem quase negros. Meu segredo é ter olhos verdes e ninguém saber.”) O cabelo novo deu a Ana um quê europeu, e ela amava isso, sim, ficou a cara da Lee Miller modelo de Man Ray, e ficou tão exultante com o resultado, que foi capaz de mais, sentiu uma vontade alucinada, incontrolável, desesperada de ver gente, comprar uma roupa nova, acabar com aquela solidão imposta a ela por ela mesma, que acabou transformando Ana na própria solidão, mas nesse dia não, queria pessoas, e então, minha querida, se enfiou em shopping, sábado à tarde, a procura de uma roupa, preta é claro, ela tinha certeza que o preto ia dar o contraste necessário entre, pele, cabelo e roupa.
E foi lá, que depois de meses sem vê-la, cruzei com ela saindo de uma loja. Quase feliz, o que para Ana era uma sensação de gozo.
Ela me disse com seu ar misterioso-sarcastico-debochado, um jeito que só uma figura como ela era capaz de falar, sem ser vulgar, sem ser baixaria, na verdade, ficava lindo na boca daquela mulher podre de bonita. Começou (assim, sem dar oi, sem dizer as frases praxe, como vai você, quanto tempo...) “puta que pariu, gastei os tubos nessa porra de loja, um vestido que deve custar uns três salários da menina que me atendeu, e ela, como todas as vendedoras de shopping, - condicionadas, burras, que juram que são super modernas, matracam essas gírias cafonas, meio mundo gay e querem ser modelos, sabe? - me disse o preço rindo, e ainda falou que no cartão era o mesmo valor, que parcelava em três vezes sem juros... Ainda bem, né? - e gargalhou - hoje não volto sozinha, ou não volto pra casa, vou badalar, foder, ah, vou ser feliz né? Cansei de ficar triste remoendo a vida. Estou exausta disso, quero beber e me drogar, sair com um estranho, usar uma roupa nova. Respirou e continuou a vida é como um soco no estômago, então, vou estar linda pra ser socada, e sem comer, né amor, pra não correr o risco de vomitar quando levar a porrada. E você? Deve estar bem, sempre está, vamos marcar de tomar um Martini, te ligo”
Ela não era assim, não falava com quase ninguém, estava quase sempre sozinha e era muito calada, mas ela gostava de papear comigo, não, claro, a ponto de me ligar, alias, ela nem tinha meu telefone.
Tinha dentro de si uma ausência dela, impossível dizer quem ela é, porque antes de tudo Ana não é. Repetia sempre formas e frases inesperadas e lindas.
Não sei se ela saiu aquele dia, não a vi mais. Uma semana depois recebi a notícia da sua morte.
Fiquei triste, mas não exatamente surpresa, parecia que toda dor do mundo saiam daqueles olhos verdes... dor dor dor, beirava o quase estar viva.
Queria ter saído com ela e tomado um porre de Martini.
Porrada no estômago seu texto. Muito, muito bom. Sugiro corrigir este errinho de digitação "Começou (assim , ser dar oi, sem dizer as frases praxe, como vai você, quanto tempo...) ". Não seria "sem dar oi"?
Bj. Tá ótimo!
Excelente! Adorei também!
Minhas únicas observações são: a mesma da Roberta e o trecho: "Tinha dentro de si um ausência dela,(...)" Não seria "uma ausência dela"?
Também uma chaticezinha só: "frases inesperadas e lindas ." Tem um espaço sobrando entre o "lindas" e o ponto... Também alguns espaços não necessários entre palavras e vírgulas. Sugiro uma revisãozinha rápida... Mas tudo digitação, o texto está excelente!
Nossa!! Tô mala hoje! Malíssima!!!
Beijos
malíssima nada
tem coisas que qdo o texto é nosso a gente não ve
obrigadíssima
e agora
tátudo certo?
Mala sim!!! O dia inteiro!! Credo!! Mas quem mandou perguntar... vamos lá: "detalhe ela odeia shopping -mas," (falta o espaço entre o traço e o mas); "( porque não pode mais falar, bicha)," (sobrando espaço no início); "olhos verde musgo (Ana adorava um poema de Clarice" (não foi fechado); "transformando Ana na própria solidão , mas nesse dia não" (sobre um espaço antes da vírgula); "era o mesmo valor ,que parcelava" (espaços); "três vezes sem juros...Ainda bem , né?" (espaços, depois das reticências e antes da vírgula); "Deve estar bem ,sempre está" (espaço); "papear comigo, não,claro" (espaço antes do "claro").
Puxa... Tenho que me explicar... Passei o dia corrigindo petições e lendo julgador... Meus olhos estão afiados... Nem vou passear pela fila de edição ou não saio daqui hoje... Chata demais!!!!!
Beijos!
:-S
Leia-se "lendo julgados".
Ah!! Adorei a imagem! Acho que não a tinha visto antes!!
Beijos!
ufa acho que agora foi
nada como escrever no pc da gente
e tudo de novo
ai ai ai
Minha nossa!!
Nem tenho coragem de reler meu comentário anterior!!! Que coisa mais chataaaaaaa!!!!
Ainda bem que o dia de ontem acabou.
Menina, não preciso dizer que você escreve um bolão, porque você sabe muito bem disso. A sua escrita transpira o seu prazer da criação. E isso é tudo. Você agarra a gente por todos os sentidos e sai puxando pela mão. E a gente vai, mesmo sem querer, sem saber a razão de seguir assim, desamparadamente pelo envolvente mistério da sua escrita. Volto a dizer, a sensação é de frio na barriga, sempre o tobogã. Agora, reclamação de leitora: não mataria de jeito nenhum a bela desses mistérios que só a vida proporciona. Deixaria ela vagando viva por aí, na imaginação da gente, com seu telefone mudo e os nunca mais dos desejados encontros.
Abraços.
Me senti vendo " À Procura de Mr. Goodbar", com Diane Keaton Richard Gere, filme baseado no livro homônimo de Judith Rossner.
Tacilda Aquino · Goiânia, GO 15/6/2007 10:36
Pobre Ana que já cantaste em prosa e verso. Já era. Parabéns! Muito bom o texto.
Abraço,
Leandroide.
Miller,
Mulher tu a r r a s a s t e!!!!!!
Lindo, lindo!
Marluce
Senhorita Miller, que prosa maravilhosa. Pena que Ana morreu!
ignis liberati · Porto Velho, RO 16/6/2007 01:33
ignis
ela morreu
mas volta viu
pode esperar!
Tacilda que bom que gostou
volte sempre que puder
beijos
Marluce voce sempre querida
bom que está gostando!
gente só pra constar aqui e em tods os poemas
essa não sou
não sou triste
nem amargurada
muito menos tenho tendências suicídas
tenho um marido lindo lindo fiel e apaixonado
e vocação zero pra sofrer de amor
por favor
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