Alessandro Buzo mapeia as quebras do mundaréu

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Nelson Maca · Salvador, BA
2/2/2007 · 18 · 6
 

Guerreiras, cotidiano suburbano e o vai-e-vem improváveis trens que maltratam as comunidades desfavorecidas de São Paulo compõem o universo dos livros inquieto Alessandro Buzo.
Conheci a figura simpática do Buzo lá no bar Zé Batidão quando ele recebia seu segundo prêmio Cooperifa. Isso demonstra que o cara merece respeito. Tem moral na quebrada. Sua comunidade e cotidiano são a razão de ser de seus escritos, demonstra raiz, não é tronco à deriva.
Sua carreira, centrada na busca da elaboração jornalística e poética, é parte de luta pelo respeito e melhoria material das periferias. Seu principal viés de acesso à causa é a palavra: escrita, declamada, cantada ou conversada. E ele é bom, seja na condição de autor, editor ou produtor.
Adquiri, dele mesmo, três obras: “O trem: contestando a versão oficial”; “Suburbano convicto”; e “Guerreira”. Li tudo rápida e prazerosamente. Texto sem proselitismo e sem querer aparentar o que não é. Palavras com tensão suficiente para seqüestrar o leitor.
Sua sinceridade é surpreendente, sua narrativa despojada. Seu estilo é objetivo. Condução jornalística das crônicas, relatos e críticas que nos colocam in loco. Em “O trem” parece que estamos ouvindo o sambão, paquerando as meninas, adquirindo dos camelôs, tomando um trago, respirando o aroma forte da erva, ou mesmo nos esquivando das mãos malandras que tentam bafar nossos bonés, relógios, carteiras. São dramáticas as histórias de acidentes, a descrição dos pingentes e dos inacreditáveis remendos de madeira do chão dos trens. Suas severas críticas aos órgãos públicos que “organizam” todo o caos relatado fecham o círculo.
“Suburbano Convicto” é totalmente familiar para todos que respiram o ar suburbano e sujam os sapatos na lama rude dos becos e vielas do mundaréu. Não sei aonde vai o biográfico, mas soa sincero. Lido e respeitado, revela-se verdadeiro um documento da realidade do povo humilde.
Buzo dispensa títulos para traçar um mapa das mazelas que afligem as comunidades de baixa renda. Mas também mostra a dignidade e a alegria presentes e possíveis, e quanta vida pulsa na periferia, “lado b” da paulicéia, seu lar, lado, laudo. Sua alegria, dor, suor. Sua missão, sua família.
Em “Guerreira”, estréia no romance, delineando uma personagem típica das metrópoles. Consumo de drogas, prisão injusta, amor sincero, prostituição chic, fazem parte da vida de uma mulher que vai à luta com todas as armas que a sobrevivência lhe permite. Ele apimenta a narrativa com cenas sexuais explícitas e toda sorte de vícios e violências que temperam o submundo; botando em contato os dois “m” extremos da balança social brasileira: milionários e miseráveis.
A busca de neutralidade e a condução cinematográfica destacam-se em “Guerreira”. Perece um filme terrível sobre nossas verdades mais cortantes. Um traçado desconcertante de nossa sociedade com realismo de causar náusea aos que mitificam nosso paraíso ao sul do Equador.
Bem... Buzo tem moral na quebrada, e isso tem a ver com seu pertencimento, com o respeito pela sua gente. Por isso ocupa um lugar privilegiado, para “observar” e relatar o trajeto da sua guerreira. Narra uma série de fatos genéricos ao cotidiano urbano sem julgamentos levianos. Seu texto ressalta o ser humano. Drogada e prostituída, porém, primeiro, sua guerreira é observada e representada na sua dimensão mulher possível.
Sua literatura revela um pouco mais de nós, mesmo nos assustando com nossa imagem no espelho. Mas nunca nos refletimos tão nós mesmos.
Eu, que comprei livros nas mãos de Plínio Marcos também, sei bem da importância da contra-literatura de “O trem”; “Suburbano convicto” e “Guerreira” para a compreensão de minha condição humana.
E você, leitor, o que já leu ou está lendo de Alessandro Buzo?

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Autoria
Professor da UCSal, ativista do coletivo Blackitude
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Marcelo Terça-Nada!
 

Oi Nelson,
Texto legal, eim!? Bacana divulgar o trabalho do Alessandro Buzo.
Queria te dar um toque: as colaborações SOBRE literatura têm o seu espaço no Overblog e vão receber mais destaque lá. Se vc preferir deixar o texto para download aqui no Banco de Cultura, aí o mais legal é deixar na seção "textos de não-ficção"... Enquanto o texto estiver na sala de edição, ainda dá tempo de você corrigir a seção ou transferir o texto, ok?
Se quiser mais esclarecimentos sobre essas divisões do Overmundo, por gentileza visite a página:
http://www.overmundo.com.br/estaticas/participe.php

Abraços,

Marcelo Terça-Nada! · Belo Horizonte, MG 1/2/2007 12:12
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Nelson Maca
 

Marcelo, gostei do toque. Gostaria de publicar o texto no Overblog. Como podmos fazer para anexar uma foto do Buzo?

Nelson Maca · Salvador, BA 1/2/2007 15:10
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Nelson Maca
 

Outra coisa Marcelo, achei errinhos gramaticais, dá para eu fazer uma revisaõ antes do texto sair da sala de dição?
Com Respeito,
Abraço

Nelson Maca · Salvador, BA 1/2/2007 15:13
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Marcelo Terça-Nada!
 

Nelson,
Para vc editar basta clicar naquele lapizinho que fica abaixo do título ao lado do número de comentários, lá em cima...
Mas na verdade se vc vai publicar no Overblog, vai necessário publicar novamente (depois que tiver publicado lá, apague o texto daqui: basta clicar na lixeirinha que fica perto do lápis - lá em cima também...)
Todas as mudanças (editar, apagar, colocar fotos) só podem ser feitas durante o tempo de edição. Após publicar no Overblog, o texto vai ter mais 48h de edição lá. Mas vc tem 20 e poucas horas para apagar esse daqui...

Se tiver mais alguma dúvida, é só dizer. Se quiser continuar a conversa depois de publicar o texto no Overblogue, pode me escrever pelo meu perfil (só clicar no meu nome e me enviar uma mensagem).
Abraços,

Marcelo Terça-Nada! · Belo Horizonte, MG 1/2/2007 15:36
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Nelson Maca
 

Veleu Marcelo,
já postei lá!

Passa lá e reforça a indicação!

Um abraço

Nelson Maca · Salvador, BA 1/2/2007 15:57
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Marcelo Terça-Nada!
 

vi lá... já pode apagar essa colaboração aqui então...

abraços,

Marcelo Terça-Nada! · Belo Horizonte, MG 1/2/2007 16:05
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