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Algum paete no top

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Marcela Fells · Belo Horizonte, MG
13/6/2007 · 100 · 11
 

Antes ele era tão meu e era tão bom, loirinho e eu amando cada moléculazinha dele.
Nunca quis filha, dizia sempre pra ele: Menina dá trabalho demais, tem que comprar vestidinho, batonzinho, vestir de princesa. E depois elas ainda vem e tomam o lugar da gente. é tão bom, filho, que você seja homem.
Imaginava ele já moço forte, maior do que eu. Então eu o exibiria para todas essa vizinhas ficarem loucas pras vagabundinhas das filhas delas casarem com ele. Não iam casar não.
Um dia ele encontraria uma princesa das europas e eu teria um lindo netinho, que iria virar outro homem lindo.
Mas o senhor vê o que os filhos fazem com a gente né? Vê se isso aqui é lugar de mãe, esse lugar frio, essas paredes cinza. Como o senhor disse que isso aqui se chama?
- Instituto médico legal, senhora.
Sim, sim, instumélega. É muita ingratidão um filho fazer uma mãe vir a um lugar desses, não é? Mas eu já estou acostumada, Dudu desde que entrou na escola me dá dor de cabeça.
Todo dia eu fazia o almocinho dele e ele nunca comia direito. Quando inventou um tal de companhia de teatro no colégio então, era um martírio.
- Não vou comer mãe, to de dieta, pro vestido do personagem caber em mim. É a Julieta mãe.
- Personagem mulher, filho? Logo você, tão viril. você seria um lindo Romeu.
- Ai, mãe não pode, o Romeu o Ronaldo já vai fazer.
- Mas filho, as meninas devem querer fazer a Julieta.
- Ha não mãe, as meninas lá do colégio são todas idiotas, iriam estragar tudo.
Ficava tão feliz, pelo menos ele percebia que essas menininhas não estavam a altura dele. O meu bebê, um ator, encenando em um papel feminino por amor a arte. . Sonhava muito com ele casando com aquelas famosas tipo a "Merilin Monrrrou".
Nunca vi alguém amar tanto o teatro, vivia me pedindo pra colocar ele num daqueles cursos profissionais. As vezes Dudu ia com os amiguinhos lá pra casa e pegava meus batons, meus vestidos e ficavam encenando dentro do quarto, quase sempre ele levava as coisas pro grupo e não voltava nunca mais com elas. Eu não ligava dele levar as coisas não, mãe tem mais é que apoiar mesmo. Só sinto falta de um top de paetês que eu ganhei um dia num bingo de festa junina e ele levou.
Ao menos ele estava feliz, e é isso que uma mãe sempre quer: a felicidade dos meninos.
Ele faz anos no dia 31 de dezembro. Quando ele estava pra fazer 17 anos. A família resolveu fazer um festão, juntar o aniversário dele com o ano novo. Nós começamos a juntar dinheiro pra alugar um sitio. E eu, ia guardando um pouquinho a todo mês pra poder costurar um vestido muito lindo pra mim usar no dia.
Eu fiquei muito triste quando o dinheiro sumiu faltando 1 mês pro reveillon. Mas, Deus fecha uma porta e abre uma janela né? Eu sou costureira sabe? Uma cliente minha morreu deixando um vestido quase pronto, faltando só uns retoques, alarguei um pouco e usei. Que ela descanse em paz.
- A senhora conhece a letra dele? Esse caderninho é dele
- Que menino delicado, sabia que eu ia gostar de ver esse caderno, mandou você me entregar, pra já ir matando a saudade enquanto ele está lá dentro, né?
Ele sempre estava escrevendo nele e dizia que estava anotando so detalhes da surpresa que ele ia me fazer no dia do aniversário.
Mas antes não tivesse tido essa festa, foi a última vez que vi meu bebê. Minhas irmãs com todas aquelas filhas sebentas dela estavam lá, sempre falando mal do Dudinha, dizendo que teatro é coisa de "homemsexual".
Ele sumiu no meio da festa e voltou vestido de mulher. Ele decidiu encenar para todos aqueles ignorantes. Ai foi tão lindo meu filho, mas quando ele subiu em cima da mesa eu quase morri, a mesa podia cair, mãe não agüenta tanta preocupação.

O restinho no arquivo. baixa, baixa baixa !!!!!

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Marcela Fells
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Daniel Duende
 

Manguinha, você é foda!!!
(no sentido bom da palavra. segundo uma amiga, o único que existe)

Uma boa história, simples e fatalmente triste, narrada do jeito certo. Sua narrativa direta vai arrastando o leitor junto com o rosário de ilusões da mãe que não vê, não quer ver, não pode ver o que estava acontecendo.

Triste e perturbador, mas escrito com a mão leve.
Continue assim, Manga. Não é a toa que eu acredito muito no seu potencial!

Beijo do Verde.

Daniel Duende · Brasília, DF 10/6/2007 00:03
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Leandróide
 

Olá Marcela. Li teu conto e gostei muito. Parafraseando aquele personagem do Jô: - Tem mãe que é cega!
Parabéns! O conto me comoveu muito pois fiquei triste com a ingenuidade da mulher até naquele momento trágico.
Abração,
Leandroide.

Leandróide · Florianópolis, SC 10/6/2007 14:47
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Marcela Fells
 

Veleu Leandro, mas como disse o Daniel, talvez ela nem seja inocente né?

Marcela Fells · Belo Horizonte, MG 10/6/2007 14:50
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Daniel Duende
 

Passei....

Votei...

Ó ié! :D

Daniel Duende · Brasília, DF 12/6/2007 00:31
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Sebastião Firmiano
 

Vai ser bom assim na caso do carlho!!!!!!!!!

Sebastião Firmiano · São Paulo, SP 12/6/2007 05:54
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Marcela Fells
 

\o/ seeeb

Marcela Fells · Belo Horizonte, MG 12/6/2007 21:03
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Sebastião Firmiano
 

Marcela;
É bom mesmo,
Estou apaixonado por este texto.

Sebastião Firmiano · São Paulo, SP 12/6/2007 21:46
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Pedro Vianna
 

Muito Bom Manga Girl!!!
Fiquei perdido no labirinto de tua narrativa. Uma puta simplicidade, mas com a marca da tragédia impressa na fronte. Quero-te mais...

Pedro Vianna · Belém, PA 18/6/2007 14:41
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Joca Oeiras, o anjo andarilho
 

Querida Marcela:
FIquei com vontade de ver outras preoduções de sua lavra.Nunca imaginei que uma pessoa tão meiguinha, como transaparece na foto, pudesse ser tão irônica e detonante.Positivamente, quem vê cara, só vê a cara.
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 20/6/2007 12:31
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Camafunga
 

Muito bom.

Camafunga · Pelotas, RS 8/7/2007 09:46
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Marcela Fells
 

Brigada Camafunga

Marcela Fells · Belo Horizonte, MG 9/7/2007 13:17
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