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Amor e Perdão.

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Renan Marx · Cuiabá, MT
23/2/2009 · 135 · 18
 

Izabel Silva era casada há mais de quinze anos com Mauro César. Era uma mulher de poucos amigos e nunca ria em público, até diziam por aí que Izabel só sorriu quando criança, depois nunca mais. Casou-se nova com Mauro César e era ele quem sempre sustentou a casa, já que Izabel não pôde começar uma faculdade, porque Mauro não deixava. Vivia constante a repetir: “Mulher minha tem é que cuidar da casa e dos filhos”. Izabel teve cinco filhos com Mauro César. Izabel Silva fazia parte de uma igreja evangélica conservadora, por isso, desde nova, nunca deu importância para a aparência. Cuidar da aparência era vaidade, um dos sete pecados, e Izabel não queria pecar. Mauro, seu marido, era pastor da igreja e um homem influente, vindo de família em boa situação financeira. Ele conseguiu estudar teologia em uma boa faculdade e sem dúvidas, era um bom pregador. Ela só encontrava alegria no Livro Sagrado, e só se dispunha a ir aos cultos diários. Era apaixonada pela Palavra Santa. Izabel nunca sorria, mas tinha um coração muito bom e seguia à risca a palavra, tanto que perdoou Mauro assim que ele saiu de casa, pra viver com uma fiel da igreja, e depois voltou arrependido. Izabel amava Mauro, mas amava ainda mais a palavra de Deus. Sabia que todos erram, mas todos têm chance de corrigir os erros, e andar no caminho da luz, que guia todos para boas atitudes. Adorava perdoar, pois sabia que seria recompensada por seu bom coração, por isso perdoou Mauro César as cinco vezes que ele saiu de casa pra morar com outra, mas sempre voltando pra ela... Afinal, ele era fraco de espírito, e a culpa não era dele, era das mulheres que ficavam atrás dele. Mauro era um homem estudado, chamava a atenção – assim pensava Izabel – enquanto esperava o sono chegar. Um dia, Mauro César foi convidado para um festa de um outro pastor, amigo dele, que fez questão que Izabel fosse também. Izabel relutou bastante, mas por fim aceitou ir. Nessa noite Izabel pôs um vestido que quase não usava, e um sapato bonito com um certo salto. Ela não estava elegante, aliás, nunca fora, mas Mauro gostou. Pela primeira vez depois de muito tempo, os que estavam na festa viram Izabel sorrir. Mauro conversando muito, dado momento se afastou de Izabel e foi conversar com uma nova fiel que havia se convertido há pouco tempo. Izabel mal notou sua ausência, ou se notou, fingiu que não. Mauro se afastou mais com a moça, pois ela queria confessar algumas coisas, e não queria que fosse em público. Izabel estava sentada, com a cara fechada, como sempre. Ao reparar Mauro com a moça, Izabel deu um largo sorriso, e disse para si mesma, mas em tom alto: “Meu Deus, tende piedade deste homem, ele é um pecador, eu o aceito como ele é”. Levantou-se e foi a cozinha. Pegou a faca grande que cortava o bolo. Aproximou-se de Mauro e desferiu-lhe dezessete facadas, antes que a segurassem. Enquanto golpeava seu marido, ela repetia sem parar: “Deus vai te perdoar, eu também te perdôo”. Mauro não morreu, mas teve sérias complicações na coluna. Izabel foi presa, cumpriu pena e saiu depois de cinco anos devotados à Palavra Santa. Hoje em dia, ela se veste muito bem, e sai com uma bolsa, todos os dias. Mas, não vai para o culto: seu destino são as esquinas. Izabel sorri loucamente, ouvindo promessas de pobres diabos.

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Anderson Frasão
 

Eita que toada de amor, como dizia o velho e querido Drummond.
Renan, adimiro demais teu talento menino; se tratando do "amor e perdão", lacivo e quente. Uma Amélia moderna? Mas até as Amélias um dia se cansam....

Anderson Frasão · Canhotinho, PE 22/2/2009 00:40
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joe_brazuca
 

esses "evangélicos" viu...rsrsrs
muito bom, cara !...é por ai...
abraço e votado

joe_brazuca · São Paulo, SP 22/2/2009 01:09
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Juscelino Mendes
 

(Misericórdia! Nada a ver, Joe! Que evangélicos... sem generalizações...).

O conto é interessante e repleto de nuances da vida de muitos mundo afora...

Juscelino Mendes · Campinas, SP 22/2/2009 01:28
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Cláudia Campello
 

...por isso tenho medo dos "mansos", rs. sao imprevisiveis !!!
Só Deus !!!

belo conto,

bjssssssss;)

Cláudia Campello · Várzea Grande, MT 22/2/2009 05:15
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joe_brazuca
 

Caro Juscelino....vc tem toda razão...nada a ver mesmo.
Meu comentário foi genérico e preconceituoso.Me retrato e peço desculpas à todos os Evangélicos.A intensão não foi essa que provavelmente foi entendida, tanto é que coloquei a palavra "evangélico" entre aspas.
Apenas quis sujerir que, independente de se e como acreditar-se em Deus, nada adianta quando a índole dos indivíduos é "escura", tacanha e imoral.
Isso poderia ter ocorrido ( como ocorre, aliás...) com qualquer outros seguidores de quaiquer outras religiões, seitas, cultos, filosofias etc e tal.
Repito aqui o comentário inteligente de Cláudia Campello, logo acima, onde diz temer os "mansos", pela sua impresibilidade.
Ela expressou com mais exito, o que tentei...

MInhas sinceras desculpas e grato.
Joe

joe_brazuca · São Paulo, SP 22/2/2009 08:45
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joe_brazuca
 

imprevisibilidade, digo...( ainda não tem como se corrigir erros no overmundo !...faz tanto tempo que pedimos, né não ?...)

joe_brazuca · São Paulo, SP 22/2/2009 09:06
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Roberto Pelegrino
 

Interessante, reflexivo, parabéns!

Roberto Pelegrino · Campo Grande, MS 22/2/2009 09:55
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azuirfilho
 

Renan Marx · Cuiabá (MT)
Amor e Perdão.

Um acontecimento pra gente refletir.Todo excesso náo é bom.
Uma pena as famílias estares expostas ao delírio do sexo que ronda a Sociedade.
Náo pode é construir respostas com violéncia.
Impressionante que voce exprimiu um caso pra gente refletir por toda vida como esemplo.
parabéns.
Abracáo Amigo.

azuirfilho · Campinas, SP 22/2/2009 10:49
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Juscelino Mendes
 

Joe,
sem problemas. Eu entendi a sua mensagem na hora que li o que você pretendia. Eu quis manifestar lá mesmo, porque o jeito como você fez e com rs ao final causa má interpretação nos menos avisados, ou que gostam de tirar uma dos evangélicos, ainda nos tempos que estamos vivendo com vários aproveitadores e interesseiros, pseudo-evangélicos, portanto. Eu sou de uma época, quando me converti ao cristianismo protestante, em que as pessoas eram tidas como honestas só por serem crentes. Hoje, infelizmente, está essa esculhambação apontada em suas palavras lá. Repito, eu quis apenas contestar a forma. No conteúdo vc tem razão, diante de tantos imbecis que esculhambam o precioso nome de Cristo.
Fraternal abraço, Joe.

Juscelino Mendes · Campinas, SP 22/2/2009 12:39
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Juscelino Mendes
 

O é aqui, corrigindo, já que enviei esta mensagem por mail, e apenas copiei. Abraço a todos!

Juscelino Mendes · Campinas, SP 22/2/2009 12:41
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O NOVO POETA.(W.Marques).
 

ótimo texto.votado.

O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca, SP 22/2/2009 15:16
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Rosane Mergener
 

Penso que toda caixa, tem uma ou outra fruta podre...isso em qualquer lugar, casa, religiao, trabalho...somos diferentes...ainda bem...cada um com seu livre arbítrio...
Bom texto

Rosane Mergener · Mauá, SP 22/2/2009 15:50
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Renan Marx
 

senhores, senhoras, "valeu mermo aí" (como diriam os cariocas). Bom, eu sou evangélico, e não me sinto nem um pouco desconfortável de falar de irmãos. Por isso categorizamos o texto como "ficção", creio eu. Enfim, agradeço a visita.

Renan Marx · Cuiabá, MT 22/2/2009 17:36
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silviaraujomotta
 

Hoje em dia, ela se veste muito bem, e sai com uma bolsa, todos os dias. Mas, não vai para o culto: seu destino são as esquinas."

Vida nas esquinas? Triste vida! Triste sorte!
O texto está muito bem escrito...
VOTO CERTO.

silviaraujomotta · Belo Horizonte, MG 22/2/2009 19:46
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Falcão S.R
 

Renan,

Com muito prazer chego a tempo de enviar esse belo trabalho para o banco.

Abs

Falcão S.R · Rio de Janeiro, RJ 23/2/2009 00:12
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joe_brazuca
 

Parabens Renan, abraço !
Juscelino, grande abraço, amigo !

joe_brazuca · São Paulo, SP 23/2/2009 01:17
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Vinícius Motta
 

A verdade é que a submissão a qualquer coisa não é nada proveitosa. Todos tem direito a se desenvolver o mais que puderem, canalizar as energias para atividades múltiplas.
Vejo que a colocação da temática tendo os evangélicos como pano de fundo um link muito esperto com os dias atuais. Nos bairros carentes oa igrejas proliferam e acabam se tornando a única válvula de esperança numa vida melhor, já que os governantes não se precocupam com a saúde, a educação, as condições de vida de quem é mais necessitado.
Quanto ao final e retomando um pouco do que disse, acho que viver amparado por uma verdade - que pode ser religião ou o casamento em que o homem pode tudo - acaba criando um monstro. E ele acaba aparecendo cedo ou tarde.
Gostei muito da narrativa. Só dou um toque para a formatação. Quando o texto é longe acho que vale espaçar as sentenças para facilitar a leitura.
Votado.

Vinícius Motta · Rio de Janeiro, RJ 24/2/2009 20:41
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Doroni Hilgenberg
 


Amar não significa perder o amor proprio, perdoar não significa perder a dignidade, matar ou rodar a bolsinha,
Izabel é uma pessoa pobre de espírito.
bjs ( já havia votado)

Doroni Hilgenberg · Manaus, AM 27/2/2009 13:56
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