Roxo não é púrpura. Roxo é roxo e vira verde amarelado com o tempo. Púrpura brilha e tem glamour. E amor roxo dói e deixa marcas. E se fosse fácil passar assim ileso, garanto, ele não seria roxo, ele seria chocho.
Naquele dia que ele me acertou o punho entre a base do nariz e meu olho esquerdo e eu dobrei os joelhos e agarrei as pernas dele pedindo pra que ele não saísse da minha vida, que a gente daria um jeito em tudo, que eu tinha errado, mas amava demais ele. Ainda De joelhos senti uma cusparada na cara, que se misturou com meu choro etílico. Naquele dia eu bebi pinga, e senti arder com se fosse pegar fogo.
Eu tinha me refestelado com outro macho, muito menos que ele, e acabei bêbada quebrando copos na rua, me auto-denegrindo, e ele desacreditado de mim, enfiou-me a mão com gosto, sem dó nem piedade, me xingou e cuspiu em mim, me segurando pelo braço me levou até sua cama e me fodeu, eu meio bêbada chorava sem parar, e ele virou e dormiu, eu juntei as roupas, me vesti sentindo arder, e fui embora debaixo de uma garoa fina.
Às vezes a lembrança daquele dia volta a minha cabeça. Às vezes lembro dele e de momentos bons, logo depois escapo, lembro do nariz quebrado, do olho baixo, e do amor. Que é coisa que gente inventa pra cagar regra de conduta, amor é moral, não entende nem perdoa, amor dói e julga. Se eu soubesse que amor era tão ruim, juro que tinha enfiado aquela bala na cabeça dele antes. Ou nunca teria dobrado os joelhos. Hoje aqui na detenção me pego sorrindo de canto de boca, só porque o mundo me acha vil, mais um conceito que eles criaram e reproduziram.
Eu matei o amor, e avisei, mais uma vez, que havia cometido um "erro", porque me condenaram por conceitos, conceitos que não tem perna, nem nome, nem vida. Eu não amo mais porque amor foi o que outros criaram pra dar nome a dependência sentimental. Nunca será recíproco nem verdadeiro, e não me venham falar de sentimentos, que pra mim são mais conceitos aleatórios. Eu vivo bem, presa na minha mentira.
Sab'eu agora de onde é você! Bom, o porquê da sua presença no MSN, é outro mistério, que talvez turma do Scooby-Doo precise resolver. Se nada adiantar, CSI ou Jack Bauer.
"Que é coisa que gente inventa pra cagar regra de conduta, amor é moral, não entende nem perdoa, amor dói e julga."
Como diria um amigo bêbado meu, sem muita coisa pra fazer: "amor é cego, por isso arde sem se ver. amor é aneurisma, porque dói e não se sente." nunca entendi o que o cara quis dizer com isso, mas não deixa de ser bonito.
Outro dizia (sem também eu entender direito): amor é apenas roupa da moda: quando a gente se acostuma com a tendência, já passou. é caro. tem gente que diz que não liga, mas acaba inventando a sua. é feio e não serve muito, não esquenta no frio, mas procure ficar sem. e o pior é que a gente sabe que é bom apenas pelos enfeitezinhos ou pelo tipo. como o amor...
dia ímpar tem chocolate
dia par eu fico de brisa
dia útil ele me bate
dia santo ele me alisa
...
sua boca é um cadeado
e meu corpo é uma fogueira
enquanto ele dorme pesado
eu rolo sozinha na esteira
Carla, meu POEMA LEVE está na fila de edição e conto com o seu comentário.
Eis, o link:
http://www.overmundo.com.br/overblog/sala_edicao.php?em_edicao=4896
Gostei muito do conto!´
O amor é coisa que dói muito, como um nariz quebrado.
beijos
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