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ANARQUIPOESIA
danlima · Brasília (DF) · 3/12/2008 15:07 · 108 votos · 9 comentários ·  
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overponto
Hoje amanheci poeta e estou entardecendo perdido na prosa. Prosear sobre poesia, sua natureza e exigências, sua dependência do poeta assim como o poeta depende dela, assim como o poeta depende do ar para respirar e da palavra para se expressar em meio às multidões apressadas, ensimesmadas e sem palavras para com aquilo que a rodeia.
A Poesia é uma musa exigente e premente e nuca se sabe quando chega ou quando vai. Coloca-nos em eterna vigília, a buscar a senda das maravilhas e das palavras inauditas, encantadas, novíssimas em sua formulação e em seu entendimento, como diamantes recém- convertidos de um carbono abrupto. A poesia é assim, ataca-nos de repente, ata-nos as mãos do fazer diário e se instala, sorrateira e brejeira, em nossa mente e coração, que fica lírico a buscar revelações e encantamentos. E nos atracamos com ela, enrolados em seu leito de lírios e rosas, de cheiros e luzes, plenos de imagens que querem se traduzir aos olhos outros pela construção e encontro da palavra perfeita, da palavra que traga a luz, ao mesmo tempo tragando a luz que brilha em nossa mente.
A poesia é isso: uma busca pela tradução, mais que perfeita, dos sentimentos imperfeitos, das nossas contradições, das antíteses que somos e nunca queremos deixar transparecer. A poesia, para isso, depende do poeta e o poeta depende da poesia,e muito mais, da plena liberdade, aquela gritada a plenos pulmões, daquele ar que escapa do escafandro deixando o mergulhador à mercê da água que lhe rouba os sentidos...
A poesia necessita liberdade, incondicional e irrestrita, para que seja gestada e resgatada do limbo a que muitas vezes a condenamos. Por isso, rima não com burocracia, mas com anarquia e com apostasia. A poesia é avessa aos controles, às planilhas, às escotilhas, às camarilhas, às escolas, às escolhas, é avessa aos sistemas e regimes; o que a poesia busca é a pura tradução da beleza, este ser abstrato que se oculta nos mais inusitados lugares... Por isso, o poeta não deve e nem pode, enquanto poeta, preocupar-se com números frios, mapas de controle, perfis produtivos, gráficos e estatísticas. Vamos sim, nos preocupar com o pranto não chorado, a palavra não dita, os matizes ao invés de matrizes algébricas, com o homem e a mulher, enquanto seres iluminados e antenados com o universo no qual vivem.
Por isso, enquanto poeta, não busco o raciocínio dos números e a frieza das estatísticas. E registre-se que, paralelamente, trabalho com números, que no contexto adequado, também possuem sua beleza... aliás, esta já é outra praia pois, para os matemáticos, os números são plenos de luz, beleza, incertezas e inesperado e isso, diga-se de passagem, também é pura poesia.
No entanto, quero aqui celebrar a liberdade e o dever do poeta de trabalhar sempre a palavra, como o fruto de uma lavoura não árida, de uma lavoura fértil, de onde brotem os sentimentos e as sensações apreendidas enquanto homens, dominados e dominadores, senhores e irmãos da natureza.
E para isso, sejamos anárquicos e deixemos que as palavras nos transportem aos mundos exteriores e interiores, e façamos dela nossa arma e nossa alma, faça-se a luz ordenou Deus, faça-se a sua tradução por meio da poesia, conclamou o poeta.
E sejamos assim, teses( como nos poemas-conceito, matrizes para outros e outros e outros poemas), antíteses ( como nos poemas barrocos, contrastes perfeitos para a natureza humana, sua luz e escuridão), sínteses( como nos poemas concretos e haicais, equações líricas e pequenas flores de cor e forma intensas). Sejamos menestréis medievais, cantando barcarolas, sejamos clássicos, em sonetos formais, sejamos parnasianos, buscando a jóia perfeita da rima e do conceito, sejamos simbolistas, dando voz aos nossos elementos interiores, sejamos naturalistas, dadaístas sem um sentido aparente, sejamos surrealistas transmutando as palavras em imagens sinestésicas e sensuais, sensações pictóricas, sejamos sintéticos e prolixos, sejamos modernos, reeditando 22, sejamos enfim, eternos, e assim estaremos sendo contemporâneos, expressando os medos, vozes e vórtices do nosso tempo, esse tempo que não é só cronológico, mas também sentimental emocio-lógico, baseado em nossas idiossincrasias e relacionamentos com o mundo e as gentes.
Vamos pois, poetas, construir nossos opus de luz, mesmo em meio ao pus, ao pó, mesmo em meio às descrenças e desavenças, lançar nossas sementes de beleza que um dia, quem sabe, contaminarão a todos, tal qual uma pandemia, um pandemônio , uma ode à alegria de viver!
sobre a obra
UMA PROSA SOBRE A POESIA


tags: Brasília DF textos-nao-ficcao
 
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Autoria   DANILO DE ABREU LIMA
Ficha Técnica  

DIVAGAÇÕES FILOSÓFICO-PO-ÉTICAS

Data   03/12/2008
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MARCO PLÁCIDO Parabéns Danlima, do poeta Marco Plácido.
Comentário poético:
" Marco
o que é ser poeta?
Ser poeta é enxergar poesia na vida
É antecipar o canto do pássaro
É inventar o nascimento do pássaro
que ainda não cantou
É transformar o canto do pássaro
fazendo dele
seu professor
do canto das coisas
que ainda estão por acontecer
ser poeta
é nào morrer
é viver viver viver
reinventando o sofrer
reinventando-se
para escrever e
tecer com fios de ouro
o imaginário
ser poeta
é pisar no chão de estrelas
é cair subindo
é subir fingindo não ligar
para tocar o céu com as mãos
é ser Deus numa fraçào
de primeiras intenções
é amar mil corações
é enfim transcender!".

MARCO PLÁCIDO · Niterói (RJ) · 30/11/2008 21:24 
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marcos, obrigado pelo comentario-poema:muito inspirado. Digo mais: ser poeta é reiventar o vento e dar floração às flores: é pisar o chão imaginário de sensações e sentimentos adivinhados. Abraços
danlima · Brasília (DF) · 2/12/2008 14:01 
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Olá, Danlima
Que nada, amigo, amanhecestes na poesia e entardecestes também "perdido" em poesia(s)! Um abraço!
MariaLuísa · Brasília (DF) · 2/12/2008 19:07 
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muito legal seu anarcopoema.
j.alves · São Paulo (SP) · 2/12/2008 20:54 
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Hoje amanheci com vontade de votar nesse texto maravilhoso. Bjos. Grauninha
graça grauna · Jaboatão dos Guararapes (PE) · 3/12/2008 07:27 
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Maria Luiza, obrigado pela leitura. Afinal, é sempre bom perdermo-nos na poesia, mesmo que em prosa.
Jota, obrigado pela leitura do anarquipoema ou anarcopoema...afinal, anarquia não rima com poesia?
Graça, que prazer ver vc. de volta... pois é, vamos semepre nos entregar à estas musas inspairadoras que nos levam para os caminhos da literatura e das reflexões...Poesia é um estado de graça, concorda? é uma epifania!
danlima · Brasília (DF) · 3/12/2008 08:38 
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ótimo texto, gostei muito.votado.
O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca (SP) · 3/12/2008 14:18 
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Passando para votar...
MariaLuísa · Brasília (DF) · 3/12/2008 14:54 
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nina araújo Belíssimo! Bravo!!
nina araújo · Rio de Janeiro (RJ) · 3/12/2008 15:06 
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