Anarquismo

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Wanderley. · Goiânia, GO
24/2/2008 · 58 · 4
 

Quem nunca pensou nas vantagens e possibilidades de uma sociedade anarquista, que atire a primeira pedra.
Podemos conceituar o anarquismo, bem resumidamente, como uma teoria libertária baseada na ausência de um governo. Visavam uma nação sem leis, sem Estado. Ausente de qualquer mecanismo controlador.
Apesar de ter tido seu ápice no início do século XX, existe, ainda hoje, adeptos que, infelizmente, vêem a utopia propriamente dita concretizada na anarquia.
Mas as coisas não são bem por aí.
Será mesmo que uma sociedade, composta de milhares de pessoas, é capaz de se manter SEM quaisquer normas ou leis? .Claro que não! Em TODA sociedade tem que se ter regras, até mesmo pelo bem da organização da mesma. Caso contrário tudo se resumiria em uma só palavra: CAOS.
Será que uma sociedade, com tanta gente, seria capaz de se manter pacifista sem qualquer forma de governo? Obviamente também não. Podem ter certeza de que muita gente se portaria da forma mais arruaceira, desordeira e desalinhada possível. Ainda mais se tratando de uma nação em que haveria a ausência TOTAL de qualquer mecanismo que possa controlar quaisquer atitude inadequada que alguém poderia vir a cometer.
Pense: se o sistema anárquico não é idealizado por nenhum mecanismo controlador, como o cidadão se portaria diante de um ladrão ou assassino? A quem ele deveria recorrer? Como deveria reagir?
Enfim, quais seriam as devidas punições para quem agride o direito dos demais?
A resposta é simples: na sociedade anarquista todos têm que se virar. Ou seja, partir para a agressão ou se reprimir.
E, todos devemos confessar que nessas situações é mais do que FUNDAMENTAL a existência de um governo. Ou seja, como todo sistema, o anarquismo também possui falhas. E graves.
É bastante utópico pensar que a anarquia seria uma sociedade perfeita em que todos viveriam em harmonia.
Não é à toa que a anarquia hoje seja, para muitos, sinônimo de desordem e bagunça. Pois é realmente o que seria nossa sociedade se a anarquia se tornasse algo concreto.
Não digo tudo isso me referindo ao início do século XX, quando se discutia mais profundamente sobre o assunto, pois não vivi naquela época para poder afirmar isso com certeza. Não sei como se portava a sociedade. Até acho que a idéia foi uma excelente tentativa em busca de pacifismo e democracia.
Mas posso sim afirmar que, aplicá-la nos dias atuais definitivamente não daria certo. Depois de uma análise sobre todos os aspectos políticos e humanos podemos perceber e concluir que seria algo completamente impossível e irracional implantar a anarquia nos dias de hoje.
Basta imaginar e refletir que você terá as mesmas conclusões de tudo que falei até agora. Pense no seu próprio comportamento diante disso. Pense em como toda sociedade se portaria sem um governo.

Antes de finalizar, gostaria de deixar claro que, assim como o anarquismo, eu também sou contra qualquer forma de autoritarismo. Todavia, tenho consciência o suficiente para saber que viver sem um governo seria algo completamente caótico.

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Wanderley
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Sinvaline
 

Concordo com você. Uma sociedade nao se manteria sem um governo. Como dizem os antigos, sem rédeas. É como religião, nao sou filiada a nenhuma mas acredito qeu religião controla a sociedade, como as leis, o governo. Votado.
Sinvaline

Sinvaline · Uruaçu, GO 25/2/2008 09:46
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Wanderley.
 

mas quanto à religião, eu penso diferente.
Acho que a religião é algo que completa O SER HUMANO. Não acredito que religião seja tão crucial assim como o governo. Eu, por exemplo, sobrevivo muito bem sem uma.

Wanderley. · Goiânia, GO 25/2/2008 13:54
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Die
 

No anarquismo haveriam regras sim. Pra entender como seria uma sociedade anarquista um texto interessante abaixo:

QUE TIPO DE SOCIEDADE OS ANARQUISTAS DESEJAM?

Os anarquistas querem uma sociedade descentralizada, baseada na livre associação. Consideramos esta forma de sociedade a melhor para elevar ao máximo os valores que delineamos anteriormente -- a liberdade, a igualdade, a solidariedade. Apenas por meio de uma descentralização racional do poder, estruturalmente e territorialmente, a liberdade individual pode ser fomentada. A delegação de poderes nas mãos de uma minoria é uma negação da liberdade e da dignidade individual. Em vez de usurpar a gestão de seus próprios assuntos das mãos do povo, os anarquistas ajudam organizações que minimizam a autoridade, mantendo o poder na base, nas mãos dos afetados pelas decisões alcançadas.

A livre associação é a pedra angular da sociedade anarquista. Os individuos devem ser livres para unirem-se da forma como julguem conveniente, uma vez que esta é a base da liberdade e da dignidade humana. Contudo, tais livres convenios devem basear-se na descentralização do poder, de outro modo ele será uma farsa (como no capitalismo), pois que somente a igualdade outorga o contexto social necessário para o desenvolvimento e o crescimento da liberdade. Portanto os anarquistas apoiam os coletivos diretamente democraticos, baseados em "uma pessoa, um voto" ("democracia direta?" que analiza a
racionalidade da democracia direta como o complemento político do livre acordo).

Em outras palavras, os coletivos seriam regidos por assembleias em massa de todos seus membros, com os assuntos puramente administrativos geridos por comitês eleitos para o caso. Estes comitês comunais seriam formados por delegados temporarios revogaveis que executariam seus trabalhos sob vigilância da assembléia que os elegeu. Se os delegados atuarem contrarios ao seu mandato ou tratarem de extender sua influencia ou trabalho alem do decidido pela assembléia (i.e. se empenham a tomar decisões políticas), poderiam ser instantaneamente revogados e suas decisões canceladas. Deste modo, a organização permanece na união de individuos que a formou.

Estes coletivos igualitarios, formados por livres acordos, por sua vez se associam livremente em confederações. Tal confederação livre se formaria de baixo para cima, as decisões fluindo desde as simples assembleias para cima. As confederações seriam geridas de maneira semelhante aos coletivos. Regularmente haveriam conferencias locais regionais, "nacionais" e internacionais nas quais todos os assuntos importantes e os problemas que afetam aos coletivos seriam discutidos. Alem disso, os principios fundamentais e as ideias da sociedade seriam debatidas e as decisões políticas seriam tomadas, postas em vigor, revistas e coordenadas.

Se formariam comitês de ação, caso necessário, para coordenar e administrar as decisões das assembleias e seus congressos, sob estrito controde desde baixo segundo discutimos antes.

Mais importante ainda, as assembléias comunais básicas podem anular qualquer decisão tirada pelas confederações e desfiliar-se de uma confederação. Alem disso, podem convocar conferencias confederais para discutir novos assuntos e para informar aos comitês de ação acerca de novos desejos e para instruí-los sobre o que fazer com respeito às novas exigencias e idéias.

Organizados desta maneira, a hierarquia é abolida, já que o povo controla tudo desde a base da organização, não seus delegados. Somente esta forma de organização pode substituir ao governo (iniciativa e o fortalecimento de uns poucos) pela anarquia. Esta forma de organização existiria em todas as atividades que requerem trabalho de grupo e a coordenação de muita gente. Seria, como disse Bakunin, o meio "para integrar individuos dentro de estruturas que eles poderiam compreender e controlar". As iniciativas individuais seriam geridas pelo proprio individuo.

Die · Canoas, RS 18/11/2009 02:30
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Die
 

DEMOCRACIA DIRETA?

Para os anarquistas, o voto democrático direto sobre decisões políticas dentro das associações livres é o contraponto político do livre acordo. A razão é que "muitas formas de dominação podem ser empreendidas de 'uma maneira ...livre, não-coercitiva ... e é ingenuo ... pensar que a mera oposição ao controle político em sí nos levará ao final da opressão" [John P. Clark, Max Stirner's Egoism, p.93].

Uma vez que uma pessoa se associa a uma comunidade ou a um posto de trabalho, ele ou ela se converte em um/uma "cidadã" (por falta de melhor palavra) dessa associação. A associação se organiza em torno de uma assembleia de todos seus membros (no caso de grandes centros de trabalho e aglomerações, este pode ser um sub-grupo funcional como uma fábrica ou um bairro). Nesta assembleia, em acordo com outras, se define o conteúdo de suas obrigações políticas. Atuando dentro da associação, as pessoas exercem juizos críticos e escolhem, ou seja, gerenciam
suas atividades. Isso significa dizer que a obrigação política não se restringe a uma entidade aparte e acima do grupo ou sociedade, tal como o estado ou a empresa, sem os "concidadãos".

Mesmo que o povo em assembleia legisle coletivamente as regras que governam sua associação, e estão sujeitos a elas como indivíduos, tambem são superiores a elas no sentido de que essas regras sempre podem ser modificadas ou abolidas. Coletivamente, os "cidadãos" associados constituem a autoridade política, mas como esta autoridade está baseada em relações horizontais entre eles e a elite, a "autoridade" é não-hierárquica ("racional" ou "natural", ver Seção B.1 "Por quê os
anarquistas são contra a autoridade e a hierarquia").

Claro que se poderia alegar que se estás em minoria, serás governado por outros. Contudo, o conceito de democracia direta tal como descrevemos não está necessariamente ligado ao conceito de governo da maioria. Se alguns se encontram em minoria em uma votação particular, essa pessoa tem então que escolher se consente ou se nega a reconhecer a decisão como obrigatória. Negar à minoria a oportunidade de exercer seu juízo e sua escolha é infringir em sua autonomia e impor-lhe uma obrigação que não aceitou livremente. A imposição à força da vontade maioritaria é contrária ao ideal da obrigação auto-assumida, e por isso é contrária à democracia direta e à livre associação. Portanto, longe de ser uma negação da libertade, a democracia direta dentro do contexto da livre associação e a obrigação auto-asumida é a única maneira de alimentar a liberdade. Alem do mais, uma minoria, se permanece dentro da associação, pode apelar seu caso e tratar de convencer a
maioria de seu erro.

Os laços entre as associações seguem o mesmo modelo que as associações. Em vez de individuos unidos em uma associação, temos associações unidas em confederações. Os enlaces entre associações dentro de uma confederação são da mesma natureza horizontal e voluntária que nas associações, com os mesmos direitos de "voz e saida" de seus membros.

Die · Canoas, RS 18/11/2009 02:31
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