Angústia é uma coisa
Que causa grande tristeza
Deixa o coração da gente
Num mundo de incerteza
Tornando a sua vítima
Frágil e sem defesa.
Angústia é uma flor murcha
É roseira mal cuidada
Que depois de florescer
Não foi bem regada
Murchou e caiu no chão
Ficando despetalada
Angústia é barco perdido
Nas águas bravias do mar
Andando sem rumo certo
No oceano a vagar
Sem ter um porto seguro
Nem meios para atracar
É um náufrago perdido
Nas águas do mar, boiando.
Sem esperança de vida
A que tem, tá se acabando.
Descendo de água abaixo
Aos poucos vai afundando
É vida sem esperança
É como algo sem vida
Uma viagem sem volta
Um adeus sem despedida
É uma flor que murchou
E nunca foi percebida
É uma casa sem dono
É um lar abandonado
É uma alma perdida
É um perdão negado
É uma lâmpada sem brilho
É um espelho quebrado
Um mendigo sem pão
É como um cego sem guia
Uma dor sem remédio
É luz que não alumia
Uma noite sem estrelas
Um enfermo em agonia.
Angústia é tudo isso
É alguém desesperado
Uma promessa desfeita
Um menor abandonado
Uma noiva sem capela
É um desaventurado
Angústia nos maltrata
Nos causa grande ferida
Maltrata um coração
Deixa o corpo sem vida
É uma fera acuada
É uma causa perdida
Caminho em noite escura
É uma ave sem ninho
A ânsia do agonizante
É um filho sem carinho
Um grito a esmo sem eco
Uma coroa de espinho
São almas penadas
É um alguém como eu
Um amor sem afeto
Uma fé que se perdeu
Uma esmola negada
É um amor que morreu
São noites de insônias
Dia e noite de amarguras
Semanas e meses perdidos
São manhãs de desventuras
Noite triste e nostálgica
São frias tardes escuras.
Estrada longa sem fim
Caminho sem rumo certo
É como alguém perdido
No meio de um deserto
Minha angústia é assim
Ela não tem nome certo.
Angústia é uma coisa
Que causa grande tristeza
Deixa o coração da gente
Num mundo de incerteza
Tornando a sua vítima
Frágil e sem defesa.
Angústia é uma flor murcha
É roseira mal cuidada
Que depois de florescer
Não foi bem regada
Murchou e caiu no chão
Ficando despetalada
Angústia é barco perdido
Nas águas bravias do mar
Andando sem rumo certo
No oceano a vagar
Sem ter um porto seguro
Nem meios para atracar
É um náufrago perdido
Nas águas do mar, boiando.
Sem esperança de vida
A que tem, tá se acabando.
Descendo de água abaixo
Aos poucos vai afundando
É vida sem esperança
É como algo sem vida
Uma viagem sem volta
Um adeus sem despedida
É uma flor que murchou
E nunca foi percebida
É uma casa sem dono
É um lar abandonado
É uma alma perdida
É um perdão negado
É uma lâmpada sem brilho
É um espelho quebrado
Um mendigo sem pão
É como um cego sem guia
Uma dor sem remédio
É luz que não alumia
Uma noite sem estrelas
Um enfermo em agonia.
Muito bom, José!
Belos versos.
Abraço,
Carlos ETC
http://interludios.blogspot.com
prezado josé
reli
há
o livro que câmara cascudo deicou aos violeiros e cantadores nordestinos em 1937
fico feliz em ver que a poesia popular nordestina está cada vez mais viva
um grande e fraterno abraço do
paulo monteiro
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