a vida é frágil.
está cada vez mais submetida a uma ordem que a torna mais frágil.
o que constitui a trama mais importante da vida é a diversidade de seus elementos constitutivos.
essa diversidade é o sustentáculo, a substância fundamental da vida.
inseridos nessa diversidade, enquanto seres da natureza,
os seres humanos se alimentam, se reproduzem, transformam-se e aprendem.
aprender é o que nos transforma.
é o que transforma todas as espécies e a própria natureza.
são aprendizagens múltiplas, assentadas em bases diferentes e em matrizes distintas de racionalidade, de sensibilidade, de cognição, de adaptação.
aprendemos com a observação, com a interação e com as polissêmicas vivências: sinestésicas, ecológicas, sociais e culturais... vivências geram vivências...
e destas primevas nasceram outras: as vivências religiosas, políticas e econômicas...
a partir dessas últimas se iniciou uma ruptura do ser humano com a natureza.
essa ruptura marcou, com um corte profundo e inescapável, o cerne do humano.
nossas aprendizagens passaram a ser pautadas por valores medidos por ordens políticas e econômicas.
a sobrevivência passou a ser a mola mestra de controle sobre a vida.
dentro desse modelo a alguns foi assegurada uma sobrevivência ampla e com um certo grau de autonomia.
para esmagadora e dramática maioria a sobrevivência virou mecanismo de sustentação das trocas e do acúmulo da riqueza da outra parte, que como pagamento pelos serviços criou o salário e controle sobre o corpo: a jornada de trabalho.
muitos e muitos não se adaptaram: forjou-se a pobreza e a miséria.
que desequilibram e alimentam o sistema-mundo.
a esta maioria absoluta foi dada a chance do emprego e o alívio das promessas religiosas de salvação.
aprender diante de todos esses mecanismos não é fácil.
aprender de forma insurgente mais difícil ainda, pois virou senso-comum que só existe esse modo de viver.
extrair, explorar, extorquir, expatriar... só assim se tem a mola que tudo gira: o dinheiro.
aprender é doloroso diante dessa realidade.
aprender pressupõe superar nossos medos, dilemas, angústias...
aprender pressupõe relação com um outro que está disposto a aceitá-lo na convivência, pressupõe uma mão estendida, uma mão e um olhar que acolhe.
aprender é estar numa relação de confiança e aceitação amorosa.
aprender a partir de valores que nos religue à natureza, ao planeta, é tudo o que nos transforma e nos torna seres humanos melhores.
aprender compreendendo que a sua liberdade depende vivamente da liberdade do outro é aprender com esperança de que, apesar das dores do mundo, a vida é possível... e que é possível um outro modo de viver com base no cuidado, na diversidade, no amor e na solidariedade.
existem exemplos maravilhosos vividos e partilhados pelas culturas indígenas do planeta.
aprender faz a gente compreender a fragilidade da vida e a importância da gente cuidar de cada segundo que a constitui.
somos seres imperfeitos, frágeis como a própria vida.
essa percepção de que somos o máximo, poderosos, eternos, que podemos tudo é falsa e faz aumentar o fosso entre nós e os outros seres, entre nós e a natureza.
essa idéia ainda vai nos levar à extinção...
ensaio crítico sobre os valores da modernidade.
pensarinsurgente: produtor de subjetividades rebeldes.
e então, fernando!?
a lucidez do teu texto é uma convocação muito séria.
pensar instiga pensar.
volto pra voltar, com toda a certeza.
ei caro samuca,
ir nas voltas dessa grande roda
produzindo subjetividades vivas!
mais do que velocidade
precisamos de intensidade
mais do que lucros e lacres
precisamos da alegria e da simplicidade da contemplação
abraços ternos,
Muito bom seu texto amigo, merece ficar em bom lugar...
Abracos
e esse bom lugar
que nós
buscamos, meu caro victor!
um abraço,
Fernando, também gostei! Muitas vezes penso que as pessoas preferem não refletir sobre esta fragilidade... talvez seja medo, talvez covardia...
Paulo Esdras · Brumado, BA 24/11/2008 17:53
Giramundoooo
ficar no muro
não dá
trans_forma_ações
saltar
no escuro
da modernidade
e descobri a luz
dentro de nós...
na fragilidade
do humano
a força
do espírito
viajante
do saber...
Mais um excelente texto ,Fernando!!
Grande reflexão!!
Parabéns,querido!
bluebeijos...
Blue
CORRIGINDO:
Giramundoooo
ficar no muro
não dá
trans_forma_ações
saltar
no escuro
da modernidade
e descobrir a luz
dentro de nós...
na fragilidade
do humano
a força
do espírito
viajante
do saber...
Mais um excelente texto ,Fernando!!
Grande reflexão!!
Parabéns,querido!
bluebeijos...
Blue
Fernando
Excelente texto
aprender para a vida abrange um mundo de detalhes
desde que nascemos estamos aprendendo pois é inerente ao ser humano. No passado, o homem se viu obrigado a usar a cabeça e tirar fogo do nada, pois a necessidade assim o exigia e era autonomo.
Hoje, séculos depois, apesar da pobreza se alastrar e a educação estar à míngua, devastação e criminalidade, o sistema parece não estar nem ai para as mazelas que assolam o país. O dinheiro fala mais alto e a dignidade é só um adjetivo e prevalece a lei do mais forte.
Ah, aprender a viver e repartir... seria uma utopia?
Um baita texto para se refletir... e fazer realmente alguma coisa.
Muito bom mesmo!
ei paulo... talvez seja arrogância... talvez descolamento do presente...
abraços,
ei raiblue,
obrigado pelo poema comentário
pela percepção apurada
pela generosa expressividade
pelo olhar cuidadoso...
obrigado pela leitura e pelo voto, juliana!
fernando ciscozappa · Belo Horizonte, MG 30/11/2008 11:51
oi doroni, adorei aquele texto-manifesto seu!
a vida é essa rede de detalhes
muitos de nós por aqui passam e atropelam os detalhes e outros tantos nem se dão conta da existência deles...
sim! sejamos utópicos... artesãos utópicos!
abraços,
ei cristiane,
obrigado pelo baita e pela leitura...
abs,
Fernando,
Seu texto é de uma lucidez e de um humanismo reconfortantes meio às estruturas podres da sociedade de consumo e ao massacre do capitalismo selvagem que a gere amoralmente. Mais: a ausência de Ética transtorna por inteiro nosso estar-no-mundo/ estar-consigo/estar-com-os-outros...para-os-outros.
Impressiona-me sobretudo a chave-mestra:
aprender é o que nos transforma.
é o que transforma todas as espécies e a própria natureza.
são aprendizagens múltiplas, assentadas em bases diferentes e em matrizes distintas de racionalidade, de sensibilidade, de cognição, de adaptação..
Sem dúvida, a construção de cada dia é essa mesmo. Erramos a cada momento, mas podemos nos construir até o último instante de nossas vidas.
Meu afago fraterno, comovidamente,
Brida
brida,
até o último suspiro
até descolorirmos...
até o fim estaremos atentos
atentando a vida com os instrumentos
insurgentes que criamos
a partir do toque, da ternura e da explosão
de vitalidade que recebemos do sol...
e além do real
do mais que real
e das contas...
pois afinal de contas
tornamo-nos o que somos...
reconfortado me sinto também
ao saber-te como
vida
e fraterna...
abraços ternos,
Realidade crua e verdadeira. Excelente...
Juscelino Mendes · Campinas, SP 8/12/2008 12:02Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
Está no ar o blog de pesquisas do Instituto Overmundo. Você já pode encontrar lá os primeiros dados da pesquisa “Análise de modelos de negócios... +leia
Você conhece a Revista Overmundo? Baixe já no seu iPad ou em formato PDF -- é grátis!
+conheça agora
No Overmixter você encontra samples, vocais e remixes em licenças livres. Confira os mais votados, ou envie seu próprio remix!