1.
O espinho deu-se a rosa (todo prosa!)
e este poeta (ácaro de saimento...) reescreveu
a concepção do olhar, a intimidade de si;
contudo, a ascendência da rosa
— essa lixa em cisma de contragosto —
desusou-me, colou-me ao espinho
e nem era
antemanhã de mim.
2.
Surgem-me os relâmpagos
onde favelas submetem-se a jorros rápidos,
são misericórdias que fogem... flácidas,
conquanto o banquete de bocas afasta-se da lonjura,
arqueia-se envergonhado... pálido,
põe-se às mesas abandonadas viúvas
feito estômagos que entreandam
em sempiterno retropasso.
3.
Não faz muito.
O limo enodoou a prancheta
e o poema: a ejaculação...
O ferrolho emudeceu a liberdade
e o cadeado: a prisão...
4.
Relâmpagos cessados.
Dou-me a vaguear pelas calçadas
onde multidões doam-se às esmolações
em forma de alimento,
são sombras que tossem... multiplicadas,
porquanto a humilhação descontrola-se a seco,
esbofeteia-se arregaçada... curiosa,
entrega-se às tristezas ciumentas túmidas
de onde ombros buscam o entreficar
em célere cansaço.
5.
Oh! Vida!
A tímida orquídea envelheceu a lapela
e seu aroma (pátina de impedimento) esmurrou
o exame de consciência;
e no entanto o pecado da vulva tropeçou no cântaro
e nem era amplexos do fim.
6.
Trôpego o cata-vento insemina a palavra
onde soluços favelados medem-se ao peso
que as afunda,
são sorrisos que umedecem... desviam-se do prumo,
mormente agora que o cacto espinhento
desmembrou-se da colisão das partidas,
resta a este poeta ajoelhar-se avermelhado... lívido,
e pôr-se a pensar nos altares repudiados viúvos
onde fomes entrecirculam
sem elos ou cadarços.
— Lagrimei!
© Benny Franklin
Intrincado poema. Idas e vindas.
O poeta revelar-se à no seu amanhã?
Lagrimando...
Vou reler ainda. Quase falta fôlego.
Um abraço
extraordinário!!!!
se superando a cada novo poema!!!
Parabéns, Benny!
abração,
Esplêndido! a flor envelhece a roupa e o tempo de impotência esbfeteia com a realidade crua o poeta. só resta chorar diante deste amanhã embolorado porque o o cata-vento frágil tenta inseminar a palavra para alimentar com poesia a fome e o desamparo. Ao poeta resta corar e chorar. a mim apenas admirar o poeta.
Lindo, Benny
abraço
Benny, nobre amigo.
Você é como vinho e cada tempo seu é um outro olhar aos seus novos poemas. Parabéns!
Benny,
Belos e densos versos. Na antemanhã que nasce no poeta, os espinhos das rosas abertas, os relâmpagos reacendendo as favelas e as misericórdias que fogem, a ejaculação, a prisão, as esmolações diárias, a tímida orquídea envelhecida, o pecado da vulva, o cata-vento e a palavra inseminada, as fomes nos altares, lacrimejantes passagens...
Parabéns ! Vo(l)tarei.
Abraços poéticos
Um desfile de versos extremamente lindos.
Abraços
O cata-vento frágil e trôpego sinaliza: a vida tem pressa.
Lagrimei, Benny...
Beijo
Benny,
Cá estou novamente, relendo o seu belo poema e abrindo a votação !
Abraços poéticos
Benny, grande poeta e grande amigo.
Viajas com as lágrimas na alma, sofres, e sofro contigo, e ando ao teu lado, vendo os indigentes nas calçadas.
Estupendo, parceiro. Ainda bem, que não temos ferrolhos e nem cadeados para cercear nossas caminhadas.
Forte abraço, parceiro
Noélio
SALVE BENNY, POETAMIGO,
Belo!
Neste versos perco-me
em divagações loucas.
É pouco?
Beijos e votos,
Regina
Benny,não ha quem nao lagrime diante das injustiças da vida
Uns dormindo em mansões,sob proteção de tudo,outros dormindo diantes delas ao relento
As injustiças e discrepanças saõ gritantes mas quem sabe o que de fato acontece e porque vivemos e merecemos isso?Não quero entrar em religiosas[sou espírita e acredito na reencarnaçao e na compensaçao em vidas futuras]...Mas não seriam carmas?
Maravilhoso seu texto!
Um beijo e meu bom dia!
Poema completo, multifacetado e polido, sem a dureza irredutíivel do diamante.
Sérgio Franck · Belo Horizonte, MG 14/9/2008 12:54
Meu poeta del mundo,sempre ao ler seus poemas tenho a grata felicidade de saber que existem poetas como vc,que a despeito de toda a dor humana,consegue nos trazer beleza nos versos.
Essa amiga te admira e te ama.
Benny, em tempo, pois fiquei sem cpu...
Admirar é pouco
Amar profundamente tua lavra
é água e vinho, é pão!
bjbj
Li e gostei como sempre.Votado tbm.
Beijinhos cá de Portugal
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