Me deixo, calmo assim, nesta atmosfera estranha que insiste
Em me consumir...
Noite fresca, alvo luar prateando solidões
Talvez o mar que espera
Talvez flores que deixei cair
Ou essa ânsia seria a coisa mais normal do mundo?
Uma história
Uma vaga lembrança
Um sentimento profundo, obscuro
Chamo, além de tudo, seus olhos, seu sorriso
E sua insatisfação diante do sonho, da quimera
Ouço os passos além, tão possíveis, tão visíveis, tão distantes...
Algo paira em mim que não contenho, que acalento noites a fio
Como uma chama oculta dentro de um pote sagrado
Vagas de solidão nesse quarto a meia luz, a meia taça de puro mel
Disfarçando amargas ondas
Tanto terra, tanto ar, tanto água, tanto fogo em revista nessa hora...
Sustento carga boa nessa estrada
Aspiro chamas vulcânicas
Mecânicas sutilezas
O dia traçou seu compasso, eu perdi a desenvoltura e naufraguei
Deslocando enígmas, embutindo dores há muito passadas e descartadas
Volta tudo, volta sempre tudo, tirando ar de dentro, desviando poeiras
Bolor, algo me indica caminhos madrugadeiros, caminhos pedregosos
Vertiginosa teia de impressões
Noturno semblante no horizonte da noite
Ouvidos atentos às artimanhas da poesia
Ouvindo algo de música, ouvindo, do vento, esse falar brumoso
Dos recônditos da alma, ouvindo o som da pena correndo no branco papel
Sonhos, sueños, supostas algazarras juvenis, jocosas bocas
E dedos de duro toque
Alvo de tudo que vem do vento ouço melodias
Olho, como se de olhar fosse essa semi escuridão que embaça as sensações
Que desemboca nas vertiginosas cavernas do plural
Escapo atento ao primeiro ataque, no segundo me jogo nas trincheiras
Me enquadro e sonho alto nessas horas de guerras constantes
No labirinto dessa madrugada que trama, que desloca, que separa
Que ofusca o sentido
Algo me eleva e sorrio na hora, qual pedra rolando e polindo arestas
Confirmando destino de segredar corações
Estreito caminhos de agudas pedras
Ouço murmúrios nas frinchas das janelas da alma, alma, alma que passa frio
Nessas horas vagas de poesias e questões, de clarezas e tristezas, e de sabores raros
Nessas horas vagas, colmeia de ideias raras; alcatéia faminta de saber, de entender,
De entreter o verbo, a causa, o efeito, a troça, a caprichosa fauna de letras verborrágicas
Supremo toque de antigas voltas nesse mundo passageiro.
Caro Balbino, sua prosa poética é bela.
[]s,
Milena
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