AO FIM DAS SEARAS ONDULANTES!

Pecado by Ana Mokarzel
1
Benny Franklin · Belém, PA
4/5/2009 · 9 · 4
 

Amostra do texto

O mestre disse: Não é grave se os homens não te conhecem, grave é se tu não os conheces.
(Confúcio)

I

Podo a voz inefável do silêncio
crivando de morte o rio em que a vida tropeça.
Assassino as rugas impregnadas de breves sorrisos
e louvo o semear do vento
(e ainda que seja na penumbra)
escalo o jirau na venta ao fim das searas ondulantes
e arroto o rugido inflor.

II

Rapte-me buraco negro!
Esmagando meu coração sangre-me lentamente
até que toda boca esteja alimentada
que nem espada em oração.

III

A folga da palavra
tosse em escapula para o mar.
Com minhas falas de prantos jejuados
isco um corpo só-casca.
Com meu próprio órgão de voo
cinjo o automóvel sob as sombras das árvores sobejadas
de estômagos e migalhas
e douro o sangue do asfalto multifacetado.
Com o verbo machista na prisão
delimito as armadilhas do muito lânguido
e faço do horizonte
arabesco.

IV

Libidos de mim
debaixo dos panos fartos
remexem as ancas na fazeção das palavras.
Desnudas as pupilas da apoteose de luz
no amplexo da manhã
esfumam
o fumo da chaminé,
mas disfarçam os blefes
com as mãos armadas.

V

Haverá armadilhas em meu redor?
Haverá alvorecer róseo
ou trajeto em meu corpo
que deflagram como sol maduro
corado de tanto amar ao longo
de duas primaveras?


VI

Cintilam lágrimas na brasa.
Nos covis da vida
um fogaréu
arde ao ritmo do aroma de cânfora.
Nádegas
de uma virgem mordendo a excitação
colhem uvas de uma justaposição
do signo vazio.

VII

Oh! Como antevi,
de suor em suor: as mãos-azeites vão olear
o colmo de um telhado no cio!
Como previ,
e como ao fim testemunho:
este meu vinho em dupla masturbação
embriagará vidas!

© Benny Franklin

Sobre a obra

A fazeção de cada poema (para mim) reflete o ânimo que (me) nos nutre.
(Benny Franklin)

"Tudo o que é passageiro é uma ilusão que vem nos incomodar".
(Buda)

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informações

Autoria
Benny Franklin
Ficha técnica
Poesia Bennyana.

Fotografia (Pecado)
gentilmente cedida por "Ana Mokarzel".
http://br.olhares.com/anamokarzel
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Doroni Hilgenberg
 

Beny,
otimo poema
Penso que só o poeta pode entender com certeza o que escreve e para que escreve, porque sua escrita provem de seu estado de espirito, ou seja, do ânimo que nos nutre, da tristeza que nos prende ou do amor que nos ilude.
bjs

Doroni Hilgenberg · Manaus, AM 4/5/2009 18:04
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raphaelreys
 

O durável é apenas a interpretação dos nossos pensamentos sobre a realidade! Beleza meu caro poeta!

raphaelreys · Montes Claros, MG 6/5/2009 15:54
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Rangel Castilho
 

Salve, Benny!

Ouço o grito e estanco minha vida pra ouví-lo!
E ouço a voz da poesia...

Abraço Pantaneiro.

Rangel Castilho · Anastácio, MS 12/5/2009 13:32
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Cintia Thome
 

Libidos de mim
debaixo dos panos fartos
remexem as ancas na fazeção das palavras.
Desnudas as pupilas da apoteose de luz
no amplexo da manhã
esfumam
o fumo da chaminé,
mas disfarçam os blefes
com as mãos armadas.


Blefes...a vida é um blefe..masque tenhamos cartas boas
para acabar com as fumaças...


desculpe minha ausencia, mas vc sabe...

Prima prima


OS HF

Cintia Thome



Cintia Thome · São Paulo, SP 3/7/2009 10:17
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