Apartamentos
Quanta vida,
Esquecida,
Ao final daquela sala,
Quantos sonhos,
Não gritados,
Não alardeados,
Ao vazio daquele corredor
Quantos grãos,
Quantas mãos,
Engorduradas,
Ao frescor daquela pia
Quantos pássaros,
Passageiros,
Não anunciados,
Avistados daquelas varandas
Quantas músicas,
Esgotadas,
No parapeito de cada janela
Quantos vizinhos,
Quantos carinhos,
Dormiam sozinhos,
No interior daqueles quartos
( na mesma cama!)
Sem um aconchego,
Sem um abraço...
(A alma dos seres repercute ainda,
do teto ao infinito assoalho...)
E no entanto, é tudo o que a maioria desses apartamentistas sempre sonhram em ter... Serão felizes?... Os prédios de apartamentos me lembram antigos hospitais, onde o socorro custa a chegar e quando chega traz mensagens não muito alvissareiras... Felizes dos que moram rente ao chão... Gostei... Aparece em http://www.overmundo.com.br/banco/do-livro-dos-esquecimentos-parte-i...
Abraços...
Apartamentos são as nossas embalagens modernas, as nossas caixas que nos acomodam noites e sóis a dentro.
Mas certamente, nos apartam de mundos...
Mas é verdade que iisso tb acontece em outras "caixas".
A tua poesia está perfeita, como sempre!
beijão
obrigado, Pepê.
valeu o comentário!
abraços,
Branca,
refiro-me na ficha técnica ao termo "APARTAMENTO"
cujo própria formatação expressa pessoas apartadas
em suas caixas, penso que os apartamentos, muito
embora coletivos aparentemente, são na verdade
caixas vedadas contra o mundo, contra os outros,
são células unitárias e isoladas uma das outras.
observe que a tendência é "apertamentos" cada
vez menores em área útil. as pessoas estão se
apertando cada vez mais nos seus casulos.
enquanto as casas coletivizam o ambiente,
tornam-se moradia de famílias inteiras e agregados,
os apartamentos transformam-se em caixas
cada vez mais blindadas contra a realidade.
Muito grato pelo comentário!!!
abração,
Tudo certo Marquinhos, eu entendi, quis apenas colocar o meu ponto de vista. O teu texto está perfeito! A ficha tecnica tb explica tudo.
Eu morei em apartamntos muitas vezes, e muito recentemente morava num flat minúsculo, que apesar de movimentado em algumas horas (café da manhã, etc) Era um deserto quando adentrava a porta...
bjão
Marcos,
tudo muito bem retratado. Os apartamentos, gaiolas acumuladas e várias solidões, uma ao lado da outra.
abçs de betha.
Marcos
Eu que moro agora no interior, tenho horror de apartamentos! Não suportaria mais viver numa cidade grande... Apartada!
Sou cada vez mais bicho do mato... E nunca estamos sós, junto da natureza...
bjo!
Marcos,
quando morei em casa com meus pais, sonhava em morar em apartamento. Hoje moro em apartamento, moro não, me escondo, só fico para dormir e nos finais de semana. Não vejo muita vantagem não, só tem a vantagem de ser mais seguro. Adoro animais e não posso ter nenhum, amo música e festa e tenho que ser mais reservada para não perturbar vizinhos. Somente a o sussego é que compensa
Boa reflexão.
Abraços.
Marcos André Carvalho Lins · Recife (PE)
Muito Marcante.
SeCada Apartamento falasse.
.....Quantas músicas,
Esgotadas,
No parapeito de cada janela........
Gostei muito.
Tem a ver com muita gente.
Tem a nossa vivéncia do dia a dia.
Parabéns.
Abrção
Marcos, parabens, as mentes sao apartadas, bela reflexao, votado
victorvapf · Belo Horizonte, MG 3/2/2008 14:24Existem tantos que moram numa mansão e nunca tiveram um lar.Abraços
Falcão S.R · Rio de Janeiro, RJ 3/2/2008 16:17
Olá marcos!
Profunda reflexão. Realmente os apartamentos (leia-se condomínios fechados) apartam as pessoas da realidade da vida, porém muitas vezes o apartar é um momento de nossas vontades ou (des) vontades cultivadas neste mundo contemporâneo, sem tempo e sem amor...
Forte abraço.
olá marcos, li seu poema de um só fôlego, sentindo a angústia das pessoas trancadas. O apartamento é uma metafora do mundo moderno, onde todos se trancam temendo as entregas... Abraçpos do DANLIMA
danlima · Brasília, DF 3/2/2008 19:25
oi... me lembra Tokyo e as pessoas de idade que moram só, me lembra Nova York e a pressa das pessoas que continuam sós, me lembra conjuntos habitacionais com roupas penduradas e uma falta de espaço para ser mais gente, as vz tb até em casa. É o mundo na sua fatia mais cruel, mais é o nosso contemporaneo mundo. Parabéns.
Marcos,
... acertou no alvo! Eu sinto-me parte do todo que não me cabe... apartada também!
Parabéns pelo poema!
Beijos @>--
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