Apis Regina
Na década de 40, Simone Beauvoir publicou o livro “O SEGUNDO SEXO”, onde expunha as diferenças a que as mulheres eram submetidas desde que o mundo é mundo.
Se pensarmos, independente de credo religioso, que uma das atitudes atribuídas a Jesus foi elevar a mulher à condição de ser humano, a ponto de “perdoar” Maria Madalena (embora haja várias versões para o fato), vemos que a escritora francesa não fugia à verdade dos fatos.
No Brasil, a bandeira foi empunhada por Carmem da Silva, da revista “CLAUDIA”, na década de 60, que iniciou uma conscientização da paridade dos sexos.
Não estamos falando em “feminismo”, queima de soutiens, ou outros movimentos sensacionalistas que só desfavoreceram o sexo feminino.
Estamos tratando da igualdade de capacidade de trabalho, de inteligência, de desempenho.
Este processo cresceu como se estivesse tampado em uma garrafa mágica, e algum ser encantado a abrisse.Explodiu, melhor dizendo.
O que se percebe hoje, é que sempre houve e sempre haverá uma balança entre os sexos, com pratos em desnível, quando uma sobe, a outra, fatalmente, desce.
Nossas jovens cresceram vendo as mulheres, principalmente as mães, serem subjugadas pela autoridade do dinheiro do marido (“a casa é MINHA”, “comprei com o MEU dinheiro”, “a porta da rua é a serventia da casa”, etc, etc) e trataram de se precaver para não terem o mesmo destino, passando a “vingar” as ancestrais.
Hoje a mulher imita as abelhas: fascina o varão/zangão até ser fecundada. Após, elimina o macho/homem de sua vida, retendo para si o fruto do acasalamento.
Este será usado como objeto de chantagem, de troca monetária.
Assumem uma nova fonte de rendimentos, com a “profissão” de mulher separada.
No universo feminino certos comportamentos são incompatíveis, como o sucesso profissional e a docilidade.
Elegância no trajar social, e elegância doméstica.
De dia, roupas, calçados e bolsas de marca; à noite, roupão surrado e chinelas.
Tenho observado este comportamento, não só como advogada atuante na área de Direito de Família, mas também ouvindo desabafos de profissionais de outras áreas, comentando a transformação (para pior) de suas clientes.
A mulher, comprovando seu potencial, alcançou postos elevados em todas as profissões.
Na área jurídica, é comum a existência de Juízas, Desembargadoras, Ministras.
Por mais que as mulheres tentem sufocar, elas são passionais, e, atuando como julgadoras, notamos que, muitas vezes, deixam o emocional falar mais alto.
Os cargos lhes exigem independência, isenção de animo, imparcialidade, mas não conseguem fugir de sua essência feminina.
Lembro-me do Papa João 23 que, ao ser indagado sobre as diferenças entre homem e mulher, respondeu:
“os dois são iguais, mas com funções diversas. Enquanto a mulher tiver útero, será diferente do homem”.
Mas, ter útero significa parir, criar dando carinho, amor, proteção.
As crianças e os adolescentes estão perdidos entre uma mulher forte e um homem acuado, sugado, quase sem direitos, mas com muita obrigação em relação às esposas, ex-mulheres e filhos.
Por conta desta insegurança, concordam em satisfazer as vontades dos filhos, para não “perde-los”.
Concordam com todas as reivindicações da antiga namorada, para “não criar caso” na frente das “crianças” (seja lá a idade que tiverem).
E como ficam as crianças? Como será a próxima geração?
O referencial de pai e mãe, avô e avó, não existe mais.
A imagem que tínhamos de família desapareceu e não voltará a ser o que era.
Em muitos casos, nem o referencial de carinho e afeto sobreviveu.
Não se pretende, contudo, “santificar” o sexo oposto, pois as Delegacias da Mulher estão abertas por algum motivo.
O que se nota é que a mulher ficou perdida entre a profissão e a casa, não se realizando em um ou outro.
O que fazer?
Parar e pensar em resgatar a imagem feminina. Não se subestimando ou se superestimando.
Que haja uma divisão de tarefas, já que a mulher colabora no orçamento doméstico, sem a perda do bom senso e do companheirismo.
Que seja praticado por ambos o perdão para os erros de cada dia; que haja compreensão para com as falhas cotidianas.
Que haja acréscimo no lugar da divisão.
.Atendendo à algumas sugestões, estou também publicando aqui este texto.Espero que as mulheres não me batam pelo computador.
Lila Su
E antes de tudo, somos seres humanos, o sexo masculino ou feminino, a opção sexual, e tantos outros fatores são meros detalhes em meio a uma guerra travada todos os dias, apenas para ser feliz, sem pensar em quem manda ou quem obedece, quem paga a conta ou quem recebe, sejamos apenas nós mesmas, aqui, agora e sempre, afinal de contas, a muito tempo sabemos que uns fazem que mandam, para que outros façam que obedecem...
um beijo grande,
volto para votar!!!
Olá Lila.
Não, não sou psicóloga, ao contrário, minha formação é na área de exatas.
Porém, sempre me interesso por assuntos relacionados à mulher e leio muito, tentando aprender.
Seu artifo foi importante para mim porqúe expressou a opinião de alguém que lida cotidianamente com os dramas femininos e expressou, além deste cotidiano, variados aspectos da vida feminina.
Obrigada por sua gentileza.
Aliás, você pode perfeitamente copiar os comentários de lá do Overblog e colar aqui. Vai enriquecer o debate, que é tão importante para todos.
beijos
Muito obrigada por suas palavras, Sarama. Lila Su
Lila Su · São Paulo, SP 20/9/2008 14:15
Oi Lila!!
Se quiserem bater em você, vão ter que bater em mim primeiro, rsrsrsrs...concordo com tudo em gênero, número e grau...as vezes nossas irmãs nos envergonham, mas é por pura falta de consciência e porque esse novo formato de família e de mulher que contradiz tudo que já foi vivido até hoje é ainda muito novo e inexperiente, estamos avançando, mas não sem primeiro tentar, errar aqui, acertar ali, sem ter nem referenciais, já que nossas ancestrais são fruto do patriarcado doentio. As mulheres tem que mudar e a sociedade também, é uma mudança cultural, de paradigmas, de crenças, que exige grande autonomia intelectual e emocional das mulheres, isso é muito recente e dificil de se consolidar, mas a mulher caminha nessa direção e não tem mais volta não...
Parabéns pelo texto,
Um abraço!
Carla
Querida,bater pq?
Seu texto além de maravilhoso é uma aula sem dúvida.Serviu grandemente para engrandecer meu aprendizado.
UM beijo minha querida.
Voto em vc, m/ querida maninha: vc é meu orgulho. Parabéns pelo trabalho. Queremos mais....Bjs e bom domingo..Langinha
Langinha · São Paulo, SP 20/9/2008 20:48
Na natureza, a diferença entre macho e fêmea é evidente. À bela juba do leão corresponde a cara de poucos amigos da leoa; à imponência do galo, corresponde aquele ar de dona de casa da galinha. Culturalmente, no que se refere ao animal humano, tivemos sempre essa distinção, basta comparar "matrimônio" com "patrimônio". Matris + munus = encargo da mãe; patris + munus = encargo do pai. Com a emancipação feminina tivemos um dado cultural novo. O problema é que a mulher, que era diferente, passou a querer ser igual. Igual ao homem! E deu no que deu.
Circus do Suannes · São Paulo, SP 21/9/2008 10:03um bom trabalho merece ser publicado.
O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca, SP 21/9/2008 10:57
Lia Parabens !!!
Ainda é tempo...
Deus o criador fez tudo certinho, e nós, homens e mulheres , sempre temos que tentar mudar. A mulher é o esteio de uma familia, a independencia da mulher deveria ser tão somente para somar com a familia e não para dividi-lá ( isto é que vemos acontecer).
abraços ... sonhar é possivel
André Luiz Mazzaropi
O Filho do Jeca
A mudança no comportamento da mulher é um tema que vem intrigando várias pessoas. Hoje, no jornal O Estado de São Paulo,há menção do livro DESLOCAMENTOS FEMININOS, cujo tema leva à pergunta : O QUE QUEREM AS MULHERES? Bela pergunta, não acham??? Um abraço a todos e grata pelas palavras gentis. Lila Su
Lila Su · São Paulo, SP 21/9/2008 13:20
isso q vc nem mencionou as "meninas" de menos de 10 anos que se vestem já de forma sexual, as que já dançam funk e são "uma gracinha", e os programas de TV que mostram coisas que, na minha infância, só iriam a público nos chamados filmes "pornochanchadas"...
Por outro lado, menino que chora continua sendo "mariquinha" (ou gay, como diz a molecada), a mulher continua esperando um cara sensível, as mães ainda se assustam quando pegam camisinha na bolsa das filhas (que são vadias ou sabidas?), e os homens cpontinuam querendo ser o 1o na vida de uma mulher, e a mulher continua querendo ser a última na vida de um homem..
dsc, Mom, mas seu texto me fez refletir essas coisas. gostei e votei.
Bjkk de uma filha orgulhosa e agradecida pela sábia educação que sua mãe lhe deu.
sim, era um elogio, viu??? rs rs beijocas.
E vá lá ver o texto que fiz pro tio: http://www.overmundo.com.br/banco/meu-elevador-favorito
Tudo isso sem contar a perda da maternidade devido ao mercado de trabalho. Mulheres outorgaram o direito de ser mães a babás, empregadas e escolas para se tornarem grandes gerentes ou ótimas diretoras. Esse resgate tb deve ser feito!
Enfim, ser mulher deve ser difícil pacas!
Claudio, este texto lhe lembra alguém em particular? bjs.Lila Su
Lila Su · São Paulo, SP 23/9/2008 12:06Vc já ganhou, querida !!! Parabéns!!! bjs Lange...
Langinha · São Paulo, SP 23/9/2008 23:33
Lila,
A tua abordagem tem fundamentos vários, mas não dá conta do Universo Mulheres e suas variadas diferenças e nuances na sociedade brtasleira e planetária.
Tive e tenho relacionamento ou conhecimento com um sem número de mulheres ainda na escola, nos sindicatos, na ação política partidária, no cotidiano da vida em bairros onde morei e hoje na vila em que moro, que passam longe da definição esboçada em tua análise.
Nem queimaram sutiãs, nem deixaram de se afirmar enquanto gênero, por igualdade de direitos e oportunidades, contra a opressão sexista e a dominaçao machista, mais que patriarcal.
E muitas ainda não fizeram da pensão de alimentos a fonte alternativa de renda, embora a cobrassem por devida aos filhos gerados em comum.
As vi e vejo ainda por felicidade sempre lutando por instituição de creches e serviços públicos de saúde e educação de qualidade e por aí a fora. Por afirmação dos direitos da infância e mesmo das juventudes.
E tenho estado com elas.
Ainda hoje, antes de qualquer coisa, as veja cuidando até sós dos filhos, sendo pães também, que muitas perderam os maridos no tráfico ou mesmo em acidentes menos banais.
Também penso que há, em primeiro lugar, pessoas, e humana deve ser a sociedade que devemos constituir e fazer permancer.
É o que digo e ouço de minhas crias, mulheres e homens.
Não é de utopia que estou falando, apenas refiro uma outra experiência prática, de um outro ponto de vista, de uma outra inserção que tem a mulher como companheira da luta por direitos e da afirmação da sociedade justa para todos, que somos diferentes (e viva a diferença!).
Que texto lindo e bem composto.
Parabnes.
Um grand ebeijo.
Adroaldo, sua experiência de vida é mais feliz que a minha. Estou parando de advogar na área da família pelos pontos apontados em meu texto.EU sempre fui pai e mãe para meus filhos, mas são poucas as que conheço que arregaçaram as mangas. Isto em diversas camadas sociais. Na mais pobre o quadro não é muito diferente. Trabalhei,por 12 anos em uma Fundação que atende presidiários. As mulheres iam atrás de noticia dos maridos ou filhos pois precisavam deles para sustentar a prole ( de onde vinha o "sustento"???). Já ouviu MEU GURI, do Chico??? Pois é.Desculpe, mas estou em um estágio de vida em que a amargura pela perda da ilusão está pesando. Um abração.
ASSIS PIO, que lindo. Um abração para você.Lila Su
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