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Aposentadoria, equilíbrio e Direito Comparado

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Ivan Cezar · São Sepé, RS
16/11/2008 · 152 · 18
 

Aposentadoria, equilíbrio e Direito Comparado


O grupo “Advogados do Brasil” que, na Internet, debate assuntos de interesse da comunidade jurídica, tem fomentado uma série de discussões sobre antigos e novos problemas que cercam a realidade de nossas instituições e que, quase invariavelmente, ostentam ausência de soluções ou – pelo menos – soluções eficazes.

Um dos pontos que foi discutido no grupo e que seguidamente retorna, é o do exercício da Advocacia por magistrados aposentados e, derivando-se ainda mais a discussão, a defesa de alguns de que esses egressos do Poder Judiciário deveriam submeter-se ao Exame de Ordem como condição prévia para inscrição nos quadros da OAB.

Acaloradas postagens foram feitas por correntes defendendo a dispensa de exame, pois não seria razoável exigir que um juiz aposentado após décadas de jurisdição deva provar aptidão para exercer a Advocacia; outras correntes defendendo o impedimento total com a proibição expressa da advocacia para magistrados aposentados.

Entendendo, respeitosamente, que nenhuma das correntes está dentro da natural seqüência que a história ainda imporá, tentei levar ao grupo experiências menos parcimoniosas que inspiram legislações de países vizinhos – em suma Direito Comparado - e que examinam o instituto da aposentadoria desde uma visão universal e norteada por princípios de ética e equilíbrio social.

Em resumo, se ao Estado é dado o direito de intervir e tornar relativos institutos sensíveis como o direito de propriedade, também lhe é dado o direito de tornar relativos esses institutos que tratam da inatividade profissional.

A sociedade brasileira está como que em hipnose de ganância e no universo jurídico não só magistrados e promotores aposentados buscam inscrição na OAB, senão que milhares de advogados se aposentam e também continuam a exercer a profissão. A estes se somam delegados , defensores, procuradores autárquicos, fiscais fazendários e outros. A simples possibilidade de advogar no “conforto” dos proventos da renda certa incentiva o pedido de aposentadoria.

Dentro desse quadro a inserção de jovens profissionais ao mercado de trabalho tornou-se quase uma odisséia.

Argentina e Uruguai já há muitos anos impuseram limites a esses interesses individuais, preservando o mercado de trabalho para as futuras gerações, de modo que aos profissionais liberais aposentados é vedado o retorno ao trabalho . É uma forma de equilíbrio, pois só a parcimônia pode entender que um recém formado tem condições de concorrer com um juiz, promotor ou advogado aposentado. Qualquer um deles irá para a “linha de frente” amparado por um patrimônio construído em décadas de trabalho e por rendas advindas desses bens conjugadas aos proventos da inatividade.

Para não ficar só na retórica e nem só atrelado ao meio jurídico, dou o exemplo dos Colégios Médicos da Província de Buenos Aires, que possuem marco legal no “Decreto-Ley nº 5413, de 1958” . Os médicos “bonarenses” depois da aposentadoria estão proibidos de exercer a profissão, mesmo na modalidade “pro bono”; isto é, nem de graça lhes é permitido o exercício da Medicina.

Ao protocolar o pedido de aposentadoria os profissionais assinam uma “Declaración Jurada” (uma espécie de Termo de Ajustamento de Conduta) comprometendo-se a não mais exercer a profissão, tudo, em homenagem às novas gerações de médicos e ao equilíbrio do mercado de trabalho. No Uruguai a situação é idêntica e, particularmente, tenho amigos que vivem esse momento da vida .

Observe-se, por fim , que pela legislação brasileira ninguém está coibido a se aposentar, conquanto inexiste a inatividade compulsória antes dos 70 anos de idade, exceto nas Forças Armadas. Advogados, juízes e promotores podem – em tese - estender ao máximo a longevidade na atividade profissional, o que aliás seria muito bem vindo; afinal ninguém duvida de que é interessante manter gente experiente no serviço público ou nas profissões liberais, mas sem o amparo desigual das aposentadorias.

Sobre a obra

Artigo publicado no "site" jurídico Espaço Vital
Uma sociedade que vira as costas para a preservação do mercado de trabalho aos mais jovens, é uma sociedade que não pode chorar hipocritamente a explosão do crime nas ruas.
Enquanto a ganância e a ambição desmedida pautarem comportamentos , o cotidiano sofrerá contínua deterioração de valores.

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Ivan Cezar Ineu Chaves,
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Eloy Santos
 

Sou jornalista, não advogado.
Contudo, acho que a discussão do tema que você trata é de importância geral.
E este (o Overmundo) é um espaço ideal, amplo e democrático para isso.
Trabalhar é preciso.
Parabéns, Ivan Cezar.

Eloy Santos · Rio de Janeiro, RJ 14/11/2008 10:52
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herculano alencar
 

Tenho muitas dúvidas se o homem construiu um modelo social melhor ou pior do que as formigas.
Mas de uma coisa tenho certeza: as folhas vão acabar algum dia!

Abraço fraterno,

Herculano

herculano alencar · São Paulo, SP 15/11/2008 12:32
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Doroni Hilgenberg
 

Ivan.
seu texto é coerente e realista.
Enquanto muitos aposentados continuam nesta mamata,
os jovens e outros pais de famílias penam para trazer
o essencial á mesa.
Essas e outras leis precisam ser revogadas, pois é um
absurdo dos absurdos.
bjs

Doroni Hilgenberg · Manaus, AM 15/11/2008 12:35
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Ivan Cezar
 

ELOY - HERCULANO e DORONI:

Creio que a preocupação com as futuras gerações é indissociável da realidade cotidiana. O jovem desocupado é a bomba-relógio das ruas . E o jovem formado e frustrado - preparado intelectualmente - e excluído do mercado representa uma ameaça ainda maior. Eles reagem quase em "legítima defesa".
Hipócritas,muitas opiniões tem lastro nos interesses individuais, no egoísmo - na ganância e na ambição desmedida - o que defendo no artigo são conceitos que desde muitos anos já são adotados em países que possuem tradição de massa crítica e de cultura consolidada. Enfim, está aí um proposto debate sadío ...

Ivan Cezar · São Sepé, RS 15/11/2008 13:16
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Ivette G.M.
 

Aos pobres cidadãos comuns, a aposentadoria é uma miséria. Assim, não dá para parar de trabalhar, caso contrário não se consegue manter o padrão de vida.
Para o judiciário, os proventos são polpudos, não só para juizes. Dessa forma, não precisam continuar trabalhando depois de aposentados e poderiam muito bem deixar o lugar para os jovens.
Mas a ganância.........
Votado, Ivette G M

Ivette G.M. · Cotia, SP 15/11/2008 14:12
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Ivan Cezar
 

Ivete:
Na verdade cria-se um círculo vicioso. Muita gente que poderia estar vivendo BEM com suas aposentadorias, ficam ACUMULANDO dinheiro ( aliás a maioria gasta no estrangeiro , viagens internacionais, etc ) enquanto os jovens ficam sem campo de trabalho. Não é em vão que o Brasil é campeão na pirâmide de desigualdade aqui na América Latina.
abraço e obrigado pelo comentário

Ivan Cezar · São Sepé, RS 15/11/2008 14:36
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JACINTA MORAIS
 

VOTADO!
IVAN,texto inteligente, que interesa a todos.
É preciso "gritar"
Quando falar não basta!
Clamar às consciências ...
Pulverizar as lavouras,
Do cérebro.
ABRAÇOS.
BOA SORTE.

Porto Alegre-RS.

JACINTA MORAIS · Cascavel, PR 15/11/2008 20:55
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O NOVO POETA.(W.Marques).
 

maravilha de trabalho.votado.

O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca, SP 16/11/2008 13:13
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Jorge Daher
 

Gostei muito!
Leia o meu também, por favor! Obrigado
Abraço

Jorge Daher · Ribeirão Preto, SP 16/11/2008 16:26
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claudia gomes
 

já tinha lido e votado, voltei pra dizer que seu comentário no texto do Jorge foi espetacular!

claudia gomes · Salvador, BA 16/11/2008 18:10
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azuirfilho
 

Ivan Cezar · São Sepé (RS)
Aposentadoria, equilíbrio e Direito Comparado
Temos um infinito de questóes para resolver em todas as áreas e entre elas, a Área do Direito. Com toda certeza se formos contemplar os anséios e necessidades pendentes, vamos precisar de muitos advogados, de todos e até dos aposentados e,
até que precisavamos que este sonho acontecesse, náo só para atender a todos que estáo na lingha de frente se ofertando para trabalhar mas, principalmente para resolver tantas pendéncias e desencontros, que impedem os humanos de serem felizes e o mundo de ser melhor.
Precisamos é manter a Economia funcionando e evoluindo até atingir o ponto ótimo de garantir os recursos para o custeio das contas, das necessidades de serviços de todos da sociedade.
Parabéns pelo Trabalho.
Saudaçáo

azuirfilho · Campinas, SP 16/11/2008 22:07
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EdimoGinot
 

Importante o tema. A aposentadoria, em geral, não é uma benção.
Paga-se muito, recebe-se pouco. E o benefício diminuindo ano a ano. bom trazer o artigo para cá.

Um abraço

EdimoGinot · Curitiba, PR 16/11/2008 22:55
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Juliana S. Valis
 

Excelente texto !!

Juliana S. Valis · Brasília, DF 16/11/2008 23:00
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Aldy Carvalho
 

Aldy Carvalho · São Paulo, SP 16/11/2008 23:24
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Dú Karmona
 

"... afinal ninguém duvida de que é interessante manter gente experiente no serviço público ou nas profissões liberais, mas sem o amparo desigual das aposentadorias."

Gostei do tema, a questão têm q ser revista sim!

bj na alma!!

Dú Karmona · São Paulo, SP 17/11/2008 00:07
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José Cycero
 

Votado amigo.

José Cycero · Aurora, CE 17/11/2008 14:32
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Angélica T. Almstadter
 

Não sou advogada nem entendo dos pareceres jurídicos, mas achei muito interessante seu artigo. Beijo

Angélica T. Almstadter · Campinas, SP 17/11/2008 15:49
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assis pio
 

Votado amigo.
Grande abraço.

assis pio · Aurora, CE 18/11/2008 09:05
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