Ele não bebia, não gostava de samba; sabia-se até que nem música costumava ouvir. No entanto era “figurinha carimbada”, presença constante em todos os ensaios e eventos da escola.
Terço firme nas mãos, com a mesma força que empunhara as facas que lhe deram fama nas brigas de bandos durante a juventude; paradoxalmente, não perdia a missa de domingo. A das sete, mesmo que para isso se submetesse a emendar noite com dia, madrugadas com manhãs.
Homem caseiro e de trabalhar duro, vivia para o agrado dela – primeira passista da escola – e todos os seus caprichos.
Dar-lhe do bom era pouco, tinha que ser mesmo do melhor, dizia orgulhoso aos raríssimos convivas que freqüentavam o camarote arrendado por ele e quase que totalmente desprezado por ela.
Esteticamente bonita, deixava a desejar como ser humano. Humildade e sinceridade, a tempo eram palavras riscadas do seu vocabulário corriqueiramente recheado de bordões televisivos e fúteis frases feitas.
Depois do desfile, nada foi mais foi tão comentado, do que a habilidade dele com as facas que jamais pretendera usar fora das dependências do açougue e o triste desfecho que o destino para ela havia reservado.
A troca de olhares, sorrisos e o roubo de um beijo entre ela e um dos seguranças; não foram por ele digeridos. O fogo da vingança que lhe queimou o peito foi o fio condutor da sentença.
A escola passou sem ela, e para bem mais que muitos o desfile foi alegre e leve sem sua pouco estimada presença. Não lhe restou nem a companhia do segurança, que desabalou em carreia diante das laminas que brilhavam em fúria ofuscando pedrarias e paetês.
Ele foi-se a paços calmos, como se saísse ou entrasse na missa, só não levava na mão o seu estimado terço. Apenas carregava consigo suas facas e os apliques dos quais ela tanto se gabava.
Ele sabia que entre ele e o segurança, ela amava muito mais os cabelos, que nem dela eram.
Até onde podem ir os limites, para algumas pessoas?
Bacana!
O início lembra "Lígia", de Tom jobim.
Volto pra votar.
Até onde podem ir os limites, para algumas pessoas?
É meu amigão, quanto mais leio suas obras , mais me convenço disso. Abraços
Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que se é !
Um abraço !
Não há lugar comum neste texto. Qdo querias dizer q de mansinho entrou em lugares ermos e quietos, traduziste para calmos paços... isto faz de ti alguém com um chipadiante dos outros. Traduiziste o banal e o corriqueiro para uma linguagem aculturada. Isto te faz poeta e Poeta com P.
Aplaudo de pé
Parabéns poeta, sempre me surpreendendo com o valor de seu trabalho.
Muito bom, muito bom.
votado
Parabéns, um grande trabalho!
Votando e beijos
Deixando meus votos lui...Ando lenta não?
te amo meu amigo.
Ola pssoa!!
Eis q seus textos d rotulo d ficção, caminhando paralelo com realidade...
At +, 1 abrço.
E então Luis.
É a crueldade pura, nas relações homanas, com roupagem de dedicação, submissão e paixão.
Preço pago por todos.
Parabéns
Abraços
Apropriação Indébita
Luis Santana · Rio de Janeiro (RJ)
Náo teve merecimento e perdeu o desfile.
Ficou muito bom este Trabalho.
Verdadeira apropriacáo Indébita.
Valeu demais.
Abracáo amigo
Luiz,
passando e dando de cara com seu texto.
Magnífico!
Abraços, desculpe o atraso.
Lembra benito...lembra alguma cena vivida...[:)]
Saudades Luís...
Ótimos dias !!!
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