Eu tava chutando pedra na rua, um tanto triste de ver aqueles aviões de passsageiros seqüestrados por bandidos derrubando edifícios em Nova Iorque no 11 de setembro de 2001.
Caindo até um sobre o Pentágono.
Explodindo misteriosamente no ar e pulverizando-se o tal do vôo 903.
Triste.
Lamentável.
Aprendi num livro de Lenine que terrorismo só chama polícia pra cima do trabalhador e enche a direita de razão.
Aumenta a sanha já violenta do Estado.
Tava triste lembrando que o pessoal que morreu tinha sido alvo de bandidos que até o mandato de Bush pai eram amigos unha e carne, os Bin Laden sauditas montados nos bilhões petroleiros.
E lembrei com amargor que o sargento Garcia ainda não prendeu o Zorro.
E também tava triste que tá morrendo gente ainda hoje no Iraque, numa guerra que o Bush filho da mãe e do pai dele falou há muito que acabara.
E se vão lá milhares de mortos e muitos anos e nada.
E quando explodem alvos sob controle norte-americano, são terroristas, diz a Globo.
Pensei que fosse guerra.
Os talibãs morreram no Afganistão das bombas, foguetes e balas dos ex-aliados norte-americanos, que promoveram eles a inimigos assim que acabou por conta própria e incompetência dela a União Soviética.
O Rambo pira e troca de lado como quem troca de cueca.
A terra da papoula é cobiçada, desde que a China acabou com esse sonho de consumo em escala dos potentados mundiais em 1949. Com o tráfico de ópio e com os puteiros nacionalistas de Chiang Kai Chek.
Ouvi hoje a vice dos republicanos dizer pro Obama (o Barack, não o outro) que precisam fazer a guerra contra a Rússia.
Essa mulher é do Alaska e entende mesmo de economia.
A guerra que ela quer é quente.
Precisam urgente ativar a economia deles, esvaziar as prateleiras e renovar estoques da maior indústria de lá, que é a de armas.
Eles não desmontaram as bombas que já explodiram duas em acordo sobre o Japão.
Nem os russos desativaram as deles.
Só querem que o Irã não as tenha.
Israel tem licença dos chefes pra ter.
Mas tava triste mesmo porque o 11 de setembro que eu lembrava era o de 1973, que os militares chilenos saíram de artilharia e aviação pra cima do palácio La Moneda para depor e assassinar o presidente eleito Salvador Allende.
Depois foram arrebanhando milhares de pessoas e lotando os túneis do Estádio Nacional e desovando cadáveres no Rio Mapocho.
Espancaram até a morte Victor Jara porque cantava e tocava violão para os presos.
Por óbvio, canções de amor e liberdade.
Um delas dizia:
Venceremos!
Só não chorei mais muito por que meu amiguinho de Espanha, Juanito, lembrou-me de que um juiz daqui ficou famoso no mundo inteiro por mandar condenar o carniceiro Pinochet.
Foi em 1998, em Londres, Inglaterra, sob a tese-argumento de que crimes de lesa-humanidade cometidos por agentes públicos durante a ditadura são de 'impossível prescrição', e nesses casos, a anistia não é passível de aplicação.
Lembrei pra ele que recebera em agosto um e-mail de um intelectual gaúcho, o Flávio Koutzii, que eu respeito desde criancinha, que defende a mesma tese.
No artigo Sobre a história, a responsabilidade e a impunidade dos torturadores, Flávio diz:
Há divergências jurídicas.
Há avaliação sobre as motivações e cálculos políticos.
Há os que apenas julgam da conveniência de tocar no assunto.
Há sempre o jogral dos analistas de oportunidade.
(Nunca é hora para eles)
Mas para os que não esqueceram:
Há um grito suspenso no ar.
Há uma dor infinita.
Há um tabu indecente.
Há um seqüestro invisível.
(A honra das Forças Armadas de hoje, reduzida a escudo silencioso,
da responsabilidade não assumida das Forças Armadas de ontem no golpe)
É claro que os torturadores têm que ser responsabilizados.
É certo que a anistia não é igual à amnésia.
É evidente que a história não aceita ficar sem sentido,
nem com censura, nem com cortes, como um filme proibido.
Parei de chorar quando Juan Pablo falou sobre o dia seguinte ao assassinato de Salvador Allende.
Disse com orgulho que corriam o mundo os versos do poeta andaluz Rafael Alberti:
Ontem, no Chile, morreu um homem
Hoje mesmo, milhares de outros já se levantam
A morte não acaba nada!
Os que na Escola das Américas formaram ditadores do Uruguai, da Argentina, do Brasil, do Chile e outros filhos da peste estrategistas militares e torturadores ainda continuam posando de gente e de xerifes do mundo, guardiães da humanidade.
Democracia pra eles é a morte de quem não pensa como eles.
Livrai-nos os fados dessas onipotências.
Eles, agora, a maior economia do planeta, a maior máquina de destruição da terra, os mentores da cartilha do neoliberalismo para os outros, inclusive pra inglês ver, deram pra estatizar empresa privada falida, pra dar uma mãozinha à moeda podre deles.
Keynes já dizia e repetia, alertando que alguém pagaria a conta: não há almoço grátis na história.
Vão mexer no teu bolso, vai juntando os caraminguás!
Arreda!
Saravá!
Juli
Há muito que o sequestro invisível chama-se conveniência...
Carinhoso votos para esse belo trabalho.
Bjs
como diria um conterrâneo teu, sobre Coltrane, digo sobre tua poesia: UM COLOSSO!!!
Juli, querida e iluminada poeta, dizer da excelência de tua poesia cheia de prosa e tua prosa cheia de poesia seria redundar... tri excelência!!! então...
GRANDE abraço!!!
Vivo mais feliz pelo amor e o carinho de vocês, queridas pessoas.
Besitos.
Um dia quando eu retornar, e eu quero porque quero retornar, mas o dólar valorizando desse jeito e espichando minhas economias de reserva para passeios di a pé, pra manter a saúde do corpo e extasiar os zóins, um dia, então, quando eu retornar, vou levar minhas bolas de cristal todas e as cartas de tarará, e coisa e tal.
Se eu dissesse no texto que ia quebrar mais uma banquinho dos gringos porque os campeões da iniciativa privada não seguraram a a barra que foi pedida, penicão memo, de bilhões de dólares, iam tudo me chamar de maluca. Eu até que sou, mas não precisa ser pra ver que a vaca foi ao brejo ver o boi que já lá estava com soga e tudo.
Mas aquela bolha da economia tá fedendo desde que mandaram matar o Lennon.
Não vai estourar porque se não o mundo acaba antes do segundo big bang num bang bang atômico, mas tá pra lá de gosmenta, xexeluda e cabelosa.
Quem tem pêlos no queixo que os ponha de molho, viu Santa Claus!, que vai ser um Natal de Alaskar!
E quem tem uns troquinhos, corre pra comprar os presentinhos das crianças, já! pra outubro e pra dezembro e pede desconto, pra não perder dinheiro pros safados especuladores.
Mais dicas de economia e negócios no Valor Econômico, se eles me contrtarem. Quá, quará, quaquá!
Baci.
Juliaura.
As palavras liberdade e justiças, são palavras que tocam meu coração, dão cores para a minha alma. Teu texto é um livro aberto de verdades, de dores que vivemos, de premonições que sabemos vão acontecer.
Texto lúcido, justo; Um exuberante clamor de revolta contra as injustiças do mundo.
Noélio
Noelio, amado, querido.
Eu sou da paz, mas fico indignada, puta dentro das calcinhas, com injustiça em qualquer lugar do mundo.
O PaCa (partido dos Capitalistas) faz água, mas não perde a pose.
Como fizeram em coro contra o Chile em 1973, fazem agora com a Bolívia, porque o índio, eleito pela maioria do povo, tem uma política de garantir direitos populares secularmente negados que contraria os interesses da oligarquia.
Daí, terrorissmo contra o povo e a nação e o governo constituído se transforma em civismo, na tevê.
Ora vão captar anúncio assim embaixo do capacho, carniceiros!
O PaCa tem lá seus jornalecos e meios outros.
Vovó Marionalva me contou direitinho isso: as marchadeiras de terçlo e rosário na mão gritavam em defesa da família, com deus. E os milicos desciam o cacete nos comunas, que eram todos que não eram ianquis ou capachos deles.
É o mesmo que o Bush filha da mãe e do pai dele diz: que não tá comigo, tá com o terrorismo, querendo fazer parecer-se senhor do raio e do trovão, pensando que seja deus.
Se Barack não fizer o mesmo, matam ele.
Que o segundo esporte nacional estadunidense é matar gente que contraria os negócios dles. O terceiro, todos sabemos, é concurso de peitão.
Tutatis e Belisama não permitam que os céus caiam sobre nossas cabeças!
Juli,
Certeira pluma-flecha. De tempos em tempos a porca torce o rabo e a cobra fuma. Deviam saber de antemão que pimenta no rabo da porca dos outros é refresco.
Kaô, kaô, Kaa be sile!
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