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Arte Naïf

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Nickie · Gonçalves, MG
15/1/2008 · 111 · 14
 

O que você responderia se fosse convidado para ir a uma exposição de um “pintor ingênuo”? Acharia que estavam brincando com a sua cara? Que iria ver quadros pintados por macacos ou elefantes? Arte símia ou paquidérmica não é nenhuma novidade no mundo das artes. Voltando à questão inicial: Como você reagiria diante de uma “proposta indecente” dessa natureza? Se você pensou tratar-se de um vernissage de bobices ou pintura de crianças, está redondamente enganado.

“Ingênua” é a classificação de um tipo de arte totalmente não-acadêmica, não burilada ou atrapalhada por preciosismos acadêmicos. É o estilo de quem já nasce com o dom de ser artista, sem nunca ter estudado para isso. Mas que diabos vem a ser naïf? É tudo isso, só que em francês. O termo foi inventado no final do século 19, para rotular o trabalho de Henri Rousseau.

A princípio, era um apelido pejorativo, mas aos poucos, a nobreza francesa acabou adotando a técnica, e os filósofos franceses, tão na moda naquele século, trataram de massificar o novo estilo, mesmo sem os instrumentos do moderno mass media — os maçantes meios de comunicação de massa, enfim, a mídia.

Arte naïf é arte em estado bruto, sem lapidação, o que não significa, necessariamente, que seja mal feita. Ela surgiu naturalmente, com o alvorecer na humanidade. Os naïfs existem desde os primórdios da civilização, desde que o homem das cavernas resolveu se expressar — as pinturas rupestres são um bom exemplo. O cotidiano era registrado nas paredes das cavernas, em pedras, troncos de árvore, no chão, e funcionava como registro de uma época. As estátuas gigantescas da Ilha de Páscoa e os mosaicos bizantinos são — sem trocadilho — pedras de toque do movimento naïf.

Embora de raízes primitivas, a arte ingênua não deve ser confundida com primitivismo, que se ancora principalmente nos cultos religiosos de um povo específico. Além disso, o artista primitivista tem mais controle racional do que está fazendo. Já o naïf é muito mais infantil, mas essa inocência virtual pode se manifestar em qualquer faixa etária — e vem para ficar, não some com um eventual amadurecimento da alma. Jung dizia que a naïveté, a ingenuidade, era “o último suspiro do inconsciente coletivo em vias de extinção”.

Assim, em contraposição com os acadêmicos, que pintariam com o cérebro, os ingênuos pintariam com a alma. E sempre escolhem temas regionais, lembranças da mais tenra infância, o futebol no campinho da várzea, o balão de São João, as procissões e as manifestações da fé popular em geral. Por essa razão a arte naïf é a pintura genuinamente brasileira por excelência, que tem como único pré-requisito ser autodidata.

O Brasil é considerado um dos cinco grandes do gênero, ao lado da França (o berço dos naïfs, é claro), Haiti, Itália e da esfacelada Iugoslávia. E é no Brasil que se encontra o maior acervo do gênero: o Museu Internacional de Arte Naïf (Mian), localizado no Rio de Janeiro.

No Brasil, o artista se esconde, viaja, como um caixeiro-viajante da arte, um nômade, que nunca fica quieto em algum lugar. De todos os pintores de todas as técnicas e escolas, ele é o mais nômade de todos.

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Nicole K.
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Cintia Thome
 

Parabens pelo texto. A arte primitiva, que nada tem de primitivo, mas asim rotulada, principalmente no Brasil O grande pintor Jose Antonio da Silva, ícone da arte Naïf do Brasil, saiu de sua cidade Sales de Oliveira, SP e foi para a grande São Paulo e insistiu muito, mas entrou na Bienal de São Paulo, nos anos 70 e hoje figura como os mais importantes desta primorosa Arte com seus bois, algodoais, fazendinhas e, cavalos e noivinhas caipiras. Tantos outros, como Antonio Maia, sergipano, com suas cabeças(ex-votos), retratando a religião nordestina Elza O.S. retratando moças das fazendas, das caatingas, com olhos arregalados, Gerson, Miriam com sua pintura em pedaços velhos de madeira...Waldomiro de Deus, bahiano com seus quadros com personagens nordestinos, que teve sucesso fora do Brasil , mas aqui voltou, em Osaco.A excelência Iracema Arditi. Antonio Poteiro. Grandes nomes internacionais da arte, depois do "fauve", pintavam telas rpimitivas, dentre eles, Picasso, Gauguin e Miró.
Sem falar no pintor Heitor dos Prazeres, carioca que retratou o samba, o frevo, o cabloco, o sertão e ainda era compositor ...Nas melhores coleções particulares há muitos pintores brasileiros do genero, sejam nacionais ou estrangeiras, sem falar nos Museus espalhados no País e lá fora.
Bom, viajei aqui, sou apaixonada pela arte, mas a arte inteira de nosso Brasil, tive uma galeria por 20 anos e todos naïfs sempre foram bem vindos, porque não usam de artifícios, "da moda", são artistas que vem a gente do campo, suas culturas, angustias...Adorei.
Viva os Naïfs!Naives...

Desculpe o comentário longo, mas é que textos assim são bem ligados à minha vida.

Cintia Thome · São Paulo, SP 12/1/2008 12:15
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Cintia Thome
 

Hum...Agora vendo o teu site, já estive perto de suas obras. Parabens. Como já disse, Viva!

Cintia Thome · São Paulo, SP 12/1/2008 12:50
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Nickie
 

Cintia, obrigado pelo comentário ilustrativo.
Um abraço,
Nicole

Nickie · Gonçalves, MG 12/1/2008 13:34
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Nickie
 

Cintia, eu já estava esquecendo.. obrigada pela visita no site do meu atelier. Ainda não está pronto totalmente.
Fique curiosa e estou lendo alguns de seus posts e percebo que também é uma artista. Viva para você também!

Nickie · Gonçalves, MG 13/1/2008 16:41
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raphaelreys
 

Minha cara Nickie! A arte naif é uma viagem do artista aos mundos encantados da magia universal! Nada mais autentico! Aqui em MOC temos a reveleção do CHICO LOPES, um cirurgião plástico que, depois de aposentado mergulhou nesse universo encantado. É um mundo colorido extraido do incosciente quixotesco! Parabéns

raphaelreys · Montes Claros, MG 15/1/2008 07:46
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Cintia Thome
 

Nickie, pois é os artistas vaives, são para os olhos açúcar em mel, além da criatividade, retratam sempre a natureza , os campos, flores, casas cablocas, retirantes, agricultura e havia me esquecido de citar a artista plática Rosina Becker do vlle com suas florestas e palhaços, arlequins ...Dirceu de Carvalho e as mocinhas-noivas grávidas do interio.É um mundo de encanto e graça, mas real e levemente mostrando a dura realidade....Voto para o meu voto e que consiga trazer mais assuntos sobre o tema.Parabens.

Cintia Thome · São Paulo, SP 15/1/2008 08:08
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Nickie
 

Cintia, muito obrigada por suas palavras. Acho muito importante trocarmos informações sobre a arte naïf, na realidade ainda pouco valorizada no Brasil. Um beijo para você!

Nickie · Gonçalves, MG 15/1/2008 11:04
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Nickie
 

Caro Raphael, obrigada por sua participação! De fato, não é de estranhar que um cirurgião (ou outro profissional liberal qualquer), quando por ocasião de sua aposentadoria, tenha a tendência de querer (e conseguir) exprimir o que há de mais puro em sua alma. E a arte naïf é um excelente caminho para isso. Um abraço!

Nickie · Gonçalves, MG 15/1/2008 11:08
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carlos magno
 

Parabéns minha amiga Nickie,

atua tela é muito bem elaborada, um naïf refinado de cores bem dosadas e agradáveis. O aproveitamento do espaço, está equilibrado com detalhes interessantes de um ambiente interior. Meus sinceros aplausos e Beijos.
Carlos Magno.

carlos magno · Rio de Janeiro, RJ 16/1/2008 00:50
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Nickie
 

Prezado Carlos Magno, muito obrigada! É bom para a alma quando recebemos elogios assim! E você enxergou muito bem: sempre me preocupei com detalhes, especialmente quando pinto cenas de interiores. Mais uma vez, muito obrigada!

Nickie · Gonçalves, MG 16/1/2008 01:50
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Frazao my brother
 

Muito bom. De ingênua não tem naifda.
bjs

Frazao my brother · Anastácio, MS 16/1/2008 13:21
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Andre Pessego
 

Para mim, foi uma aula. Mas tive a impressão de que esta barra se repete nas demais categorias dos que lutam com arte. Não imagina a carga que é para os que lidam com artes cênicas.
Gostei da tela, um abraço, andre.

Andre Pessego · São Paulo, SP 25/2/2008 18:34
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fatima queiroz
 

´parabéns

fatima queiroz · Santos, SP 11/9/2008 04:09
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ajursp
 

GOSTEI MUITO UM ABRAÇO VIVA A ARTE NAIF AJUR SP

ajursp · São Paulo, SP 13/3/2009 03:06
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