Arte: Outra Cultura

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Zemh Teixeira · Belo Horizonte, MG
25/2/2011 · 0 · 0
 

Uma coisa é Arte. Outra Cultura.

É interessante observarmos que no campo dos entendimentos há uma confusão generalizada entre o que é Arte e o que é Cultura. Para elucidarmos a questão, sem cairmos nos “maquiavelismos acadêmicos”, muitas vezes necessários, é importante procurarmos o “anthropos” no seu estado primitivo e observarmos como de lá ele chegou aqui neste estado do que chamamos “Civilização”. Por outro lado para isso, é importante também não entrarmos no campo técnico das discussões conceituais do que é Arte, ou da Arte enquanto Belo, Objeto, Operação, Intervenção ou Vivência contemporânea... Para tal, precisamos tratar a Arte na sua oitava de colaboração no processo civilizatório. Ainda uma última ressalva: -Não podemos nos perder em preconceitos às vezes escondidos nos recônditos das nossas motivações, onde muitos de nós entendemos a arte como a “melhor coisa”, pronta a nos “aproximar do divino”, nos libertar. Pois bem, neste caso procurando um meio termo, para começo de reflexão e já fazendo disso viés de seguimento, citaremos Friedric Wilhem Nietsche nas suas “Obras Incompletas” carregadas de revelador discernimento:
“Eu por uma feliz coincidência tive o direito a arte. Direito a arte é ter o direito de entrar em sintonia com “toda a humanidade”. Direito que só se dá através da arte. O direito de ser humano, demasiado humano”.
Que arte é essa, que tem tamanho poder, tão civilizatório quanto a Ciência, de onde vem a Escola e a escolarização? Tão elucidativo e imperioso quanto a Filosofia de onde vem a política? Tão iluminador quanto a Religião, de onde vem a subserviência a força maior? Ora é importante lembrarmos que o desenvolvimento da humanidade se processa no campo da “Cultura”, (termo esse que acreditamos muitos de nós, vem de “cultivar” -o solo), o que denota ritmo diário, uma retórica animista, continuista, naturalista de formação de hábitos, aperfeiçoamentos, definição de identidades, etc. Portanto “Cultura”, com seus saberes e afazeres, maneirismos e poderes, dizeres e quereres. Ora, é ai que quatro pilares se estruturam lado a lado e vão “coordenar”, “subsidiar”, “substanciar” o entendimento humano do seu próprio meio e do seu campo de manifestação e influência.
Afirmam alguns que surge primeiro a Religião, em uma relação de sentimentos contemplativos pela natureza. Para se explicar os pensamentos gerados e a ausência de resposta consciente do meio circundante, surge a Filosofia explicando os paradoxos. Na tentativa de dominar os processos pela reprodução, vemos surgir o que se chama “Ciência”. Estas três vertentes juntas, diluídas e ainda diáfanas vão sugerir e definir a identidade dos seres, dos grupos, das comunidades, das nações. Mas é a Arte que a frente, vai emprestar a manifestação humana, a plasticidade e recursos das suas linguagens para que ela em humanidade, possa interpretar e reproduzir a realidade e então definir e expressar o que chamamos identidade. Por isso a Arte tem o seu pé atado a Cultura, e lá não está atada de igual maneira a Filosofia, a Ciência ou a Re-ligião. Não de igual maneira. Por isso a arte pelo encanto das suas utilidades se faz incompreendida, principalmente porque é assim cafundida com curtura!

Zemh Teixeira- Artista, Facilitador, Gestor, Analista e Articulador Cultural.
Diretor do Museu GPS-Arte Contemporânea. Belo Horizonte MG. zenbhz@gmail.com
Primavera de 2008

Sobre a obra

O artista o é em seu servir à sociedade,tão valiosoquanto o médico, o engenheiro, ou qualquer outro profissional reconhecidamente qualificado. Porque não se confunde o trabalho de outros profissionais com a "genérica" mamãe cultura???? Esta forma desmerece os profissionais da arte. Falo de arte profissional engajada. Arte significativa, importante à sua época. Arte que de fato retrate a cultura, não nichos minoritários que se fazem maioritários por fenômenos de época...Falo de ARTE.

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informações

Autoria
Zemh Teixeira. Artista, gestor, analista e articulador culturall.
Ficha técnica
Pensamento contemporâneo, provindo do discernimento técnico de um profissional de arte, que filosoficamente perscruta a sociedade e seu quadro de valores culturais e observa seu entendimento e valoração das coisas. Bibliografia: Inclusa.
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