Artecoisa
revolução no campo das artes:
morreu o artista, anonimo,
sem debater-se, sem gritar, sem derramar
uma gota de sangue, sem perceber,
se percebeu, sem importar-se.
Se foi discreto
nem lírico, nem dramático, nem cômico.
Sem saber a diferença entre arte e coisa
Ou mesmo outras coisas que costumavam sê-lo
ou parecê-lo.
Morreu o artista e sobrou a arte.
Arte inevitável
como inevitáveis o medo e o desejo
Arte sem beleza, erro, rumo, fosso
Restos não genealógicos
divididos como pão entre os que vivem.
A arte que sobrou da morte do artista
não tem importância, peso nem alma
não faz diferença. Mal chega a Ser
Não é oxigênio
nem mesmo o nada é.
Pois parece existir
emaranhada nos novelos
de significados de coisas outras.
Se foi o artista e continuou-se assobiando coisas
e admirando paisagens.
Salve, Valério!!!
Que beleza!!!
A alma do artista sobreviveria num assobio de um pássaro, talvez de alguém embriagado pela vida?
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