A verdade quando dita
De uma forma saborosa
Bem temperada! No ponto.
Adoçada com uma prosa
Com um pouco de humor
Torna-se maravilhosa
Tem coisa que o tabaréu
Nunca nem ouviu falar
Mula “pegando barriga”
Homem dando de mamar
É só vê televisão
Para você comprovar
As coisas tão se mudando
O mundo tá um revertelo
Macaco lê o alfabeto
O prego bate o martelo
O rei ta no viaduto
O mendigo no castelo
O meu nome é Manezinho
Vou logo me apresentando
Quem olha pra mim de lado
Creio que ta cochilando
Quem fala da minha vida
Sua cova ta cavando
Gosto de falar em público
Para Mestres e Doutores
Eles entendem o que digo
Temos os mesmos amores:
O saber! Eis a questão
Disso somos os senhores.
Se abro a boca num canto
De gente ignorante
Defendendo a minha tese
De cientista ambulante
Ouço riso em demasia
Chacotam desse pensante
Às vezes até em casa
Ouço risinhos também
Mas aí eu fico brabo
Para mostrar quem é quem
Mando rezar o Pai Nosso
E no final dizer Amém!
Gente assim como eu
No mundo é uma raridade
Não é de esquentar assento
Parte deixando saudade
Biblioteca do saber
Um celeiro de humildade
Vou deitar na hora certa
Com anjos de prontidão
Uns puxam meu cobertor
Outros pegam em minha mão
Me levam até o Pai
Para eu tomar a “benção”
Fico às vezes entretido
Na casa celestial
“Bato” um dominozinho
Em um banquinho no quintal
Só não vale apostado
Assim causa muito mal
Em uma dessas subida
Vi São Jorge e o dragão
Empinando uma égua
Com uma lança na mão
O Dragão lhe encarava
Embolando pelo chão........
.......
Vou falar de Adão e Eva
Do início da criação
Me lembro como agora
No momento da ação
De Deus fabricando os dois
Amoldando com a mão
O homem foi o primeiro
A tomar forma de gente
Mas o sol daquele dia
Estava pra lá de quente
Secou o barro bem rápido
Deformou todo o ente
Pra compensar a feiúra
Deus pôs na sua lembrança
Tu dirás pra todo mundo
Que é minha semelhança
Ninguém ficará sabendo
Dessa caloura lambança
Só que o mestre não contava
Com esse anjo bendito
Escondido atrás da moita
Criado todo bonito
De um assovio divino
E saber de manuscrito
Vi também logo em seguida
A segunda invenção
Olhando o mordolo feio
Que se chamou por Adão
O Mestre foi caprichando
Nessa nova criação
Com carinho e muita graça
De forma arredondada
Quase o oposto de Adão
Retocada e caprichada
Deus fez a linda mulher
De Eva ficou chamada
Apareci nessa hora
Grande susto o Pai tomou
Fiquei meio descabriado
Um “carão” ele passou
Perguntou o que eu achava
Falei que me agradou
Disse para o Pai do Céu
O Senhor não leve a mal
Diferencie a segunda
Do primeiro animal
Tire esse pino do meio
Senão vai ficar igual
O Onipotente urgente
Aceitou a sugestão
Tirou o pino de Eva
E deixou o de Adão...
Tá assim nas entrelinhas
Do Livro da Salvação........
Estava com saudade da literatura de cordel.
Fiquei contente ao ler seus versos.
Sebastião, aqui no banco de cultura tem um outro cordel de Sergipe, sobre um personagem histórico daqui de SE, João Bebe Água. E um texto bacana da Lu Almeida no Overblog sobre um outro cordelista, Seu João Firmino.
Abraço!
Literatura de Cordel - quanta criação bonita embaixo desse céu...
Muito bom, Manoel Elielson..
Olá, Elielson,
Na ficha técnica, achei curioso você colocar
"... é mais um folheto de Literatura de Cordel, e só"
Ora, e precisava mais?
Gostei demais de seu cordel. Muito bom. Parabéns!
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