As chamas de almas mortas

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Juscelino Mendes · Campinas, SP
17/8/2008 · 162 · 53
 

(Para Galdino Jesus dos Santos)

In Memorian


As chamas de almas mortas
Se movem. Mais um índio cai inerte
Envolto pelas flamas ignotas
De um desdenhar que perverte.

Almas que se ocultam entre chamas
Para destilar ódio, amargura, desdém
E, surdas, em suas tramas,
Não escutam um ser considerado ninguém.

Em meio àquelas labaredas, terminal
De sonhos, esperanças, calor...
De madrugada seca e infernal
Tudo vira tocha em macabro ardor.

(Vislumbramos a solidão do deserto
Que há em todos nós, que navegamos
Em mar vermelho e incerto
De tubarões gélidos que encontramos.)

Era um Pataxó que quisera ser
Mendigo de suas próprias heranças
Destronado que fora dos sonhos de ter
Suas matas, habitadas de lembranças.

Recebeu sua parte comendo o pão
Buscado sob mesas fartas,
O seu pedaço de chão:
Em chamas, à semelhança de suas matas.

Sobre a obra

Índio covardemente queimado no dia 21 de abril de 1997, enquanto dormia em ponto de ônibus de Brasília, por alguns jovens "civilizados" e abastados da Capital federal. Estes, por manobras várias, ficaram livres, aumentando o calor das chamas e de nosso clamor por Justiça.
O brasileiro morto era um "indivíduo dos pataxós, tribo indígena, cujos remancescentes vivem nas terras do posto índígena Paraguaçu, município de Itabuna (BA), e que outrora habitava as matas entre os rios Jequitinhonha, Mucuri e Araçuaí."
In Dicionário Aurélio Eletrônico.

Poema composto em momento de profundo desapontamento com alguns membros da tribo do ser (des)humano.

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informações

Autoria
Juscelino Vieira Mendes, neto de uma Pataxó Pataxó Hã-Hã-Hãe, Ana Maria, falecida aos 95 anos em 2003.
Direitos reservados. Para citar este poema:
Mendes, Juscelino V. – As Chamas de Almas Mortas. Página de Juscelino Vieira Mendes, seção "Poesia". Sítio http://planeta.terra.com.br/arte/juscelinom
Ficha técnica
Em reportagem de Marina Lemle, sob o título, "A caso e causa do índio Galdino, do Jornal do Brasil, a reporter faz citação deste poema, em 8 de novembro de 2001.

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graça grauna
 

Juscelino: o seu poema é um grito de dor que se vê e se sente ainda pela tragédia contra os nossos prentes indígenas. Nunca é tarde demais para denunciarmos tantas injustiças. Galdino se foi, Xico Cicão se foi, mas a luta continua e muitos outros guerreiros nascerão. Paz em Nhande Rú, Graça Graúna

graça grauna · Recife, PE 15/8/2008 16:27
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Juscelino Mendes
 

Querida Graça! Bom tê-la aqui com sua manifestação sempre bem-vinda. Grande abraço.

Juscelino Mendes · Campinas, SP 15/8/2008 16:30
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EdimoGinot
 

Uma tragédia, cometida por irresponsáveis, sob as graças do poder, que ainda estão por lá.
Um abraço

EdimoGinot · Curitiba, PR 15/8/2008 16:49
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Juscelino Mendes
 

E que ainda estão por lá, Edimo, com emprego público, com ganhos acima de R$ 5.000,00, para um dos delinqüentes filhos do poder.
Um abraço.

Juscelino Mendes · Campinas, SP 15/8/2008 18:12
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Angélica T. Almstadter
 

Não sei se pior é a covardia ou a impunidade. Eu ando em choque com as barbaries que tenho acompanhado na mídia, as vezes eu tenho vontade de me desligar de tudo para poupar minh'alma de tanta coisa feia. Beijo >^:^<

Angélica T. Almstadter · Campinas, SP 15/8/2008 21:22
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Juscelino Mendes
 

Às vezes, Angélica, é providencial a sua atitude para respirar e retornar para o enfrentamento dessas coisas feias que nos rodeiam. Obrigado por sua doce presença.
Beijo.

Juscelino Mendes · Campinas, SP 16/8/2008 00:08
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Cristiano Melo
 

Juscelino,
Muito bem escrito/descrito o seu poema-alerta-grito... Infelizmente é uma dura realidade a falta de humanidade no respeito às diferenças e à banalização da violência, de maneira arbitrária e até sem pensar (acho que nem pensam), ceifam a vida de um ser com suas famílias feitas orfãs... Triste é pouco para definir tal tema, muito triste... E mais triste ainda ter acontecido aqui onde moro.
abraços

Cristiano Melo · Brasília, DF 16/8/2008 09:27
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Juscelino Mendes
 

Naquele dia fatídico, Cristiano, Brasília, que gosto muito, ficou menos humana, menos JK. A demonstração do poder, via Justiça, ficou evidenciada. Ajudaram, indiretamente, a queimar Galdino.
Um abraço.

Juscelino Mendes · Campinas, SP 16/8/2008 10:50
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Raiblue
 

Meu lindo 'J'...

Vc me emocionou não somente pelo absurdo que foi este ato insano,mas pela belíssima poesia que pintou carregada de tons porpurinados pelas lágrimas diante de tamanha desumanidade...Mais que selvagens, essas criaturas são verdadeiros monstros...os filhos das cidades 'craqueadas' que falei lá no meu texto....Mais triste ainda ver isso acontecer dois dias após o dia do índio,19 de abril,...ele foi o 'Tiradentes' executado em outro 21 de abril...,só que
totalmente inocente de qualquer delito...
Eu nunca conseguirei apagar as chamas dessa cena da minha mente...nunca...
E assim caminha a desumanidade..
O que poderá libertar o homem de si mesmo...de sua própria prisão
....não sei não....

Parabéns,meu queridíssimo! Vc sempre brilhante!
um beijinho bluemocionado...
Blue

Raiblue · Salvador, BA 16/8/2008 11:25
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Compulsão Diária
 

Juscelino, meu rei, lamento bem escrito e necessário. Barbárie autorizada, nossa ancestralidade feita brinquedo nas mãos de perversos impunes. Dói a imagem do índio - primeiro habitante e senhor da mata mata incendiada - assasinado em sua casa.
Lindo. Bem construído poema .A chama, a alma, o índio, Brasíia e seu cerrado e céu tomados pela fumaça e pelo fogo. Metáfora desse núcleo de poder tenebroso.
Neste poema lindíssimo, está toda a crítica ao fato e ao horror que se liga a ele em versos exatos. Mais ainda: neste poema, o grito da alma do Brasil incendeia minha lembrança e traz choro, dor. E toda minha admiração pelo poeta.
Parabéns!
mille baci
mille baci

Compulsão Diária · São Paulo, SP 16/8/2008 11:44
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Raiblue
 

Quis dizer: '...belíssima poesia que pintou carregada de tons purpurinados pelas lágrimas diante de tamanha desumanidade....'

Sabia que vc tinha no sangue um índio Pataxó....bravura e sabedoria correndo na veia...
Gostei demais das imagens!

mais besitos, J, meu poeta lindo!
Blue

Raiblue · Salvador, BA 16/8/2008 12:35
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Juscelino Mendes
 

Rai-blue,
um jazz bem transado prá você,
com Miles Davis.
Bj

Juscelino Mendes · Campinas, SP 16/8/2008 16:23
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Raiblue
 

Lindo!Adoro o Mile!!
obrigada,viu?
Deixo esse pra você, para saudar esse crepúsculo maravilhoso de hoje...

http://br.youtube.com/watch?v=C5vhd-9Om44&feature=related

com carinho...
Blue

Raiblue · Salvador, BA 16/8/2008 18:09
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Raiblue
 

Lindo!Adoro o Miles !!
obrigada,viu?

Deixo esse pra você, para saudar esse crepúsculo maravilhoso de hoje...

http://br.youtube.com/watch?v=C5vhd-9Om44&feature=related

com carinho...
besitosblue
Blue

Raiblue · Salvador, BA 16/8/2008 18:10
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Juscelino Mendes
 

Esse disco é maravilhoso, Rai! Miles de criatividade ímpar. Mando este para você: http://br.youtube.com/watch?v=LGBPSx1Zxlo&feature=related
Bjs.

Juscelino Mendes · Campinas, SP 16/8/2008 21:52
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Juscelino Mendes
 

ou este: http://br.youtube.com/watch?v=TNP9OuwCVJs&feature=related

Juscelino Mendes · Campinas, SP 16/8/2008 21:54
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O NOVO POETA.(W.Marques).
 

bonito é pouco as imagens e seu trabalho ficou maravilhoso,parabéns.depois eu volto.

O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca, SP 16/8/2008 22:05
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Juscelino Mendes
 

Obrigado, Marques!...

Juscelino Mendes · Campinas, SP 16/8/2008 22:22
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Denise A Souza
 

Infelizmente, é um triste acontecimento. Recebi um email outro dia dizendo que um dos assassinos atualmente ocupa um cargo público, e ganha maise 4000 reais!

Denise A Souza · Guaratinguetá, SP 16/8/2008 22:47
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Juscelino Mendes
 

É mais que isso. Leia, Denise, o que escrevi ao Édimo acima...

Juscelino Mendes · Campinas, SP 16/8/2008 22:50
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Raiblue
 

Abrindo a votação...olha que sou trevo...rrsss...
um sopro de beijos, J, meu lindo, ...quase crepusculares...
Blue

Raiblue · Salvador, BA 17/8/2008 16:25
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O NOVO POETA.(W.Marques).
 

votado.abraços.

O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca, SP 17/8/2008 16:29
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EdimoGinot
 

EdimoGinot · Curitiba, PR 17/8/2008 16:50
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Doroni Hilgenberg
 

Jucelino

Quando acontece estas coisas nossa revolta e grande.
Descremos nos politicos, na justica, na capacidade de pensar e por ai vai...
bjssssss

Doroni Hilgenberg · Manaus, AM 17/8/2008 17:17
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celina vasques
 

Meus votos meu carinho e minhas felicitações pelo texto
muito bem escrito e que nos faz relembrar e reviver essa estória
na época tão comentada pela mídia mas também como todas
as outras tragedias, esquecidas! INFELIZMENTE!

beijo no coração!

celina vasques · Manaus, AM 17/8/2008 18:52
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Denise A Souza
 

Votado. Bjs. Dê

Denise A Souza · Guaratinguetá, SP 17/8/2008 19:35
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Denise A Souza
 

Juscelino
Acabei de ler todos os comentários, acredito que é preciso trabalhar a sensibilidade. Isso só é possível através da Arte. Bjs. Dê

Denise A Souza · Guaratinguetá, SP 17/8/2008 20:07
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walnizia santos
 

Belíssima poesia, Juscelino. Ela me fe reviver, profundamente triste e emocionada, o trágico assassinato. Aqui, bem perto da minha casa, dos meus filhos e dos netos.
Enquanto eu dormia, jamais imaginando que alguém fosse capaz de cometer tanta barbárie.
Enquanto os homens que fazem leis dormiam, enquanto a justiça dormia.
Mas os rapazes malhados, ricos e maus estavam insones, coitados. Precisavam se divertir.

walnizia santos · Brasília, DF 17/8/2008 20:58
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Juscelino Mendes
 

Blue, Marques, Edimo, Doroni, Celina, Denise, Walnizia. O meu abraço carinhoso para todos vocês. Walnizia enquanto a justiça dormia. Achei isso singelo e verdadeiro. Bj

Juscelino Mendes · Campinas, SP 17/8/2008 22:49
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Juscelino Mendes
 

Blue, sua presença sempre bem-vinda, seja cedinho ou à tarde. Não importa! Beijos

Bea, grato pelas palavras gentis a respeito de meu texto e de mim mesmo. Beijos.

Juscelino Mendes · Campinas, SP 17/8/2008 22:53
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Juscelino Mendes
 

Denise,
a arte exercita a sensibilidade, mas o que fará mesmo a diferença nas relações humanas, será o amar ao Criador sobre todas as coisas. A partir disto, amar-se-á a sua criatura naturalmente, porque é Seu mandamento. Afora isto, o mais é ilusão e correr atrás do vento como diz o Eclesiastes.
Bjs.

Juscelino Mendes · Campinas, SP 17/8/2008 23:26
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Compulsão Diária
 

Compulsão Diária · São Paulo, SP 18/8/2008 03:03
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Coluna do Domingos
 

Aprovado, Votado.

Coluna do Domingos · Aurora, CE 18/8/2008 13:47
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Juscelino Mendes
 

Alexandra Torres
Direto de Recife

"O índio truká Mozenir Araújo de Sá, 36 anos, candidato a vereador de Cabrobó, no sertão pernambucano, foi assassinado no final da tarde do último sábado, em frente ao comitê eleitoral, no centro. Hoje, o corpo será velado na Câmara de Vereadores e sepultado no cemitério do município." Terra, 25 de agosto de 2008.

E a maldade continua firme!...

Juscelino Mendes · Campinas, SP 25/8/2008 13:11
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Diacui Pataxo
 

Li gostei demais eu sinto essa dor eu me indigno com tanta crueldade e perversidade!

Diacui Pataxo · Ilhéus, BA 17/9/2008 21:38
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Diacui Pataxo
 

Seu poema, Juscelino, é trste como a morte de Galdino e de tantos outros índios vítimas da vilania e tirania, no passado - dos invasores e atualmente - daqueles que insistem em herdar seu legado de traições, crueldades, perversidades para com esses povos que habitam o continente pelo menos há 30.000 anos. Milênios de história negados pela indiferença, pela ambição, pela exploração e expropriação das terras que por direito lhes pertencem. Meu coração chora e sangra o corpo queimado de Galdino, chora o choro de sua mãe, de sua tribo, do chão que ele pisava!
O que podemos fazer senão lutar a vida inteira? Lutamos porque está em nós essa luta, escrito nas nossas veias, pontuado e acentuado no sangue que jorra em nossos cérebros... lutamos porque essa é a única maneira que encontramos para ser livres ... não concebemos o silêncio e a omissão - isso é morrer!
O "imprescindível" foi demais pra mim por hoje, ás vezes eu mesma sufoco com tanta angústia por causa do outro , mas eu sou esse outro também, eu sinto a dor dos escravos espancados em praça pública, torturados, esfomeados, sinto o pavor das crianças indígenas vendo queimar suas aldeias, vendo morrer seus pais e seus avós, sinto saudade de nossas cantigas de roda, de caçar e pescar, de dormir na rede e plantar mandioca... sinto falta dos tantos banhos diários nos rios e nos oceanos e meu paladar se delicia com o cheiro do peixe assado na areia... minha memória ancestral atávica ecoa pelos meus poros... quantas palavras perdemos, quantas pessoas, quantas famílias, quantos saberes, quantas danças, e pior de tudo, resumindo: Quanta identidade!!! Parabéns por falar de Galdino, Forte abraço

Diacui Pataxo · Ilhéus, BA 17/9/2008 22:34
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Juscelino Mendes
 

Diacui, querida, é com alegria de um curumim que leio a
sua bela mensagem. Espero que você publique suas coisas
aqui e que tenhamos o prazer de lê-la.
Sua escrita é fabulosa, fantástica e realista ao
mesmo tempo.
Carinhoso abraço.

Juscelino Mendes · Campinas, SP 17/9/2008 22:51
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Luís Caetano
 

Valeu Juscelino. E alguns pretensos historiadores costumam dizer que os índios foram todos exterminados no Planalto da Conquista, parece-me que não. Forte abraço companheiro

Luís Caetano · Vitória da Conquista, BA 19/9/2008 19:13
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Juscelino Mendes
 

Meu caro conquistense,
a cidade resiste porque muitos resistiram
e deixaram descendentes. É o caso de minha família
e de muitas outras de nossa querida cidade.
Saudades.
Obrigado por sua palavra aqui.

Juscelino Mendes · Campinas, SP 20/9/2008 15:15
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Andre Pessego
 

Juscelino
Sabe que sou de uma terra, onde já em 1700 não mais havia nem Caciques e nem Pajés, Gilbués no Piauí, limites das cabeceiras do Rio Parnaiba, passagem das Forças Volantes, à época de Palmares, rumo a lá,... Daí voce imagina........
abraço
andre.

Andre Pessego · São Paulo, SP 23/12/2008 17:42
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Juscelino Mendes
 

Imagino, sim, André! Sou descendente dos pataxós do sul da Bahia e sei muto bem o que é essa luta insana da preservação de um povo. Grande abraço e paz.

Juscelino Mendes · Campinas, SP 23/12/2008 17:52
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Juscelino Mendes
 

Um Novo Ano se aproxima: abraços e Feliz Natal aos meus irmãos paraxós e de todas as tribos do Brasil.

Juscelino Mendes · Campinas, SP 24/12/2008 16:28
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Ivette G.M.
 

Juscelino, que bom encontrar neste site, descendentes de índios brasileiros. Você e a Diacui.
Há alguns anos tive uma experiência fantástica, na Secretaria de Educação de São Paulo, trabalhando em um grupo que deveria instiuir o Núcleo de Ensino Indígena, ou seja, obrigatório, pela Constituição, tratar de forma diferenciada a educação indígena e preparar profeassores para ministrar as aulas.
O grupo se constituia de pessoas da Secretaria da Educação, de Promotora Pública-para preservar os direitos indígenas- por representante da FUNAI, por antropólogos e por representantes das tribos indígenas que habitam o Estado de São Paulo, em sua maioria Guaranis. Foi uma experiência ímpar, inesquecível, por aprender tanto com a sabedoria indígena. Desta minha experiência, escrevi três crônicas no site saopaulominhacidade, inclusive para reclamar que os índios não eram alí citados, nas memórias dos paulistas e paulistanos, quando tantos deles vivem tão perto de nós.
Duas tribos junto a Represa de Guarapiranga, uma tribo no sopé do Pico do Jaraguá, comunidades, inclusive de Pataxós, na Favela do Real Parque, tribos no Guarujá, em Ubatuba, em Caraguatatuba etc. Todos tratados como indigentes ou como gente invisível.
Diacui me trouxe à lembrança uma índia homônima que, nos idos, talvez de 1955, foi trazida para o Rio de Janeiro por um sertanista, pouco conhecido, e exibida nas areias de Copacabana, nua, portando apenas um fio (literalmente), nos órgãos genitais, talvez o primeiro verdadeiro fio dental que se conheceu, que era o símbolo de sua virgindade.
Ela possuia longos cabelos pretos, lisos, cortados com uma franja sobre a testa: olhos
também pretos, em um rosto moreno e jovem, muito jovem, talvez uns 15 anos de idade.Linda!
Esse sertanista casou-se com ela e, meses depois, Diacui morreu de parto, ao dar a luz ao seu primeiro filho.
Tenho certeza que uma pesquisa na antiga revista " O Cruzeiro" revelará esta triste história.
Foi a primeira vez que eu, também muito jovem, fiquei chocada com a exploração do ser humano pela mídia e pelo próprio sertanista, que, com certeza, não merece este título, que foi muito honrado pelos irmãos Vilas Boas.
O acontecido com nosso querido Gualdino só pode nos trazer revolta e dor. Não podia acontecer com ele e nem com os muitos mendigos que tem sido queimados neste triste Brasil. O pior de tudo, é não poder confiar na nossa justiça. O rapa citado, assassino de Galdino, é, ao que me lembre da notícia, enteado de gente da nossa alta Corte.
Parabéns Juscelino, parabéns, Azuir e à Diacui, por não permitirem que Galdino caia no esquecimento. Apenas mais um caso.
Abração, Ivette G M

Ivette G.M. · Cotia, SP 26/1/2009 17:47
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Juscelino Mendes
 

Ivette,
sensibilizado e contente com a sua narrativa interessante. Sua experiência certamente a tornou mais brasileira do que nunca. Enquanto os brasileiros não deixarem de copiar outras culturas, e buscar entender as suas origens, indígenas e negras, sofrerá as consequencias deleterias de suas atitudes
Um beijo e felicidades!

Juscelino Mendes · Campinas, SP 26/1/2009 17:57
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azuirfilho
 

Juscelino Mendes · Campinas (SP)
As chamas de almas mortas.
Amigo Poeta Juscelino Mendes.
Permita Humildemente participar com todo amor nesta Trabalho em Memória ao Indio Gandino Jesus dos Santos.
Permita mais do que nunca irmanar nossa Amizade no amor e no respeito ao martírio deste indio que é nosso mártir e herói.
Ficou linda a sua Poesia contra os bárbaros assassinos, onde um é filho de jUiz e todos sáo protegidos da Justica , esta que o deveria punir.
Com nosso repúdio cresce nossa Amizade baseada nos Heróis da nossa pátria táo cheia de gente que da a vida para que ela sejka mais digna e melhor para todos.
Parabéns Pelo Lindo Trabalho.
Abracáo Amigo

azuirfilho · Campinas, SP 26/1/2009 20:10
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valdezz
 

Juscelino, com seu belo texto
tira-nos o pretexto
da ignorancia e da comodidade
e nos desperta para a solidariedade

valdezz · Arraial do Cabo, RJ 31/1/2009 16:50
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joão Francisco Mantovanelli
 

Juscelino Querido, Mais uma ves lhe parabenizo pelo seu dom poeta em escrever sobre os acontecimentos de nosso cotidianoe transformar estes acontecimentos em poema para refletirmos, filosofarmos sobre o que é a vida humana!!!Parabéns por este Dom!!!Lhe desejo muito Sucesso e Paz. Um Abraço Afetuoso. João Francisco Mantovanelli-Americana-SP

joão Francisco Mantovanelli · Americana, SP 24/2/2009 02:45
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
Juscelino Mendes
 

Obrigado, João! Apareça sempre que puder. E coloque seus textos no over, que existe para revelar pessoas mesmo. Um abraço.

Juscelino Mendes · Campinas, SP 24/2/2009 23:59
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Cláudia Campello
 

aff !!! foi funnnnnnnnnndo,
coisa de poeta.......filosofo.
adorei.

bjsssssss;)

Cláudia Campello · Várzea Grande, MT 10/4/2009 04:39
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menina_flor
 

Olá,
Poesia forte e real. Transformar em versos um fato tão cruel é tarefa para poucos. E você fez isso com maestria. É um grito que deve ecoar pelos ares. É um desabafo. Um alerta.
Parabéns!
Com carinho,
Patty

menina_flor · Rio de Janeiro, RJ 11/4/2009 00:10
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Juscelino Mendes
 

Cláudia,
obrigado pela presença sempre. Bjs.

Juscelino Mendes · Campinas, SP 11/4/2009 00:17
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Juscelino Mendes
 

Patty,
brigado, querida, por suas palavras gentis e incentivadoras. Bjs.

Juscelino Mendes · Campinas, SP 11/4/2009 00:17
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Juscelino Mendes
 

Obrigado.

Juscelino Mendes · Campinas, SP 11/4/2009 00:18
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