- Você é Mestre?
- Mestre aposentado!" - menti, sem jeito. Não podia decepcionar àquela moça cujo olhar me fixava há algum tempo como a pedir socorro.
Conheci Alana na Roda de Capoeira de domingo, na Praça da República, em São Paulo. Alana andava ...para "espraicer", do acontecimento chato daquela manhã.
Dona Lúcia, moradora na Rua Alagoas, bairro de classe alta, em São Paulo, conheceu Alana na fila de caixas, no Shopping Higienópolis. Esposa de forte industrial e famoso "nefro", afeiçoou-se de Alana por mero olhar, ajudado pela "sobriedade como se porta", explicava ao marido e à própria Alana. e arrazoava:
- Também com a vida que tens, Alana, eu esqueceria todos os meus atropelos". E se dizia desejosa da vida da amiga.
Por uma série de razões e de apertos financeiros, Alana foi "desapertar" a um montão de adolescentes numa casa de encontros sexuais na região do Tatuapé/SP, de preço e jornada módicos, com estadia a partir de 30 minutos.
Lucia ia ao mercado como se advinhasse a ida de Alana. Naquele dia já lhe saúda contando do seu drama mais recente:
- Alana sou realmente o contrário de ti, vivo em conflito com as próprias entranhas. Os meus 2 filhos do primeiro casamento, criados pelos avós; os do atual, 4 e 6 anos mais novos, nunca foram aceitos pelos primeiros; e agora crescidos, dizem "odiarem-se mutuamente".
Alana mudou para a Santa Cecília, num kit, de bom tamanho e padrão médio, preço módico, (por não ter garagem), depois que os pais tendo aposentado, retornaram ao interior. Levaram os seus dois filhos, "até que... sabe Deus", disse-me olhando prós céus. Mora só. Uma vez por semana uma "moça", limpa a casa, lava e passa as roupas.
O Dr. Arthur, marido de Lúcia, no trabalho vive sempre as turras - ora com fornecedores; ora com clientes; e sempre com os empregados ou subordinados. Em casa, folheando revistas na busca dos elogios publicados. Os elogios são sua única satisfação. E momentânea.
Na empresa, ou no consultório, de quando em vez desce e fica horas a fio, "conversando frivolidades", (diz), com os motoqueiros, rapazes quase adolescentes. Um dia lhe convidaram:
- Dr vamos nas casas, na sexta? daqui vamos direto.
- Que casas? Quê?... vai ter festas? aniversário? de quém?" quis saber, em tom de pouco caso.
- "No puteiro doutor. Dr. o seu "stres" é falta duma sacanagem gostosa", lhe explicaram, falaram das ousadias das "minas", etc. "Oh! doutor 20 real, meia hora - uma mincharia".
De longe Alana avistou a Lúcia na porta do mercado. A esperava. Alana deu de pensar umas coisas, no momento veio:
- "Aquela mulher é sapatão", e agora?. Mas não podia desvencilhar-se da amizade. Afinal ela só era chata quando punha-se a falar mal do marido, sempre:
- "Desculpa como lhe falo, mas - é um grosso, um estúpido; vive correndo atrás de vender, vender e vender. Cobrar, cobrar e cobrar", no que Alana a interrompe.
- "E eu querendo parar de vender, parar de cobrar" disse no impulso, para remendar. " No modo de falar, eu faço promoção, e que promoção Lúcia!". Disse em tom de deboche.
- Naquele dia os boys levaram, logo cedo, "um pão" ao puteiro,
uns 45 anos, se muito. Levaram quase camuflado, para não ser reconhecido, o Dr. Gilberto, ia só por curiosidade.
(fazer o downland, da continuação.)
não deu tempo transcrever todo
Grande André!
Bela escrita. Grandiosa inspiração.
Parabéns!
Abçs. Benny.
Acabei de perguntar se vc é grão-mesre sem saber deste escrito.
Muito interessante o seu texto, André.
Um abraço.
Maravilha, André.
Mas quero ver a continuação.
Abraços de Betha.
Benny, meu poeta enorme, você é um gigante, deligente, obrigado pela passagem.
Andre Pessego · São Paulo, SP 27/7/2007 20:42Sergio, pois é, nós matutos, espécime quase em extinsão pelo urbanismo desembestado, sem pé nem cabeça, as vezes causamos boas impressões. Ainda bem, e aqui agente conta com a boa vontade de tantos, um abraço, andre
Andre Pessego · São Paulo, SP 27/7/2007 20:45
Betha do céu! não era pras meninas lerem estas coisas de "semvergonhice", é que não deixei aviso. Em fim, abrindo o tal do dowlonad, lá perto do caderninho ele vai mostrar,
bjes. e obrigado, andre
Bem, os 6 primeiros votos são meus... resta saber quando vou poder ler o texto todo. Mas o tema é muito interessante, apesar de V. não ter corrigido a falha logo no título. C'est la vie!
"NATO" AZEVEDO · Ananindeua, PA 27/7/2007 21:22
PESSOAL: Pra ler a continução é abrir o tal do
DOWLOAND, perto do caderninho, perto da
maquina fotografica.
André.
Texto excelente. Um passeio para os olhos.
Abraços
Noélio Mello
André,
Belo texto menino!
Um aBRAÇO, Marluce
Marluce, (primeiro as damas poeta), Noélio, que bom a passagem quase simuntânea destas duas inteligência personificadas, bondade extremadas. Sabe que é bom ve-los em desvelos por tantos que se lhes acorrem, um abraço, andre
Andre Pessego · São Paulo, SP 28/7/2007 10:05
falou Roda, praça da republica, lembrei de Mestre Ananias, nome de peso, certa vez ouvindo-o falar ( a redundância é que ele poderia estar cantando) sobre as cavalgaduras que invadiam a Roda da Praça, e uma delas ao sair parao jogo deu uma pésada no Berimbau de estimação dele, quebrando a cabaça!
A tristeza no falar denotava que não havia mais alegria no comanda-la nas tardes de domingo! Nas entrelinhas:
Estou frito na banha do periquito!
André, seu texto é muito bom. Parabéns mesmo!
Quem sabe um dia em consiga escrever tão bem assim....
Abração.
Gostei muito.
O que mais me comoveu foi a solidão de todos os personagens, a máscara, a ausência de amor.
Parece com a vida.
Excelente.
beijos
Pessoal, primeiro as Damas
Sara, obrigado pela passagem, obrigado pelo insentivo já esperdo - por incentivar-me. O elogio é assim agrada a quem recebe e agrada a quem o faz - no prazer de ter agradado.
Lucas, eu gosto de elogios dos meninos, das meninas - eles me alimentam a esperança duma Nação solidária, obrigado,
Marcos André, um risco dessa pena enche qualquer um de satisfação, obrigado mesmo quando Alana já tinha se recolhido,
andre
“...inveja não Lúcia. Todos trocamos de nomes, nos mascaramos. Todos, por ação ou indiferença, somos isto”. E concluiu ainda assim altiva - “quantos de nós têm medo da própria sombra”.
tão humano e tão belo..
Tacilda, Ana, muito bom receber visitas assim, estimulos, muito bom mesmo. obrigado, andre.
Andre Pessego · São Paulo, SP 2/8/2007 19:32
Mestre André,
aqui no Pantanal, sua personagem se "desapertaria" em corrutelas. Ótimo texto.
Prof. Frazão, é verdade em Gilbués e redondezas também, ao longo e ou às margens dos arruados tinham sempre as currutelas, e obrigado pela passagem, andre
Andre Pessego · São Paulo, SP 3/8/2007 18:16
Passei para votar e carimbar meu título (tss)
Texto muito bom me motivou a ir atraz de mais textos seus, espero continuar encontrando textos tão bons quanto este.
Parabéns
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