Eram três as filhas de Dona Franca, e cada uma tinha o nome mais exótico e complicado que a outra. Sendo assim, eram tratadas pelos apelidos. Deuza, a mais velha, era da brancura do pai português. Moça bonita, reservada, “grande alma”, diziam as irmãs, principalmente depois do casamento com um baiano rico, que terminou pobre pelo mesmo vício que o sogro: a jogatina. Lola era morena, faceira, vaidosa e namoradeira como a mãe. Tita era a mais nova das três e de todas a mais refinada. Lia muito, gostava de estudar, e desde pequena se destacou em tudo na escola.
Uma vez se inscrevera para uma bolsa de estudos – sua origem pobre não permitia que a mãe costureira lhe pagasse colégio particular, o que restringiria sua trajetória ao limite do que a escola pública oferecia naquele lugar – e na batalha pelo benefício tinha conquistado nota máxima. Mas era mulher, e: disparate! Mulheres não tinham preferência pela bolsa. Duas notas máximas, iguais, e a bolsa era do aluno. Homem. E ponto. Foi ali, segundo se lembrava, que tivera sua primeira crise depressiva.
A quarta das irmãs era de criação, e além dela Franca criara outras de sua mesma família de sangue. Tide – este era seu apelido – no entanto se irmanara de tal forma com essa sua segunda família que era como se fosse a mais nova entre elas. Engraçada, bem disposta, tinha horror a pobre. Primeiro por gostar de fazer chacota para as outras rirem, desde cedo adotara o bordão:
- Lola, não faz isso. Isso é coisa de pobre! – Repreendia a que mais se parecia com ela na cor, na idade e no temperamento. E depois, abrindo a expressão, desatava o saco de risadas.
Assim foram crescendo, as quatro, cinco, seis e depois sete. Dona Franca criou as suas três e além delas a Tide, e uma Maria, outra Marialva, Lenita, e por último, a mais nova de todas, Kátia. Em comum, as mais velhas tinham uma paixão indisfarçável. Era pelo irmão caçula. Moreno na cor, bonito, galante. Júri era seu nome. Quanto mais crescia mais apreciava três coisas: mulher, carros e jogo. Fosse baralho, sinuca, ou “rinhas” onde aconteciam brigas de galo com aposta em dinheiro, lá estava ele. Júri cresceu paparicado, como todo filho único. No caso, único homem, era mimado pela mãe e pelas irmãs. Fazia o tipo bom malandro, sem gosto algum por trabalho pesado, era muito vaidoso. Mas tinha a alma boa, isso ninguém negava. Falante e carismático caiu na graça do velho coronel da política local, Dr. Luziano, que o adotara como filho. Assim, logo começou a acompanhar as campanhas, pedir votos, e emendar os dias com a noite na farra com os poderosos da cidade. Entre todos os carros que conseguira comprar, e vender, voltava sempre que podia ao seu predileto: o belo e possante Maverick. Era possível vê-lo sempre pelas ruas da cidade trajando uma impecável calça de linho, camisa branca, chapéu na cabeça. Moças bonitas não faltavam ao seu lado.
Na mocidade as quatro filhas de Franca começaram a escrever seus destinos. Deuza queria sua casa, sonhava em ter seus filhos, e viu em Joaquim, um baiano construtor, a saída da casa da mãe. Foi com ele, casada como mandava o figurino, morar numa cidade distante 200 km da sua. Lá começou uma vida de abundância. O marido tinha fazenda, construía casas para vender e dava à mulher vida razoavelmente confortável.Logo vieram os filhos, e foram muitos. Homens e mulheres nascendo e se enfileirando na cozinha da mãe ao pé da porta.
(baixe o arquivo para terminar a leitura)
adorei a visita q vc me fez e gostei mais ainda de ter vindo aqui.
parabéns pela família franca!
bjs
Oi Natasha , obrigada pela sua visita. Continue acompanhando. bj!
Sebastião valeu a passagem.
Tacilda, obrigada pela leitura assídua. Bjo
Adorei este teu texto, Roberta. mEus sinceros aplausos.
carlos Magno.
Ô Roberta,
Baixei o arquivo, li até onde tem texto e, ou muito me engano, a história não se conclui.
Tá certo que a vida das pessoas não se encerra em ponto final ou the end, mas terá sido essa a proposta de tua boa história, deixar inclonclusa a trama?
Até aqui, gostei um tantão.
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