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As Luzias de Santa Rita

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Selma Dealdina · Vitória, ES
14/3/2009 · 86 · 5
 

Na sexta-feira passada 06/03, fui ao Hospital Santa Rita aqui em Vitória/ES, buscar o remédio para minha vizinha que se chama luzia, 60 anos e há três anos descobri um caroço no seio esquerdo, fez quimioterapia e a retirada do caroço. Mas até hoje ela toma os remédios que são doados pelo Ministério da Saúde (Se bem que não são doações e sim uma parte do retorno dos nossos milhares de impostos que pagamos aos governos durante toda nossa vida).
Mas o que deixou com uma sensação ruim que não é pena ou sei lá pode ser, foi ficar um pouco mais de 25 minutos na fila aguardando a chamada para apanhar os remédios. Passaram por mim neste curtíssimo espaço de tempo centenas de mulheres negras, brancas, altas, magras, algumas estilosas com seus lenços ou chapéus lindíssimos, outras tão simples, sem até mesmo ter o que comer quando volta pra casa, mas nas conversas de corredor algumas diziam que não sentiam fome quando fazem quimioterapia.
Mas o que mais me chamou a atenção foi uma mulher de 23 anos, casada há 05 meses que descobriu tardiamente que tem leucemia, e está na fase final, o marido de 24 anos apaixonado, e você via que não era olhar de pena e nem obrigação por acompanha-la na sessão, ele era seu apoio, seu braço e as vezes suas pernas, pois a pegava no colo levando de um lugar para o outro, e com um sorriso lindo no rosto e quando ela entrou para a sala ele enxugou suas lágrima e disse: - Estou aqui fora lhe aguardando, vou está aqui sempre, todas as vezes que você sair por aquela porta...
Não pude conter as lágrimas e comecei a me perguntar como seria se fosse comigo. Porque as vezes a gente passa por essa vida sem conhecer ou viver um grande amor e quando a gente encontra, porque não durar pra sempre? Procuramos pelo amor e ele está além das frases, está no respeito, na amizade, nos toques, no olhar e muitas vezes até no silêncio.
Quantas mulheres ficaram só ou foram abandonadas pelos companheiros quando descobriu a doença ou ficou sem um dos seios e a vergonha muitas vezes em ficar nua na frente do parceiro ou para qualquer outra pessoa.
Muitas mulheres solitárias que encontram na outra que está na mesma situação ou as vezes até pior força para enfrentar essa batalha.
Outras que não tiram por nada o sorriso tímido ou escancarado do rosto, porque viver vale apena e lutar pra viver muito mas, torna a luta pela vida como uma questão de honra. Não deixando-se abater por mais difícil que seja a batalha.
Usam a criatividade pintando o cabelo de rosa ou vermelho, ao renascer de uma quimioterapia, já orgulhosa por poder usar uma borracha para prendê-los, de voltar a usar um pente de novo; Os mais tecidos para os lenços ou exibir com orgulho e com a cabeça erguida.
As idas ao Hospital são mais do que visitar um parente, tornando-o como sua casa, e as amizades feitas nos corredores são as que tem pra sempre, dentro e fora do hospital. Elas dão não só exemplo de superação, nos dão lições de amor, respeito, dignidade e luta diária por continuarem vivas.
Não podemos fechar os olhos pro sistema de saúde, ainda falta tratar a população que depende do SUS com um pouco mais de humanidade, mulheres, homens e crianças. Tratar o próximo como seu semelhante.
Foi um choque dessa realidade que pintamos de rosa pra acreditar que estamos acima do bem e do mal, as vezes precisamos disso pra acordar, se conhecer e principamente aprender como lidar com as ondas que passam por nossas vidas.

Selma Dealdina

Sobre a obra

Como as mulheres com Câncer, lutam pela vida no Hospital Santa Rita.

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informações

Autoria
Selma Dealdina
Instituto Brasileiro de Museus -IBRAM
Monitora do Museu Solar Monjardim
Av. Paulino Muller, s/n - Jucutuquara - Vitória - ES
Fone. (27) 3223-6609
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anamineira
 

Triste é dar de cara com essa realidade, mesmo que seja com outras pessoas, mas lindo esse texto que gerou vários sentimentos para despertarmos de vez em quando e agradecermos a Deus por nossa vida saudável.
Abraços

anamineira · Alvinópolis, MG 11/3/2009 18:07
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Ilhandarilha
 

Selma, acho que é nessas situações limites que a gente se reconhece humano. A solidariedade entre pessoas que passam por uma mesma situação de risco é algo que nos engrandece, por isso a emoção que vem dai. Bonito o seu olhar.
beijos

Ilhandarilha · Vitória, ES 13/3/2009 19:31
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Cláudia Campello
 

Por isso gosto de ler todos os overmanos...
pela emoção que um bom texto proporciona,
como esse seu e essa frase que fica em mim:

"Procuramos pelo amor e ele está além das frases... "

bjsssssss;)

Cláudia Campello · Várzea Grande, MT 13/3/2009 19:49
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O NOVO POETA.(W.Marques).
 

um grande texto no sentido exato da palavra.votado.

O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca, SP 14/3/2009 08:31
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Selma Dealdina
 

Obrigada a todos e todas pelos comentários. Poderia ser comigo, com você, sua amiga...

Grata,
Selma/ES

Selma Dealdina · Vitória, ES 14/3/2009 19:26
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