Já não reconheço as ruas
quando meus passos percorrem a calçada antiga.
As pedras as mesmas, as mesmas árvores,
o sabiá e o lilás das campainhas.
Do velho armazém nada alterado
e em pé segue a casa do professor.
O céu anil do outubro na cidade
pinta de ares serenos a tarde.
Mas já não reconheço as ruas
quando piso meus passos pequenos
e respiro o concreto imponente e feio.
Quando vejo aquele homem na calçada
que dorme sobre nada e nada sonha
e aqueles que passam apressados indiferentes irados
e nada vêem.
Há alguns meses escrevi um poema sobre as ruas de Porto Alegre para a exposição de fotografias de um amigo que mora aí. O engraçado é que nunca estive na cidade e meu passeio se deu pelas lentes do artista. Teu poema me remeteu a esa lembrança. Aliás, um belíssimo poema, embora os dois últimos versos tenham quebrado um pouco o ritmo que se construiu nos anteriores.
Marcos Pontes · Eunápolis, BA 28/11/2008 15:03
Letícia, Salve!
Poema bucólico e romântico (bem superior aos que eu costumo procriar...), tal os beijos (latentes) enamorados que não
têm/terão o mesmo gosto - jamais!
Bjs.
Benny Franklin
Olha Letícia - eu gostei do poema
Sou suspeito porque sempre me seduz esse "modelo" social na visão de poetas ...
parabéns.
Letícia, é maravilhosos poder ler novamente seus poemas.
Neste, a beleza dos dias anntigos é conspurcada pela moderna cegueira dos homens modernos.
Gostei demais.
beijos
Obrigada a todos pelos comentários.
Caro Marcos, agradeço a observação que fazes quanto ao ritmo quebrado ao final; pensarei a respeito. Também gostaria de ler os poemas que escreveste sobre Porto Alegre!
Benny e Saramar, sempre generosos e tão carinhosos em suas avaliações: obrigada mais uma vez!
Ivan, agradeço a tua opinião e olhar sensível.
As ruas de minha cidade-exílio em tudo se assemelham às de Porto Alegre, malgrado não terem a poesia que tu encontras quando nos expões teu interior... O que tua visão aponta o teu coração complementa... Na tua escrita sentimos a nostalgia que se esvai por entre as placas de concreto no chão fincadas... Não são esses tenazes físicos que te causam essa dor: a ausência das coisas que o Tempo não traz mais é que te incomodam... Por vezes me vi assim... Evitava de olhar os espelhos... Não há respostas onde questões inexistem... Saudades,... Abraços...
Pepê Mattos · Macapá, AP 15/12/2008 18:08Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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