AS VERBORRAGIAS FOGEM PARA BOCA!

Tua folha na boca By NãoSouEuéaOutra/Maria Hernandez
1
Benny Franklin · Belém, PA
20/10/2008 · 118 · 10
 

Amostra do texto

I
Atropelo esse mundo sem glúteo
e um aguaceiro de carne
me rouba a palavra
e me arranca do cérebro a placenta do olhar,
é como a minha sânie de escrever,
que me expulsa do divã,
me subjuga, me humilha, me impõe o trajeto
da fuga e depois se esconde...

Mas.... será o verdadeiro diamante
composto do mesmo atoleiro,
da mesma geografia dos rostos
e do mesmo prazer?

II
Azedado
o poeta se desfaz do sexo das raparigas,
mistura a sua dor com o éter das madrugadas
e se entretém com o amarelecer dos cínicos frutos
para que não aconteça dos outros domingos
amanhecerem sem o cântico das cordilheirass...

Mas... estarão as outras segundas-feiras
a espera do embebedar dos deslembrados,
do fiapo do descanso
e a procura do soluço das cadeias?

III
As verborragias fogem para boca.
O vácuo as persegue.
Nem os prantos
irrequietos das lâminas obesas
quando alagam o mistério da sedução
conseguem engordurar a língua sitiada,
pois metáforas são e já não agradam
os elos da paixão.

IV
Solidão! Solidão!
Cede-me a tua camuflagem.
Desejo quebrar a algema da gaveta,
aguar nos olhos o ébano estrelado
e antes que o armagedom se aproxime do poema
salvemos as virgulas, as frases, entrerisos, retropassos..
Quem sabe assim apareça um porto de mel
onde possamos atracar o exame de consciência
que em pedaços se decompõe
no ácido da primavera
que conduzimos no bolso.

V
Oh! Fulgido clarão!
Perdera-se do luar o aperto de mão,
em coito sideral, recorrente,
voraz e impetuoso,
como uma eterna ejaculação,
suspensa na parreira...
Fugira-se pela garganta endêmica e pressurosa,
espraiando pelo pensamento
um poema inebriante
como imo de pênis ou fragrância de vagina!

VI
Ai! Poema!
Venero-te porque tua boca
sabe gritar rebeldia.

© Benny Franklin

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informações

Autoria
Benny Franklin
Ficha técnica
Poesias Bennyanas

Fotografia gentilmente cedida por "NãoSouEuéaOutra" pseudônimo da Artista plástica "Maria Hernandez". Endereço residencial: Lisboa-Portugal
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EdimoGinot
 

Benny

Poema em altos decibéis.
O grito necessário para as verborragias...
Legal mesmo.
Um abraço

EdimoGinot · Curitiba, PR 18/10/2008 12:30
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Compulsão Diária
 

Um poema assim tão bem dito é pra ser adorado

Compulsão Diária · São Paulo, SP 19/10/2008 09:04
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Cristiano Melo
 

Eita....adorei. Com suas palavras sempre cruas, vem em construções um tanto cândidas e reflexivas e explode em espadas delirantes, como é delirante este meu comentário...rs
Parabéns meu caro, e viva a verborragia de letras.
abraços

Cristiano Melo · Brasília, DF 19/10/2008 10:59
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EdimoGinot
 

EdimoGinot · Curitiba, PR 19/10/2008 13:25
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clara arruda
 

Meu querido poeta e amigo.Hoje é domingo e vim te ler.árabéns! Deixo meu destaque e meu carinho.

Azedado
o poeta se desfaz do sexo das raparigas,
mistura a sua dor com o éter das madrugadas
e se entretém com o amarelecer dos cínicos frutos
para que não aconteça dos outros domingos
amanhecerem sem o cântico das cordilheirass

clara arruda · Rio de Janeiro, RJ 19/10/2008 15:20
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O NOVO POETA.(W.Marques).
 

"eita" coisa bonita, parabéns.votado.

O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca, SP 20/10/2008 09:46
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Compulsão Diária
 

Compulsão Diária · São Paulo, SP 20/10/2008 12:35
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Falcão S.R
 

Benny

Nesse dia consagrado aos poetas, deixo meu abraço embevecido com sua obra sempre tão maravilhosa.

Abraços

Falcão S.R · Rio de Janeiro, RJ 20/10/2008 15:06
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Marluce Freire Nascasbez
 

Benny,


É uma boca assim, que faz a "mão" ficar boquiaberta!


Parabéns!


Um aBRAÇO poeta, Marluce

Marluce Freire Nascasbez · Carnaíba, PE 20/10/2008 21:29
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Marcos Pontes
 

Tua paixão pelas palavras se espalha em tua obra.
Ontem andei caçando os poetas paraenses, algo me incomodava. depois de reler Ruy Barata, amigo dos tempos do Adega do Rei, Max Martins, quem me apresentou a poesia belemita, Benedito "Bené" Nunes e mais alguns, descobri o que me rebuscava por dentro quando te leio: o sotaque. Vocês, os grandes poetas paraenses, têm uma sofreguidão surpreendente no uso das palavras, algo próprio de que talvez não tenham se dado conta. Algo próprio, fantástico.

Marcos Pontes · Eunápolis, BA 20/10/2008 23:02
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