Depois do episódio em que quase morrera nas mãos de uma misteriosa forma de vida, as coisas na nave estavam transcorrendo na normalidade até que um novo e inesperado incidente surgiu. Nós tínhamos a bordo a população de uma pequena cidade e isso às vezes poderia criar certas dificuldades. Ao todo tínhamos habitantes de 4 planetas diferentes incluindo Nova Terra. Poderíamos prever algumas dificuldades, mas nada parecido com o que sucederia. – Comandante! Temos um grave problema a bordo! A voz era do chefe de manutenção dos alojamentos e pelo tom a coisa deveria ser séria. – O que foi? Fale! – Temos uma menina morta! Estuprada e assassinada. – Ok! Estou indo. A notícia me deixou estupefato. Este não era o tipo de problema que eu deveria ter que enfrentar. Desloquei-me até o quarto onde se encontrava o corpo. Ela estava estirada sobre a cama, o rosto desfigurado e havia ao seu redor uma poça de sangue. Fora brutalmente espancada e esfaqueada até a morte. Ninguém ouvira nada ou suspeitara de algum acontecimento estranho. As marcas de abuso sexual eram evidentes. – Quem a viu por último? – Senhor! O Malic esteve com ela na boate ontem a noite, mas apenas, segundo ele, a acompanhou até o quarto e despediu-se. Falou que não chegaram a um acordo e ele voltou para a boate. – Quem é esse Malic? – É um piloto de Anul. – Vá buscá-lo! Quero falar com ele. Chame também o garçom do local, quero conversar com ele também. Malic era um homem ainda jovem e um piloto competente. – Você viu ou sentiu alguma coisa nela que pudesse dar alguma pista? – Não senhor, bebemos e dançamos um pouco, ela estava muito alegre e apenas a deixei em seus aposentos pois foi apenas um encontro de amigos. Não rolou nada. O garçom apenas lembrava tê-la visto com um ou outro, mas, não lembrava das fisionomias e apenas os vira se divertindo, nada que pudesse esclarecer alguma coisa. – Está bem! Falei. – Agora, me deixem só. Quero pensar um pouco. Na verdade eu queria tentar um contato, como o que tivera com minha mãe, no período em que esteve morta Mas tal como ocorreu naquela vez, eu dependia de que ela estivesse a fim de tentar um contato. Provavelmente ainda estava sem saber que estava morta e isso levaria algum tempo. Wihki era uma garota muito bonita e certamente muito assediada. Virei-me e havia uma garota parada a porta do quarto. Tinha lágrimas nos olhos e balançava a cabeça, parecendo não acreditar no que via. – Desculpe! Falou eu e Wikhi éramos muito amigas e eu não entendo quem poderia ter feito isso. – Tudo bem! Falei. – Sabe de seu último relacionamento? – Sim! Ela ficou um tempo com o Marco, mas ele era muito ciumento, pegava muito no pé dela e aí ela acabou tudo. – Quem era esse Marco? – Era um piloto de Nova Terra. - Sabe se ele está a bordo? – Creio que não! Parece que ele queria largar a profissão e dedicar-se a mecânica. E se estivesse a bordo ele ficaria dando em cima dela. Então eu saberia, ela me contava tudo. – Veja! A porta não foi arrombada, ou ela o colocou para dentro, ou ele possuía uma cópia do cartão. – Sei! Mas, ela não falou nada sobre isso. – Está bem, por enquanto, obrigado. Como é seu nome? – Eddy, por quê? - Só pra saber! Pode ir agora. – Maiha! – Pois não! – Mande o serviço médico, quero uma autópsia logo. - Fiquei ainda ali enquanto a perícia fazia seu trabalho e depois voltei para a sala de comando. Precisava relatar ao Adan o que acabara de acontecer. Obviamente o assassino estava a bordo e talvez Adan 7 pudesse ver alguma coisa como fizera pela época da morte de kelly 2. – Fale meu comandante! Você está com problemas? – Sim! Narrei a ele tudo o que acontecera e esperava que ele pudesse ajudar – Não! Meu comandante lembre-se daquela vez seu pai me guiou até os acontecimentos e eu dependia da mente dele e do que ele sabia. Ele conhecia a vítima e o possível local. Esta você vai ter que resolver. Bem, restava investigar. Os quartos não possuíam câmeras de segurança e as dos corredores não registraram nada anormal, apenas o vai e vem normal de garotas entrando e saindo dos quartos ou transitando pelos corredores. Marco, não estava na nave, apesar de suspeito, dependeria de que alguém que executasse o serviço por ele. Mas quem cometera o crime, tinha acesso aos aposentos ou foi colocado pra dentro pela própria vítima. Mas quem? – Comandante! Temos outra vítima! Era Haroni o responsável pelas investigações. – Onde agora? – Na biblioteca. Mas esta ainda está viva e estamos levando para a emergência. – Ok! Faça tudo o que puder. Já estou indo. Cheguei a emergência e a garota estava na mesa de cirurgia. Pelo visor eu reconheci Hatenna, a sorridente Anulana que trabalhava na sala de comando. Naquele dia estava de folga. Fora atacada e atingida por um forte golpe de faca quase no coração. Estava em coma e os médicos lutavam para mantê-la viva. Será que Hatenna seria a próxima vítima? Mas porque na biblioteca? Ela deveria saber de algo, por isso fora atacada. Restava esperar que se recuperasse. A autópsia indicava que Wihki antes de morrer, havia ingerido uma dose exagerada de calmante. Mas havia algo errado. A autópsia não encontrara sinais de esperma. Então os sinais de violência sexual pareciam mais um ato de vingança e não causada por uma relação forçada. Eram 3 h da manhã e Hatenna havia vencido o estado de coma, mas ainda delirava e dizia coisas sem nexo. Eu já ia saindo, quando me pareceu ouvir bem claro, “machorra desgraçada”. Voltei e tentei contato com Hattenna, mas ela continuava delirando. Isso poderia ou não significar algo? Pessoas delirando misturam as coisas. Decidi então voltar ao quarto de Wihki. A porta estava entreaberta. – Haroni! Chamei. – Sim! – A porta do quarto da vítima não deveria estar fechada? – Sim, eu mesmo fechei. – Ok! Nosso assassino esteve por aqui. Venha para cá enquanto dou uma olhada. Wihki era muito organizada e o ambiente era limpo e bem cuidado. O conteúdo das gavetas era todo ajeitado de forma que ficasse fácil encontrar alguma coisa embora eu não soubesse o que procurar. Haroni chegou e me ajudava a procurar alguma pista. Lembrei da lixeira que ficava embutida no armário e ao revirar o lixo deparei com algo duro enrolado em um lenço. Era uma caixa contendo um anel. Estava quebrado mas dava para ler algo no fundo da caixa. - Haroni! Eddy! Mande prende-la já! – Ok! Então neste momento um vulto saiu a toda de dentro do banheiro. Não tivemos tempo de ver quem era. Saímos corredor a fora, mas, já havia sumido. Pelo jeito era bastante veloz. – Ok! Comandante vou dar o sinal de alarma e mandar prende-la. Entreguei a caixinha com a jóia ao Haroni e saí. Estava andando em direção a sala de comando quando a voz de Maiha chegou aos meus ouvidos. – Cuidado, ela tomou Iub como refém e está armada. Claro que estávamos nos comunicando telepaticamente. – Não faça nada. Ganhe tempo. Pergunte o que ela quer. – Já sei! Não demore. Agora seria fácil. Tratei de me colocar no espaço-tempo contíguo em beta e entrei pela sala de comando. Desta forma estava invisível. Ela estava com Iub presa pelo pescoço e tinha uma faca encostada em sua garganta. – Olha! Eu quero uma nave e quero sair daqui em segurança. A Iub vai comigo! – Espere! Disse Maiha. Leve-me no lugar dela. – Pra mim tanto faz. Dizendo isso, largou Iub que saiu às pressas ainda esfregando o pescoço. Maiha então se deixou agarrar, mas era uma mulher experiente e sabia que eu estava bem próximo então deu com o cotovelo na altura do peito da agressora que a soltou por um momento. O suficiente para que eu a imobilizasse fazendo com que a faca caísse ao chão. - Ela ainda tentou reagir, mas não conseguiria. Haroni entrou e a algemou. - Porque você a matou? Perguntei. – Porque ela me deixou por aquele porco do tal de Marco. - E a Hatenna? Porque tentou mata-la também? – Porque ela sabia! Ela era muito amiga da Wihki e ia acabar dando nos dentes. - Ela sabia que você matou a Wikhi? – Não! Isso não! Mas ela sabia que eu odiava o Marco e não iria perdoar a Wikhi. – Ok! Certamente ela teria ajudado a chegarmos até você. Bem, de certa forma ajudou. Você sabe que cometeu um crime e acaba de confessá-lo. Você sabe também qual é o castigo. – Sei! Mas, não importa mais. Eu estou pronta. – OK! Amanhã pela manhã eu serei obrigado pela autoridade que me compete a pronunciar sua sentença. – Eu sei! Vocês me darão uma injeção e depois me lançarão no espaço. Posso pedir uma ultima coisa? – Sim! Fale. – Quero ir sem tomar a injeção! – Mas por quê? Você vai sofrer terrivelmente quando ficar sem ar pra respirar. – Não faz mal. Tenho medo de injeção! - Está certo.
- Como deduziu que era ela? Perguntou Maiha. – Bem, na caixinha da jóia estava escrito no fundo, “De Eddy para”. O resto não dava pra ler, mas liguei com a frase pronunciada por Hatenna. “ machorra desgraçada”. Daí foi fácil deduzir o resto. Ela estava lá tentando provavelmente encontrar a caixinha com a jóia. Quando falei ao Haroni para que a prendesse, ela se viu perdida e aí, bem o resto você sabe. Na manhã seguinte, à hora marcada, na presença de toda a tripulação, li a sentença e autorizei a execução. Ela então, como havia pedido, deitou-se na urna mortuária. A tampa foi lacrada e ela foi lançada ao espaço. Era a lei. Os Xkarpanos não aceitam crimes de morte. Em terra ela teria sido executada apenas com a injeção letal. Voltamos a nossos afazeres, ainda tínhamos um longo caminho pela frente. Iub, agora mais calma ainda estava triste. – Saber? Em meu país não ter isso de machona! – Sei! Mas eu também pensava que só na terra tinha disso. O ser humano é o mesmo em qualquer lugar, tem lá suas fraquezas e suas opções diferentes. O problema é quando isso vira motivo para matar. – Salve meu comandante! Era o Adan, me cumprimentando pelo desfecho do caso e pela minha atuação como detetive. Eu ainda tinha dúvidas sobre o que Adan dissera quando lhe pedi ajuda. Será que ele não podia mesmo? Ou sabia de tudo como sempre e apenas estava me testando mais uma vez? Dias depois Hatenna, sorridente tomou seu lugar na sala de comando. – Chefe! Pensei que ia mesmo morrer. Quase que ela me pegou. – É bom tê-la de volta, recuperada e pronta para trabalhar. Já estávamos com saudades desse seu sorriso. Vamos lá que temos muito que fazer.
2040 -8
Nós tínhamos a bordo a população de uma pequena cidade e isso às vezes poderia criar certas dificuldades. Ao todo tínhamos habitantes de 4 planetas diferentes incluindo Nova Terra. Poderíamos prever algumas dificuldades, mas nada parecido com o que sucederia.
LAURO WINCK · Rio Pardo (RS)
ASSASSINATO A BORDO
Uma trama de mistério emocionante com belo desenvolvimento e resolução da questão.
Boa de ler por esta bem situada num tema atraente de um universo de vida desenvolvida e espacial.
Parabéns muito admir[avel como sempre.
Abração Amigo.
Frases curtas e cheias de expectativa. É interessante a maneira que você escreve, numa linguagem simples, objetiva, mas que atrai a curiosidade de um desfecho em cada pequena etapa. Toda história descrita desta forma se torna prazeirosa, dá a impressão de que sempre estamos no início da leitura e quando termina, fica a sensação de continuidade ou um desejo de ler mais... Você escreve outros estilos? Como romance, por exemplo? Meus parabénsssss!
Eliana Pontes · Florianópolis, SC 25/9/2009 11:29texto bom sempre bom querido amigo da escrita, abraçosssss
O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca, SP 25/9/2009 12:51
Mto show Lauro.....um texto viajante!
sua imaginaçao é rica e a forma como tem escrito
mto aprimorada, perfeita e deliciosamente envolvente.
quero mais!!!
bjsssss;
Mestre Azuir, obrigado!
abçs
Eliana, estou pensando em algo sobre romances. Talvez em breve!
bjs
Novo poeta obrigado!
abçs
Claudinha, já tem masi, aguarde!
bjs
Mais uma obra de qualidade.
obrigado
kfarias.
Gente,
O Lauro sempre surpreende e sabe envovler o leitor na sua aventura literária.
Parabenizo-o pelo grande em empenho e pela criatividade de seus textos.
Escrever é isso.
Um grande abraço.
Bruno Resende Ramos
Querido Lauro! estou sempre a bordo contigo, vibrando a cada capítulo. Votado
Baci da Mamma
como a eliane eu tb gostaria de ver um romence
estou no aguarde
Querido amigo Lauro - um conto de tirar o folego! Que intriga! Até nas naves - cidades - acontecem fatos que teoricamente seriam impossiveis. Mas quem disse que muita gente reunida é previsível?
Uma assassina com medo de injeção...
Hum..sei não.
Adorei!
Bjos
Patty
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