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ASSASSINATO A BORDO

Lauro Winck
1
LAURO WINCK · Rio Pardo, RS
25/9/2009 · 14 · 11
 

Depois do episódio em que quase morrera nas mãos de uma misteriosa forma de vida, as coisas na nave estavam transcorrendo na normalidade até que um novo e inesperado incidente surgiu. Nós tínhamos a bordo a população de uma pequena cidade e isso às vezes poderia criar certas dificuldades. Ao todo tínhamos habitantes de 4 planetas diferentes incluindo Nova Terra. Poderíamos prever algumas dificuldades, mas nada parecido com o que sucederia. – Comandante! Temos um grave problema a bordo! A voz era do chefe de manutenção dos alojamentos e pelo tom a coisa deveria ser séria. – O que foi? Fale! – Temos uma menina morta! Estuprada e assassinada. – Ok! Estou indo. A notícia me deixou estupefato. Este não era o tipo de problema que eu deveria ter que enfrentar. Desloquei-me até o quarto onde se encontrava o corpo. Ela estava estirada sobre a cama, o rosto desfigurado e havia ao seu redor uma poça de sangue. Fora brutalmente espancada e esfaqueada até a morte. Ninguém ouvira nada ou suspeitara de algum acontecimento estranho. As marcas de abuso sexual eram evidentes. – Quem a viu por último? – Senhor! O Malic esteve com ela na boate ontem a noite, mas apenas, segundo ele, a acompanhou até o quarto e despediu-se. Falou que não chegaram a um acordo e ele voltou para a boate. – Quem é esse Malic? – É um piloto de Anul. – Vá buscá-lo! Quero falar com ele. Chame também o garçom do local, quero conversar com ele também. Malic era um homem ainda jovem e um piloto competente. – Você viu ou sentiu alguma coisa nela que pudesse dar alguma pista? – Não senhor, bebemos e dançamos um pouco, ela estava muito alegre e apenas a deixei em seus aposentos pois foi apenas um encontro de amigos. Não rolou nada. O garçom apenas lembrava tê-la visto com um ou outro, mas, não lembrava das fisionomias e apenas os vira se divertindo, nada que pudesse esclarecer alguma coisa. – Está bem! Falei. – Agora, me deixem só. Quero pensar um pouco. Na verdade eu queria tentar um contato, como o que tivera com minha mãe, no período em que esteve morta Mas tal como ocorreu naquela vez, eu dependia de que ela estivesse a fim de tentar um contato. Provavelmente ainda estava sem saber que estava morta e isso levaria algum tempo. Wihki era uma garota muito bonita e certamente muito assediada. Virei-me e havia uma garota parada a porta do quarto. Tinha lágrimas nos olhos e balançava a cabeça, parecendo não acreditar no que via. – Desculpe! Falou eu e Wikhi éramos muito amigas e eu não entendo quem poderia ter feito isso. – Tudo bem! Falei. – Sabe de seu último relacionamento? – Sim! Ela ficou um tempo com o Marco, mas ele era muito ciumento, pegava muito no pé dela e aí ela acabou tudo. – Quem era esse Marco? – Era um piloto de Nova Terra. - Sabe se ele está a bordo? – Creio que não! Parece que ele queria largar a profissão e dedicar-se a mecânica. E se estivesse a bordo ele ficaria dando em cima dela. Então eu saberia, ela me contava tudo. – Veja! A porta não foi arrombada, ou ela o colocou para dentro, ou ele possuía uma cópia do cartão. – Sei! Mas, ela não falou nada sobre isso. – Está bem, por enquanto, obrigado. Como é seu nome? – Eddy, por quê? - Só pra saber! Pode ir agora. – Maiha! – Pois não! – Mande o serviço médico, quero uma autópsia logo. - Fiquei ainda ali enquanto a perícia fazia seu trabalho e depois voltei para a sala de comando. Precisava relatar ao Adan o que acabara de acontecer. Obviamente o assassino estava a bordo e talvez Adan 7 pudesse ver alguma coisa como fizera pela época da morte de kelly 2. – Fale meu comandante! Você está com problemas? – Sim! Narrei a ele tudo o que acontecera e esperava que ele pudesse ajudar – Não! Meu comandante lembre-se daquela vez seu pai me guiou até os acontecimentos e eu dependia da mente dele e do que ele sabia. Ele conhecia a vítima e o possível local. Esta você vai ter que resolver. Bem, restava investigar. Os quartos não possuíam câmeras de segurança e as dos corredores não registraram nada anormal, apenas o vai e vem normal de garotas entrando e saindo dos quartos ou transitando pelos corredores. Marco, não estava na nave, apesar de suspeito, dependeria de que alguém que executasse o serviço por ele. Mas quem cometera o crime, tinha acesso aos aposentos ou foi colocado pra dentro pela própria vítima. Mas quem? – Comandante! Temos outra vítima! Era Haroni o responsável pelas investigações. – Onde agora? – Na biblioteca. Mas esta ainda está viva e estamos levando para a emergência. – Ok! Faça tudo o que puder. Já estou indo. Cheguei a emergência e a garota estava na mesa de cirurgia. Pelo visor eu reconheci Hatenna, a sorridente Anulana que trabalhava na sala de comando. Naquele dia estava de folga. Fora atacada e atingida por um forte golpe de faca quase no coração. Estava em coma e os médicos lutavam para mantê-la viva. Será que Hatenna seria a próxima vítima? Mas porque na biblioteca? Ela deveria saber de algo, por isso fora atacada. Restava esperar que se recuperasse. A autópsia indicava que Wihki antes de morrer, havia ingerido uma dose exagerada de calmante. Mas havia algo errado. A autópsia não encontrara sinais de esperma. Então os sinais de violência sexual pareciam mais um ato de vingança e não causada por uma relação forçada. Eram 3 h da manhã e Hatenna havia vencido o estado de coma, mas ainda delirava e dizia coisas sem nexo. Eu já ia saindo, quando me pareceu ouvir bem claro, “machorra desgraçada”. Voltei e tentei contato com Hattenna, mas ela continuava delirando. Isso poderia ou não significar algo? Pessoas delirando misturam as coisas. Decidi então voltar ao quarto de Wihki. A porta estava entreaberta. – Haroni! Chamei. – Sim! – A porta do quarto da vítima não deveria estar fechada? – Sim, eu mesmo fechei. – Ok! Nosso assassino esteve por aqui. Venha para cá enquanto dou uma olhada. Wihki era muito organizada e o ambiente era limpo e bem cuidado. O conteúdo das gavetas era todo ajeitado de forma que ficasse fácil encontrar alguma coisa embora eu não soubesse o que procurar. Haroni chegou e me ajudava a procurar alguma pista. Lembrei da lixeira que ficava embutida no armário e ao revirar o lixo deparei com algo duro enrolado em um lenço. Era uma caixa contendo um anel. Estava quebrado mas dava para ler algo no fundo da caixa. - Haroni! Eddy! Mande prende-la já! – Ok! Então neste momento um vulto saiu a toda de dentro do banheiro. Não tivemos tempo de ver quem era. Saímos corredor a fora, mas, já havia sumido. Pelo jeito era bastante veloz. – Ok! Comandante vou dar o sinal de alarma e mandar prende-la. Entreguei a caixinha com a jóia ao Haroni e saí. Estava andando em direção a sala de comando quando a voz de Maiha chegou aos meus ouvidos. – Cuidado, ela tomou Iub como refém e está armada. Claro que estávamos nos comunicando telepaticamente. – Não faça nada. Ganhe tempo. Pergunte o que ela quer. – Já sei! Não demore. Agora seria fácil. Tratei de me colocar no espaço-tempo contíguo em beta e entrei pela sala de comando. Desta forma estava invisível. Ela estava com Iub presa pelo pescoço e tinha uma faca encostada em sua garganta. – Olha! Eu quero uma nave e quero sair daqui em segurança. A Iub vai comigo! – Espere! Disse Maiha. Leve-me no lugar dela. – Pra mim tanto faz. Dizendo isso, largou Iub que saiu às pressas ainda esfregando o pescoço. Maiha então se deixou agarrar, mas era uma mulher experiente e sabia que eu estava bem próximo então deu com o cotovelo na altura do peito da agressora que a soltou por um momento. O suficiente para que eu a imobilizasse fazendo com que a faca caísse ao chão. - Ela ainda tentou reagir, mas não conseguiria. Haroni entrou e a algemou. - Porque você a matou? Perguntei. – Porque ela me deixou por aquele porco do tal de Marco. - E a Hatenna? Porque tentou mata-la também? – Porque ela sabia! Ela era muito amiga da Wihki e ia acabar dando nos dentes. - Ela sabia que você matou a Wikhi? – Não! Isso não! Mas ela sabia que eu odiava o Marco e não iria perdoar a Wikhi. – Ok! Certamente ela teria ajudado a chegarmos até você. Bem, de certa forma ajudou. Você sabe que cometeu um crime e acaba de confessá-lo. Você sabe também qual é o castigo. – Sei! Mas, não importa mais. Eu estou pronta. – OK! Amanhã pela manhã eu serei obrigado pela autoridade que me compete a pronunciar sua sentença. – Eu sei! Vocês me darão uma injeção e depois me lançarão no espaço. Posso pedir uma ultima coisa? – Sim! Fale. – Quero ir sem tomar a injeção! – Mas por quê? Você vai sofrer terrivelmente quando ficar sem ar pra respirar. – Não faz mal. Tenho medo de injeção! - Está certo.
- Como deduziu que era ela? Perguntou Maiha. – Bem, na caixinha da jóia estava escrito no fundo, “De Eddy para”. O resto não dava pra ler, mas liguei com a frase pronunciada por Hatenna. “ machorra desgraçada”. Daí foi fácil deduzir o resto. Ela estava lá tentando provavelmente encontrar a caixinha com a jóia. Quando falei ao Haroni para que a prendesse, ela se viu perdida e aí, bem o resto você sabe. Na manhã seguinte, à hora marcada, na presença de toda a tripulação, li a sentença e autorizei a execução. Ela então, como havia pedido, deitou-se na urna mortuária. A tampa foi lacrada e ela foi lançada ao espaço. Era a lei. Os Xkarpanos não aceitam crimes de morte. Em terra ela teria sido executada apenas com a injeção letal. Voltamos a nossos afazeres, ainda tínhamos um longo caminho pela frente. Iub, agora mais calma ainda estava triste. – Saber? Em meu país não ter isso de machona! – Sei! Mas eu também pensava que só na terra tinha disso. O ser humano é o mesmo em qualquer lugar, tem lá suas fraquezas e suas opções diferentes. O problema é quando isso vira motivo para matar. – Salve meu comandante! Era o Adan, me cumprimentando pelo desfecho do caso e pela minha atuação como detetive. Eu ainda tinha dúvidas sobre o que Adan dissera quando lhe pedi ajuda. Será que ele não podia mesmo? Ou sabia de tudo como sempre e apenas estava me testando mais uma vez? Dias depois Hatenna, sorridente tomou seu lugar na sala de comando. – Chefe! Pensei que ia mesmo morrer. Quase que ela me pegou. – É bom tê-la de volta, recuperada e pronta para trabalhar. Já estávamos com saudades desse seu sorriso. Vamos lá que temos muito que fazer.
2040 -8

Sobre a obra

Nós tínhamos a bordo a população de uma pequena cidade e isso às vezes poderia criar certas dificuldades. Ao todo tínhamos habitantes de 4 planetas diferentes incluindo Nova Terra. Poderíamos prever algumas dificuldades, mas nada parecido com o que sucederia.

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Autoria
Lauro Winck
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azuirfilho
 

LAURO WINCK · Rio Pardo (RS)
ASSASSINATO A BORDO

Uma trama de mistério emocionante com belo desenvolvimento e resolução da questão.
Boa de ler por esta bem situada num tema atraente de um universo de vida desenvolvida e espacial.
Parabéns muito admir[avel como sempre.
Abração Amigo.

azuirfilho · Campinas, SP 25/9/2009 10:51
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Eliana Pontes
 

Frases curtas e cheias de expectativa. É interessante a maneira que você escreve, numa linguagem simples, objetiva, mas que atrai a curiosidade de um desfecho em cada pequena etapa. Toda história descrita desta forma se torna prazeirosa, dá a impressão de que sempre estamos no início da leitura e quando termina, fica a sensação de continuidade ou um desejo de ler mais... Você escreve outros estilos? Como romance, por exemplo? Meus parabénsssss!

Eliana Pontes · Florianópolis, SC 25/9/2009 11:29
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O NOVO POETA.(W.Marques).
 

texto bom sempre bom querido amigo da escrita, abraçosssss

O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca, SP 25/9/2009 12:51
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
Cláudia Campello
 

Mto show Lauro.....um texto viajante!
sua imaginaçao é rica e a forma como tem escrito
mto aprimorada, perfeita e deliciosamente envolvente.

quero mais!!!

bjsssss;

Cláudia Campello · Várzea Grande, MT 25/9/2009 13:45
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LAURO WINCK
 

Mestre Azuir, obrigado!
abçs
Eliana, estou pensando em algo sobre romances. Talvez em breve!
bjs

Novo poeta obrigado!
abçs
Claudinha, já tem masi, aguarde!
bjs

LAURO WINCK · Rio Pardo, RS 25/9/2009 14:30
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kfarias
 

Mais uma obra de qualidade.
obrigado
kfarias.

kfarias · Águas de Lindóia, SP 25/9/2009 18:48
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Bruno Resende Ramos
 

Gente,
O Lauro sempre surpreende e sabe envovler o leitor na sua aventura literária.
Parabenizo-o pelo grande em empenho e pela criatividade de seus textos.
Escrever é isso.
Um grande abraço.

Bruno Resende Ramos

Bruno Resende Ramos · Viçosa, MG 25/9/2009 22:02
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Greta Marcon
 

Querido Lauro! estou sempre a bordo contigo, vibrando a cada capítulo. Votado
Baci da Mamma

Greta Marcon · Ponte Nova, MG 26/9/2009 00:20
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raphaelreys
 

Beleza de postado meu caro overmano!

raphaelreys · Montes Claros, MG 26/9/2009 10:52
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Greyce Kelly Cruz
 

como a eliane eu tb gostaria de ver um romence
estou no aguarde

Greyce Kelly Cruz · São Luís, MA 27/9/2009 12:35
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menina_flor
 

Querido amigo Lauro - um conto de tirar o folego! Que intriga! Até nas naves - cidades - acontecem fatos que teoricamente seriam impossiveis. Mas quem disse que muita gente reunida é previsível?
Uma assassina com medo de injeção...
Hum..sei não.
Adorei!

Bjos
Patty

menina_flor · Rio de Janeiro, RJ 30/9/2009 12:39
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