Numa manhã, na qual, devido a posição do papel sobre a escrivaninha, o sol incidia diretamente nas palavras, todas acordaram com aquela claridade que lhes feria os olhos. Qual não foi a surpresa quando todas as palavras, saindo das suas respectivas páginas e linhas, acordaram e viram o papel todo manchado de sangue.
Curiosas seguiram em direção contrária aos filetes de sangue. Ao virarem a página espantaram-se com a cena:
Viram a palavra faca enterrada na palavra coração.
Rapidamente a palavra médico se valeu da palavra torniquete tentando remediar a situação. Infelizmente todos os esforços foram em vão. A palavra sangue se esvaíra toda.Logo a palavra curiosidade levantou a questão:
- Quem será o assassino?
Todas entreolharam-se espantadas. A confusão estava armada. A palavra ordem se manifestou e controlou a bagunça. Após o tumulto a palavra investigação, se valendo da sua experiência, assumiu o caso.
Fez uma lista dos principais suspeitos:
• Crime;
• Ira;
• Vingança;
• Assassínio;
• Mão;
• Premeditação;
• Intenção;
• Culpa.
Longos interrogatórios foram feitos. Todos os suspeitos deram seus depoimentos.
A palavra crime disse que nunca andara por estes poemas.
A palavra ira disse que estivera em algumas poesias, mas nunca topara com a palavra coração.
A palavra vingança falou o mesmo que a palavra crime e apresentou várias poesias como prova.
A palavra assassínio disse que apesar do neologismo poemicídio ser o nome de uma poesia do poeta ela, assassínio, nunca estivera em texto algum.
A palavra mão escrevera várias poesias, mas não viu nada.
As palavras premeditação, culpa e intenção disseram que o poeta nunca as colocara em prática.
Ao fim do último interrogatório a palavra investigação deu um sorriso cínico olhou para a palavra assistente e exclamou:
- Peguei o assassino!
Todas as palavras foram convocadas para uma reunião. Na hora marcada todas se encontraram no local da reunião, este conto.
Um ar de desconfiança pairava. Por último, chegou a palavra investigação. A palavra curiosidade novamente interpelou:
- Então, quem foi?
A palavra investigação se dirigiu à última linha deste texto e exclamou com total convicção:
- Foi o poeta!
Sergio...excelente...Conclusão dez...
bjus
Sérgio,
Uma grande sacada: belíssimo o teu texto!
Abraços, flores, estrelas..
http://mude.blogspot.com
.
Intrigante, no mínino! rs
Parabéns! Teu texto é sagaz!
Abraços!
Gostei demais do teu poema, amigo Sergio. Muito criativo e a leitura é agradabilíssima. Meus sinceros aplausos e abraços.
Carlos Magno.
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