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Assasssinato na poesia

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Sérgio Filho · Brasília, DF
24/11/2007 · 84 · 5
 

Numa manhã, na qual, devido a posição do papel sobre a escrivaninha, o sol incidia diretamente nas palavras, todas acordaram com aquela claridade que lhes feria os olhos. Qual não foi a surpresa quando todas as palavras, saindo das suas respectivas páginas e linhas, acordaram e viram o papel todo manchado de sangue.
Curiosas seguiram em direção contrária aos filetes de sangue. Ao virarem a página espantaram-se com a cena:
Viram a palavra faca enterrada na palavra coração.

Rapidamente a palavra médico se valeu da palavra torniquete tentando remediar a situação. Infelizmente todos os esforços foram em vão. A palavra sangue se esvaíra toda.Logo a palavra curiosidade levantou a questão:
- Quem será o assassino?

Todas entreolharam-se espantadas. A confusão estava armada. A palavra ordem se manifestou e controlou a bagunça. Após o tumulto a palavra investigação, se valendo da sua experiência, assumiu o caso.
Fez uma lista dos principais suspeitos:
• Crime;
• Ira;
• Vingança;
• Assassínio;
• Mão;
• Premeditação;
• Intenção;
• Culpa.

Longos interrogatórios foram feitos. Todos os suspeitos deram seus depoimentos.

A palavra crime disse que nunca andara por estes poemas.

A palavra ira disse que estivera em algumas poesias, mas nunca topara com a palavra coração.

A palavra vingança falou o mesmo que a palavra crime e apresentou várias poesias como prova.

A palavra assassínio disse que apesar do neologismo poemicídio ser o nome de uma poesia do poeta ela, assassínio, nunca estivera em texto algum.

A palavra mão escrevera várias poesias, mas não viu nada.

As palavras premeditação, culpa e intenção disseram que o poeta nunca as colocara em prática.

Ao fim do último interrogatório a palavra investigação deu um sorriso cínico olhou para a palavra assistente e exclamou:
- Peguei o assassino!

Todas as palavras foram convocadas para uma reunião. Na hora marcada todas se encontraram no local da reunião, este conto.

Um ar de desconfiança pairava. Por último, chegou a palavra investigação. A palavra curiosidade novamente interpelou:
- Então, quem foi?

A palavra investigação se dirigiu à última linha deste texto e exclamou com total convicção:
- Foi o poeta!

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Cintia Thome
 

Sergio...excelente...Conclusão dez...
bjus

Cintia Thome · São Paulo, SP 22/11/2007 23:13
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Edson Marques
 

Sérgio,

Uma grande sacada: belíssimo o teu texto!

Abraços, flores, estrelas..

http://mude.blogspot.com
.

Edson Marques · Guarujá, SP 23/11/2007 17:40
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para_raros
 

Intrigante, no mínino! rs
Parabéns! Teu texto é sagaz!

Abraços!

para_raros · Belém, PA 23/11/2007 18:36
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Nydia Bonetti
 

Muito bom, Sérgio.
Muito bom!
abçs.

Nydia Bonetti · Campinas, SP 23/11/2007 21:46
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carlos magno
 

Gostei demais do teu poema, amigo Sergio. Muito criativo e a leitura é agradabilíssima. Meus sinceros aplausos e abraços.
Carlos Magno.

carlos magno · Rio de Janeiro, RJ 24/11/2007 21:08
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