Versos descalços cavalgam-me o trote
Por sob a sela de cada soneto
Cada poema cansado do toque
De notas livres ou velhos livretos
Sílabas coxas conduzem-me os passos
Em meio a vagas de vaga poeira
Que me faz cego de rimas e traços
A vislumbrarem minha própria cegueira
E se inda assim ponho-me a galopar
Num pacadá-pacadá-pacadá
Eis que derrubo o fugaz cavaleiro
Que me impondo um chicote certeiro
Escorre sob o vapor de um chuveiro
A me afogar me afogar me afogar
Wancisco Franco
Em meu soneto "Tons Variados",
um comentário, criticando fortemente
uma possível disparidade no número
de sílabas poéticas, proferiu-me a
seguinte frase: Assim o cavalo não guenta!
A princípio procurei arrazoar; mas depois,
meio que concordando, cedi à "sensibilidade"
que fez nascer-me este texto
Só um sábio pode vislumbrar a própria cegueira. Gostei do poema. Muito intuitivo.
Amigo, lembro que estarei ausente do site.
Salve, Wancisco!
Aqui no pantanal,
longe das purezas poéticas,
também vou cavalgando meus versos
num pacadá de dar pancada em imortal...
Muito belo escrito ou mal escrito muito belo.
Se é que me entendes.
Abraço Pantaneiro.
e sob o estrupitar da cavalgadura nasce o poema!
raphaelreys · Montes Claros, MG 28/2/2009 06:35
Amigo Wancisco.
Cavalgas com precisão
Usando termo perfeito
Em formato de soneto,
E de elegante jeito
Prende nossa atenção
Deixando grande emoção
E o leitor satisfeito.
Abraços
O f... (desculpe a expressao) é quando a gente empaca, né?
não é o seu caso.........cavalga legal e me faz divagar.
"Que me faz cego de rimas e traços
A vislumbrarem minha própria cegueira"
nossa ! isso é lindoooooooooo
(vc enxerga com alma, poeta, alma)
bjsssssssssssssss;)
Pôxa,Wan,que beleza de metáfora do ato de escrever..realmente,é no meio de uma cegueira mágica, que as palavras vão nascendo e nos conduzindo,meio sem saber pra onde, nem elas nem nós sabemos,
mas vamos indo... e muitas vezes nós,cavaleiros da palavra, impomos um ritmo acelerado, através de excessos de sílabas poéticas, que terminam por diminuir a beleza da cavalgada....
Muito bom mesmo,Wan!!!!vc é genial!
Parabéns,querido!
bluebeijinhos
Bluee
wan, falho mas não tardo...
sem brincadeiras, tenho um travo enorme com a dita dura da métrica, da forma, do conceito, enfim, do soneto. mas no seu caso deixei de lado e procurei viajar no texto e...
muito bom, viajei!
HUUUMMM... sobre o meu próprio fazer poético (não vou usar aspas, não sou tão modesto assim) tenho uma quadrinha ordinária e com "pobremas" de métrica também:
Com versos pobres, (que importa!)
novas trovas vou compondo...
de "pé quebrado", mão torta,
quero é continuar trovando.
O admirado amigo RAPHAEL REYS nem imagina que a cavalgadura citada por êle... é esse "repórter que vos fala". O soneto está muito interessante, curioso, bem acabado -- apesar das ONZE SÍLABAS do verso 8, A VISLUMBRAR(em) MINHA PRÓPRIA CEGUEIRA -- e com um humor ferino muito inteligente, embora minha "inhorança" não me deixou entender o que faz UM CHUVEIRO dentro de um enredo campestre (ou coisa que o valha), embora o tema seja metafórico, com certeza.
Lembro-me que, em meus primeiros dias nesse belo recanto literário chamado OverM, apareceu um DOIDO pretendendo ser a palmatória do Mundo, no que se refere aos poemas alheios, é claro. Fui um dos que o combateu imediatamente... como não pretendo seguir pelo mesmo caminho estúpido, vai aqui meu sincero incentivo para que nosso amigo poeta WANCISCO FRANCO verseje a seu bel-prazer e que me convide para lê-lo, sempre que me fôr possivel. Sem esse "chicote certeiro", por favor!
Sílabas coxas conduzem-me os passos
Em meio a vagas de vaga poeira
Que me faz cego de rimas e traços
A vislumbrarem minha própria cegueira
versos lindos, muito bom amigo.votado com prazer.
Lembra do personagem de antigo programa de humor:
"GUENTA SIM , GUENTA ...."
Cavalgaste bem nas vagas, escrevendo nelas um belo poema.
Votado
Bela poesia
Cavalgar frente a cegueira. Gostei muito. Parabens
Wancisco Franco amigo
Achei um "barato" seu poema. Fiquei imaginando um quadro com os versos cavalgando o poeta. Caramba!
Você é genial!
Parabéns e beijos Mirtes Carvalho
wancisco franco · São Paulo (SP)
ASSIM O CAVALO NÃO “GUENTA”!
Uma Experiéncia Incrível.
Uma leitura que dá uma sensação de dificuldades que aumentam seguidamente e que vai virar uma carga insuportável.
Bem descrito que até nos afeta na preocupacáo do limite do suportar.
...Sílabas coxas conduzem-me os passos
Em meio a vagas de vaga poeira
Que me faz cego de rimas e traços
A vislumbrarem minha própria cegueira...
Parabéns.
Abracáo Amigo.
Um poema sui generis eu acho. Bom demais, inteligente e ritmado, denso e gostoso de se ler. Um clássico galope literário... poético. Parabéns amigo. Voto como se galopa o corcel nos pampas. Valeuu
José Cycero · Aurora, CE 1/3/2009 19:54
Muito bopm seu trabalho, partindo de uma crítica para fazer uma outra crítica sobre os rigores da forma. E o melhor: de maneira de humorada.
Voto sim, para lá de merecido.
sonetos, quem não ja fez? é bom fazer principalmente em dias de hoje e os poetas esquecee ate de lê-los parabéns gostei muito votado
arnaldo cavalle · Jaboatão dos Guararapes, PE 1/3/2009 20:41Belíssimo soneto, do mais alto refinamento, parabéns Wancisco!
Luiz Cabelo · Porto Alegre, RS 1/3/2009 20:50
"Guenta" sim. Sempre podemos mais do que imaginamos.
Luze Paz. jbconrado.
À GALOPE... NO "CHUVEIRO"!
(dedicado ao poeta Wancisco Franco)
A Vida é poesia, rio diverso
de um rio dessa Terra, bem profundo.
Feita de dor, prazer, de canto e verso,
de coisas deste nosso... e de outro Mundo.
Nem tudo se compreende no Universo
e, em pensares vãos, eu me aprofundo
a "cavalgar" soneto, olhar disperso,
montado em alazão chucro e rotundo.
Se não souber montar, qualquer "chuveiro" (1)
caindo sobre si, cavalgadura,
pode espantar a paca, no potreiro.
No Pantanal, Pará, Rio de Janeiro...
soneto escrito sem desenvoltura
pode afogar cavalo e cavaleiro.
"NATO" AZEVEDO
OBS.: 1) "chuveiro" -- neologismo popular
para aguaceiro, tromba d'água, chuvarada.
2) Informo aos beletristas de plantão que...
o RIO do verso inicial deveria ser "contado"
como dissílabo, como em rua, lua, trio, etc.
wancisco
Muito Bom
Sucesso
Andre Luiz Mazzaropi
Gosto de brincar com o soneto e com as cavalgadas. Poesia, afinal, é isso: essas brincadeiras/lutas com a palavra. Gostei, portanto, da sua atitude diante da criação. Parabéns.
Abraços.
Poeta Wancisco.
Muitas vezes a beleza da poesia esta no subliminar.
Isso você consegue.
Parabéns.
pARABÉNS lindo demais, com beijos e votos
Fatima Merigue de Mendonça · Itu, SP 1/3/2009 22:13
poeta, empresta teu cavalo!
quero galopar em contrário
à rima, e lá de riba encenar
os meus atos a dar de coices
nesses poetas novos que de
tão velhos caducam os fins.
aliás, some-se 7
Metalinguagem pura meu amigo Franco; vc é abençoado por demias quer seja pelo estudo que pelo lirismo.
Abraços, amei os galopes!
Depois de tudo que foi dito so me resta deixar, votos e bjosss, muitosss bjsss!
Gorete · Ipatinga, MG 2/3/2009 02:10
Passei por aqui pra dizer que cavalguei! E, sim, essa é minha praia também (para ler e apreciar muito!)
Abraços e parabéns
Pulsante e galopante, uns versos agalopados e já votados!! Parabens!
Gilbson Alencar · Brasília, DF 2/3/2009 10:01Que maravilha de metalinguagem ! Sensacional, parabéns, Franco !
André Calazans · Rio de Janeiro, RJ 2/3/2009 10:14
que seus galopes sejam cada vez mais desafiadores.continue sonetando pois é sábio na arte.
beijos
E não aguenta (aguenta não tem mais trema) mesmo.
camuccelli · Rio de Janeiro, RJ 2/3/2009 17:14
Todo soneto é bonito, é audaz ou saudoso, por isto se reveste
de melhor beleza porque toca a cada um que o lê. É como se fosse feito para cada leitor,
abraço
andre.
Sensacional. Voltei das férias e votei, bjs
TÂNIA MARA CAMARGO · Jundiaí, SP 3/3/2009 17:14bjsssssssssssssss;) seguindo seu blog tbm.
Cláudia Campello · Várzea Grande, MT 4/3/2009 17:30
Versos descalços cavalgam-me o trote
Por sob a sela de cada soneto
Cada poema cansado do toque
De notas livres ou velhos livretos
Sílabas coxas conduzem-me os passos
Em meio a vagas de vaga poeira
Que me faz cego de rimas e traços
A vislumbrarem minha própria cegueira
E se inda assim ponho-me a galopar
Num pacadá-pacadá-pacadá
Eis que derrubo o fugaz cavaleiro
Que me impondo um chicote certeiro
Escorre sob o vapor de um chuveiro
A me afogar me afogar me afogar
Eita soneto bonito.
Eu, particularmente, adoro esta forma de escrita. Parabéns!
Lido e votadíssimo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Abraços poéticos.
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