Crônica de um tempo louco
O tempo está mesmo virado. Não há mais como ser previdente. Tenho muita pena dos meteorologistas com a louca no tempo. Se já eram vistos com reserva, talvez ainda pagando juros pelas desditas dos arúspices da Antiguidade, passarão agora facilmente por flibusteiros ou incompetentes com suas previsões que não se confirmam sendo comparadas a farsas.
Quando se viu o que observei hoje? Pleno janeiro, época de abundantes chuvas no Tocantins, quando o comum é o horizonte prenhe de nuvens escuras, carregadas de umidade e boas safras, o céu parecer um tapete azul, límpido, salpicado aqui ou ali com fiapos avarentos de brancas nuvens. E não apenas um dia, são todos os dias do mês. Quem imaginaria o vento correndo solto de leste a oeste como no estival julho em vez de arrastar-se do norte, lento e cansado, impulsionando as barreiras das pesadas nuvens de chuva?
É! Ninguém entende mais o tempo. Os homens não o entendem mais e ele, incompreendido, não fica atento. Perpetra a inversão das estações. As mangueiras que religiosamente floresciam em julho e até outubro finalizavam a safra agora apresentam mangas além de janeiro. Ufa! Estavam elas, quando levantei pelo meio da manhã deste sábado, 5 de janeiro, rutilando as milhares de folhas ao vento, talvez pensando que saudavam julho e as praias fluviais. Os jambeiros ainda espargem nas calçadas de minha cidade em abril e novembro tapetes de pétalas lilases que tanto regalam as patroas como cansam diariamente as domésticas. Até quando regularão melhor que o tempo? Nem os arúspices sabem, nem os meteorologistas.
Há culpados nessa roda-viva? Evidentemente que sim. Somos todos nós, e nessa hora não adianta querer, qualquer um de nós, tirar o corpo fora com o argumento simplista de que “eu não poluo”. Inversamente, isso é o mesmo que dizer quando muita gente, inconformada com a atuação dos governos, bate no peito cheia de razão — embora nem todo mundo recolha um tributo específico — : “Esse é o dinheiro do imposto que eu pago!” Sou radical: a simples existência nesse planeta é-nos já uma culpa. Para ser mais inteligível, valho-me do jargão religioso: existir é o nosso pecado original ecológico. O que vem depois é responsabilidade aumentada gradativamente conforme a atuação e a consciência de cada um. Não reconhecer esse mandamento é pecar pela soberba.
O certo é que somos bilhões de bactérias adoecendo a Terra. Coitada, a septicemia que lhe causamos é responsável pela febre que não pára de crescer. E poderá crescer a tal ponto que além da Terra consumirá a todos nós, as bactérias.
O que fazer? O passo inicial é o reconhecimento da nossa culpa. Depois é cerrar fileiras para evitar o Apocalipse. E nenhuma tarefa pode mais ser adiada sequer para o segundo seguinte arrimada na temerária decisão de que há ainda muito tempo para agir. Nada disso. O início impressentido de toda tragédia gera um desfecho insustentável. Não há mais tempo, o próprio tempo nos mostra isso.
Ação, portanto!
Caro JJ, Platão, o mestre diz que: Deus é inocente!, nos outros somos instrumentos de um aprendizado maior. Estamos vivenciando uma era de ESPADA. Será o aprendizado pela dor, física, pela dor moral, e pela dor do que passa pelo coração.
raphaelreys · Montes Claros, MG 7/1/2008 07:04
JJLeandro.
É o homem cavando sua própria cova.
E a ganância se sobrepondo a vida.
Abraços
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