Brasil.gov.br Petrobras Ministério da Cultura
 
 

aTERRA-me O FIM - Crônica

1
jjLeandro · Araguaína, TO
7/1/2008 · 122 · 4
 

Crônica de um tempo louco


O tempo está mesmo virado. Não há mais como ser previdente. Tenho muita pena dos meteorologistas com a louca no tempo. Se já eram vistos com reserva, talvez ainda pagando juros pelas desditas dos arúspices da Antiguidade, passarão agora facilmente por flibusteiros ou incompetentes com suas previsões que não se confirmam sendo comparadas a farsas.

Quando se viu o que observei hoje? Pleno janeiro, época de abundantes chuvas no Tocantins, quando o comum é o horizonte prenhe de nuvens escuras, carregadas de umidade e boas safras, o céu parecer um tapete azul, límpido, salpicado aqui ou ali com fiapos avarentos de brancas nuvens. E não apenas um dia, são todos os dias do mês. Quem imaginaria o vento correndo solto de leste a oeste como no estival julho em vez de arrastar-se do norte, lento e cansado, impulsionando as barreiras das pesadas nuvens de chuva?

É! Ninguém entende mais o tempo. Os homens não o entendem mais e ele, incompreendido, não fica atento. Perpetra a inversão das estações. As mangueiras que religiosamente floresciam em julho e até outubro finalizavam a safra agora apresentam mangas além de janeiro. Ufa! Estavam elas, quando levantei pelo meio da manhã deste sábado, 5 de janeiro, rutilando as milhares de folhas ao vento, talvez pensando que saudavam julho e as praias fluviais. Os jambeiros ainda espargem nas calçadas de minha cidade em abril e novembro tapetes de pétalas lilases que tanto regalam as patroas como cansam diariamente as domésticas. Até quando regularão melhor que o tempo? Nem os arúspices sabem, nem os meteorologistas.

Há culpados nessa roda-viva? Evidentemente que sim. Somos todos nós, e nessa hora não adianta querer, qualquer um de nós, tirar o corpo fora com o argumento simplista de que “eu não poluo”. Inversamente, isso é o mesmo que dizer quando muita gente, inconformada com a atuação dos governos, bate no peito cheia de razão — embora nem todo mundo recolha um tributo específico — : “Esse é o dinheiro do imposto que eu pago!” Sou radical: a simples existência nesse planeta é-nos já uma culpa. Para ser mais inteligível, valho-me do jargão religioso: existir é o nosso pecado original ecológico. O que vem depois é responsabilidade aumentada gradativamente conforme a atuação e a consciência de cada um. Não reconhecer esse mandamento é pecar pela soberba.
O certo é que somos bilhões de bactérias adoecendo a Terra. Coitada, a septicemia que lhe causamos é responsável pela febre que não pára de crescer. E poderá crescer a tal ponto que além da Terra consumirá a todos nós, as bactérias.

O que fazer? O passo inicial é o reconhecimento da nossa culpa. Depois é cerrar fileiras para evitar o Apocalipse. E nenhuma tarefa pode mais ser adiada sequer para o segundo seguinte arrimada na temerária decisão de que há ainda muito tempo para agir. Nada disso. O início impressentido de toda tragédia gera um desfecho insustentável. Não há mais tempo, o próprio tempo nos mostra isso.

Ação, portanto!


compartilhe



informações

Autoria
jjLeandro
Downloads
142 downloads

comentários feed

+ comentar
Cintia Thome
 

JJ

O futuro já é o hoje!
Show !
abçs.

Cintia Thome · São Paulo, SP 6/1/2008 12:36
sua opinião: subir
raphaelreys
 

Caro JJ, Platão, o mestre diz que: Deus é inocente!, nos outros somos instrumentos de um aprendizado maior. Estamos vivenciando uma era de ESPADA. Será o aprendizado pela dor, física, pela dor moral, e pela dor do que passa pelo coração.

raphaelreys · Montes Claros, MG 7/1/2008 07:04
sua opinião: subir
j.alves
 

Muito bom

j.alves · São Paulo, SP 7/1/2008 21:29
sua opinião: subir
Pedro Monteiro
 

JJLeandro.
É o homem cavando sua própria cova.
E a ganância se sobrepondo a vida.
Abraços

Pedro Monteiro · São Paulo, SP 27/2/2008 08:33
sua opinião: subir

Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.

filtro por estado

busca por tag

observatório

feed
Instituto Overmundo pesquisa a cadeia produtiva da música no Rio de Janeiro

Está no ar o blog de pesquisas do Instituto Overmundo. Você já pode encontrar lá os primeiros dados da pesquisa “Análise de modelos de negócios... +leia

revista overmundo

Você conhece a Revista Overmundo? Baixe já no seu iPad ou em formato PDF -- é grátis!

+conheça agora

overmixter

feed

No Overmixter você encontra samples, vocais e remixes em licenças livres. Confira os mais votados, ou envie seu próprio remix!

+conheça o overmixter

 

Creative Commons

alguns direitos reservados