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1 - Agora? Não vale mais chorar
As dores encardidas dos porões abarrotados de homens consumidos...
Agora? Não vale mais chorar
As feridas dengosas dos corpos consagrados
Pelos batismos homonucleares...
Agora? Não vale mais chorar as mãos libertinas e ilícitas
Repousadas em nossos phallus etílicos
E nas vaginas inebriantes das esquinas escancaradas
Como se fosse o parto vertiginoso da vergonha
E que admirasse de per si: a execução prematura do óbvio.
2 – Agora? Não vale mais chorar
Os bisturis freando orgasmos ante as alcovas inumanas das sarjetas...
Agora? Não vale mais chorar
As condolências subjugadas dos velórios anarquizados
Pelos nus das contas bancárias...
Agora? Não vale mais chorar
Os suores engendrados e anafiláticos Que se liquefazem
Diante da presença absurda da fome
Como se num abrir e fechar de nádegas maldosas
Desintegrasse-se o homem qual inócuo ócio desvalido,
Ao primeiro ato de habituar-se...
3 – Agora? Não vale mais chorar
Os atos de sofrimento que, em falho mênstruo inteiriço,
Pousam-se sob o vão da libélula em cópula...
Agora? Não vale mais chorar
As câimbras miúdas, as desovas múltiplas,
Aptas a afastar-nos do concreto, tal a subserviência
Do halo libidinoso de o fêmeo macho em lida
Que, hirto jaz em lúgubre raia desnuda e nodosa
Pronto para içar-nos de prima eloqüência
E jogar-nos contundidos,
Ao estômago da última placenta.
2 – Agora? O sangue amargo da espuma passageira
Na hora da antemanhã propícia do sopro,
Não pode ver-me escorrer pelo lombo do corpo-escanteio,
Cujo bracelete manietado à sua cintura ou à sua pose vociferante,
Posso vê-lo ruminando a antagônica costela das favelas,
A sua eficácia constipação em riso, e ruminam lusco-fuscos
Como o contravir em cada morredoura
Estiagem, sistêmica, ignorante
Ou uma estratosférica sanguessuga que faz animar
A saliência abdominal do Cedro-Rosa...
3 – Agora? Não vale mais chorar
Os cérebros explosivos dos caimentos agonizantes
Da prata pedante onde se comunicam
Para que não as deixemos coexistir fraudulentas
E nem as ejaculemos dentro dos charcos da aurora...
Agora? Não vale mais chorar
Os sacrifícios da palavra e nem os bofetões que nos esmurram,
Para nos fazer entender de que: não bastam (apenas) os entreténs
Das lágrimas escorridas e sim um novo pranto remoído
- Mas que se refaça (agora e sempre),
A cada morte do silêncio!
Benny Franklin
Benny
Emocionada no pouco entendimento que tenho...
abçs
Caramba! Não vamos chorar o leite derramado. Vamos levantar, sacodir a poeira e das a volta por cima; mas, também, vamos reconstruir o que falta e não destruir o que resta.
Como sempre, filosófico, anatômico, poesia "navalha na carne".
Parabéns, camarada Benny.
Vim aqui tomar a hóstia de sangue e esmegma, ó mestre.
Rynaldo Papoy · Guarulhos, SP 6/9/2007 01:15
Preciso voltar, ler com mais calma...Vou dar uma respirada e já volto....
crispinga · Nova Friburgo, RJ 6/9/2007 13:31
Benny, é reinventar pra poder salvar o instante deste comentário.
Como semre, você sabe dizer o que diz. É tudo no seu nome, irmão.
abraço.
A ELOQUÊNCIA DO ABSURDO... não vejo título melhor! É Marcelo Bretton na prosa e voc~e na Poesia. Choro sim, o cérebro explodido por tanta criatividade encharcada dessa sexualidade mórbida, dessa carnavalizante exuberência lirica que espanca minha pobre Inveja com o tronco soberbo do cedro-rosa. EVOÉ, Baco... só com muita "51" e vinho vagabundo ouso te aplaudir! Mas tenho que fazê-lo... um novo Valor se alevanta! Acorda, Belém!
"NATO" AZEVEDO · Ananindeua, PA 6/9/2007 15:41
PS.: leia-se EXUBERÂNCIA e fica meu protesto por esse "moda" absurda de sites na Internet não divulgarem O NOME DO AUTOR dos trabalhos que usam & abusam, caso desta magnífica foto que ilustra teu texto. E OS DIREITOS AUTORAIS dos artistas?!
"NATO" AZEVEDO · Ananindeua, PA 6/9/2007 15:44
Amigo Benny´
você sempre nos presentianto com seus poemas agradabilímos. Meus sinceros aplausos e abraços.
Carlos Magno.
Benny, confesso para mim, mais antigo, mal absorvido o modernismo de Bandeira, esse texto é de esquentar os meus miolos, por isto vou voltar. um abraço andre
Andre Pessego · São Paulo, SP 6/9/2007 22:32
Benny.
Não é desafio, nem discórdia pelo ente, que reclama à declamar o que não adianta chorar...
Proponho a resposta deste poema. Hoje nos deu a discórdia, espero pela resposta. Abraço!
Benny querido, porque o choro sincero tem a força de derreter a pedra, que eu seja perdoada por não derramar meu pranto diante dos horrores que vc expõe no seu poema, e de mtos outros que se avolumam diante de meus olhos secos, amém.
Bjs
Volto, releio...a cada morte do silêncio que corrompa o choro.
Estou com Nato...rs
bjus. OS HF
Benny.
Sempre há tempo para o pranto, Benny, mesmo que seja de revolta. O cair de uma lágrima no chão desperta o silêncio do mundo, mesmo que esse alarido seja tarde.
Abraços
Noélio
Hipocrisia!!! Hipocrisia é o mal da nossa sociedade. Admiro suas escrita : verdade nua , crua e pura . Distante deste mundo insano que fecha os olhos para o real.
parabéns meu amigo.
beijos
É, e voltei, votando temeroso. Estou com complexo de 60 pontos para os bons textos, num espaço de tempo muito curto, mas..
um abraço, andre
Parabéns Benny!
Mais uma obra bem ao teu estilo, rebuscada, eloquente e elolouquente, desafiadora para as mentes comuns.
Abraços
Calado, fica sem choro, nem saliva
aquele que não tem sentimento.
...
Mas quem o tem berra !
puget
Poema MARAVILHOSO! Forte, inteligente, corajoso! Típico de quem está 'acordado', com plena consciência do mundo em que vive e, claro, de quem sabe fazer bom uso da palavra. Grande abraço!
Lobodomar · Guarapari, ES 8/9/2007 07:58
BENNY
Agora? Não vale mais chorar
bjus. Votado.Bjus
Eis que me vale a pena ler Benny, que não tem a alma pequena, que tem em mim, alma pequena, um ardoroso leitor de exuberantes/estonteantes linhas... Belém de mangueiras centenárias, de canoas abastecendo o Ver-o-Peso, de Benny abastecendo-nos de belas e fatais poesias... Belém de Benny, o poeta beat pós-tudo em pleno vapor... Abram alas...
Pepê Mattos · Macapá, AP 8/9/2007 21:58
Parabéns, Benny!!!!
Concordo com Pepê quando diz:
VALE A PENA LER BENNY
Parabéns!!!!
"chora bananeira, bananeira chora,chora bananeira que teu amor foi embora"
mas, pra que chorar o que passou...
sua genialidade é latente.
grande abraço, amigo.
Um suspiro profundo....E a vida continua...Sim, ainda estamos vivos...E esses versos lindos, Benny!
Agradecida, por ainda estar viva e poder ler esta beleza!
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