Ato I

1
Hipocrisia Livre · Rio de Janeiro, RJ
11/10/2008 · 98 · 5
 

Hereditário: adj. Que se transmite por herança de pais a filhos ou de ascendentes a descendentes.



Vindos ao mundo, quiçá nem sempre tão bem vindos, diante da sombra de nossos genitores, temos de aprender a viver em um plano onde mesmo nossos exemplos amados padecem.O caos e a confusão fazem eco dentro de nosso íntimo junto aos primeiros passos.

O inicio vêm recheado de princípios, palavras pontilhadas com respeito, ou simples abandono.
Assim somos criados, tentativas oriundas de um pecado disfarçado, atos impensados de seres ignorantes que acabam por gerar mais coadjuvantes deslumbrados. Algumas crias são falsamente preparadas para enfrentar todo tipo de situação, mas ninguém pode realmente buscar real conforto em tais proteções, verdadeiramente estamos a mercê de todo acaso e creiam o acaso é significativo, é a natureza indomada que sempre aflige o homem em sua tosca evolução... Pode-se simplesmente deixar que o mundo ensine a duras penas, mas não é esse o papel que nossos mestres biológicos gostam de assumir. Há muito tempo que o homem busca definir a melhor forma de enganar a si mesmo, de tentar controlar tudo que está a distancia do toque, para só depois voltar suas energias a um possível autocontrole.

A autodestruição é algo que buscamos evitar instintivamente, mas em algum momento sempre sentimos necessidade consciente da mesma, uma paixão capaz de por em duvida a finalidade do tudo em que nos situamos, talvez alguns percebam que o homem não é um ser com total consciência, ele é cercado por valores que o mecanizam, ele é o tal que trabalha, procria e morre envolto em uma inconsciente existência, um manto de ignorância e debilidades. Sem idéia das respostas a situações básicas “progredimos” sempre com nossos primeiros passinhos, infinitamente, chegamos ao fim da vida sem muito evoluir e ainda passamos toda nossa improdutividade as próximas gerações. Sempre muito convencidos de que podemos resolver mistérios maiores, isso sem nem entender os mais básicos, o bicho homem busca dar passos isolados em varias direções, querendo cada vez mais, não entende muito bem de onde vem toda essa necessidade, mas necessita, vê a vida como a desesperada chance de fazer algo, algo que não compreende.

Assim aprendemos a andar, a esperança recaindo sobre alguns, pequenos depósitos de fé, a alternância externa de sentimentos surge antes mesmo de um limiar consciente em nós. Toda a pressão é desde cedo vinculada ao pequeno, na forma de amor, a proteção dada é algo que obstrui os limites da razão, torna os tutores do pequeno fruto algo que desesperados e inconstantes, é nessa fase de tão rápido desenvolvimento, que se abrem às portas para o erro invadir nosso colorido e passageiro mundo, moral e regras impostas tolamente buscam regular o perigoso deslumbramento infantil para com o mundo, introduz-se a noção de certo e errado, a coisa seria natural, caso o cidadão regular não buscasse definir suas verdades em detrimento as verdades do próximo. Em verdade não somos os únicos capazes de pensar e sim os únicos com a capacidade para iludir-se, assim, continuamos buscando adaptar tudo que nos rodeia, incapazes tentamos interagir com o mundo de uma forma insensível, burocrática, fechada e vazia.


Paredes são erguidas, vive-se com buscas e arrependimentos, uma morada, abrigo forte contra a natureza, proteção contra perigos noturnos. Questionar o papel do conforto material na vida humana e obviamente das conquistas individuais é tarefa inglória, mas o senso comum não esclarece a fragilidade dessa busca egoísta cria assim uma corrida pela ilusão de segurança ao mesmo tempo em que combate à realidade da sociedade, o valor combatendo o mundo natural e suas verdades.



É comum ignorar o conteúdo das verdades, digerimos na maior parte do tempo apenas uma verdade por vez antes que se canse da mesma e procure conforto em alguma mais conveniente conforme pede o imediatismo regular, a necessidade que temos do agora, uma das dificuldades mais obvias ao desenvolvimento interior, nossos instintos sopram forte, a ordem é preservar, iludir-se virando as costas aos problemas do todo, fugir das verdades mais complexas e perigosas, sim verdades perigosas combatidas na base da esperança, verdades que buscam acordar o ser do movimento por inércia auto induzida em que se encontra, o homem que não tem o hábito de desconfiar das coisas que são impostas pela maioria, perpetua esta falha nos próprios atos, os instintos acabam encontrando força na individualidade transformando a força de vontade em um objeto cego, gerador de sentimentos baixos, que fazem o caráter humano duvidoso à base elevando o adulto à escória.A atenção, o esforço, a disponibilidade para agradar, de cínico para cínico, isso desde os primeiros passos, querendo ser notado, tudo conspira até o fim, sentir-se importante é meta comum entre protetor e protegido, num ciclo de despretensiosa ilusão.




NOTA: Mais um texto incompleto e desconexo, não existe uma linha sequer de raciocínio a ser seguido, apenas o vazio ocupando espaço. Diversidade e confusão, essa é a gênese da minha critica.



“Definir é limitar” (Oscar wilde)


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Cristiano Melo
 

HL,
achei que seu texto tem conexões sim e não é desconexo, na verdade em alguns momentos, suas reflexões são contundentes e aponta o dedo em nossa criação/educação ocidentalizada, cheia de miséria emocional e etc. Amargo e real.
abraços

Cristiano Melo · Brasília, DF 10/10/2008 10:10
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O NOVO POETA.(W.Marques).
 

um bonito texto.votado.

O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca, SP 11/10/2008 09:24
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Compulsão Diária
 

Nada desconexo. Nexo do desejo de desinvestimento na vida. desejo aqui dominado pela escrita que investe.

Compulsão Diária · São Paulo, SP 11/10/2008 17:59
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Marcos Pontes
 

Filhos são satisfação de ego dos pais. O despreparo para educá-los vem-se evidenciando de geração em geração. O mundo tornou-se complexo e a educação tem mantido-se nos mesmo padrões há séculos. Não evoluimos como educadores. Quando ouço um pai dizer que "cria" bem os filhos, não consigo deixar de comparar com "criação" de galinhas. Bichos a gente cria, filhos a gente educa.

Marcos Pontes · Eunápolis, BA 12/10/2008 11:17
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Paulla Lagos
 

Palavras bunitas,interpretaçoes perfeitas,elogios pra satisfazer o ego.Nada disso tenhu por objetivo.Meu objetivo e apenas te dizer ke realmente definir eh limitar!Te amo...s2

Paulla Lagos · Itaguaí, RJ 14/10/2008 20:30
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