De tantos disfarces me visto.
De gestos e gritos, vozes, vestidos.
Fujo de relógios e me envolvo
em cortinas de silêncio.
Lanço dados sem números.
Erro o passo e me aprumo.
Apóio-me em frágeis amores,
falsas bengalas.
Dou-me, renego e volto ao ninho.
Desterro-me,
por amor me degredo.
Provoco minha própria história.
Artesã dos meus dias,
invento falas, mas
aceito desenhos e diálogos.
Desmonto possibilidades.
Faço e me desfaço.
Choro de rir,
mergulho em lágrimas.
Lavo-me. Limpa,
volto aos dias claros.
Renasço das águas,
pobre Afrodite
no tablado da vida,
Fecho as cortinas,
até o novo dia.
Formidável! Sou diretora teatral, e esse texto é pura verdade de atriz. Lindo.
Beijinho.
Amanda, agradeço-lhe demais.
Creio que, na realidade, somos um pouco assim, temos um tanto de atriz na alma.
beijos
Muito bom...Escreve como uma geminiana, cheia de dúvidas e contradições...gosto disso
A. Wagner Oliveira · Cuiabá, MT 16/4/2007 18:07
Wagner, eu sou canceriana, será a mesma coisa em termos de contradições? Pelo jeito, sim (risos).
Obrigada.
beijo
Esse negócio de gêmeos com câncer eu não entendo,
mas deve ser coisa da muito triste.
Prefiro sar_a_mar
reinventa trocas diárias.
Adroaldo, muito obrigada.
As tristezas também se reinventam, bem como as alegrias.
É a vida em continuação.
beijo
Saramar, teus poemas são demasiadamente lindos.Parabéns mais uma vez.
Carlos Magno.
Olá Saramar mendes!!!
parabéns, gostei do que escreveste.
observando bem, podemos encontrar um pouco de cada um neste espelho da vida.
Carlos, obrigada por esse exagero.
Sou aprendiz, você sabe e suas palavras me incentivam sempre.
Obrigada.
beijo
Muito bom samara. encenamos mil papéis e somos um. cada um com suas máscaras, mas um.
abs
Claudio, muito obrigada pelo comentário.
Realmente, vivemos sob máscaras.
Mas creio que, se assim não fosse, a convivência seria difícil (risos).
beijo
Exagro porquê Saramar, se eu vibro tanto com os teus poemas? Você mesmo sabe que teus versos são encharcados de lirismo e isso para mim é um exelente conteúdo poético. Parabéns mais uma vez.
Carlos Magno.
são tantas as peles...
muito bonito poema... um abraço
Carlos, Alan, fico sem palavras.
Só posso agradecer.
beijo
Um poema para aplaudir em cena aberta.
Tacilda Aquino · Goiânia, GO 19/4/2007 14:50
Renasço das águas,
pobre Afrodite
no tablado da vida,
Fecho as cortinas,
até o novo dia.
Francamente, é de uma profundidade divinal.
É pelo milagre da arte, que renascemos nos mitos.
Lindo, Saramar, muito lindo!!!
marcio rufino · Belford Roxo, RJ 6/6/2007 20:50
Poema muito bonito. Gostei de outros também.
Regina - poesia em volta · Volta Redonda, RJ 26/9/2007 07:16Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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