Autocontemplação - poesia

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Nivaldo Lemos · Rio de Janeiro, RJ
15/3/2007 · 70 · 13
 


Fruta que se desintegra
Tem tudo de poema:
Pequenos pêlos, inúmeros cheiros
E uma noite muda
Em muda decomposição.
Fruta-bicho desarquitetando a vida
Silenciosa dilaceração
Saliva, susto, sublimação.
Será de bicho ou fruta esse cadáver em solidão?

É tanta melancolia em seu corpo
Tanta ausência em seus odores
Que me confundo no espelho.
Em vez de fruta é a mim que vejo:
Catedral vazia de amores
Turva simetria do desejo
Sem rastro, sem porta ou fecho.

Ela e eu apodrecemos no soneto
Fruta-abcesso, bicho-obsessão:
Loucas rimas da mesma solidão.
Bicho da noite/mulher
Fada fruta deflorada
Que tempo esse te transfigura?
Que mecanismo te empurra?
Será o avesso do cheiro
Ou apenas tua doçura?

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Autoria
Nivaldo Lemos
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Cida Almeida
 

Doçura mesmo derretendo alma adentro é esta sua poesia cortante, maçã ao meio e o miolo humano exposto. Sublime tudo, as imagens, a maestria das palavras, o mirar-se no espelho, profundamente, mesmo que este seja uma fruta na bandeja do tempo...

Cida Almeida · Goiânia, GO 13/3/2007 12:14
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Nivaldo Lemos
 

Obrigado mais uma vez, Cida, por suas palavras sempre generosas. Bjs.

Nivaldo Lemos · Rio de Janeiro, RJ 13/3/2007 12:18
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Arianne Pirajá
 

a dualidade do desejo? os constrastes do eu que quer e espera, que teme e se afasta e apodrece diante da doçura... não sei.
mas adorei o texto...
abraços, conterrâneo. e aquele céu azul é sim de teresina!!! e eu nunca comi arroz com pequi... hehe. bjs

Arianne Pirajá · Teresina, PI 13/3/2007 17:17
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Nivaldo Lemos
 

Obrigado, Arianne. E não deixe de experimentar arroz de pequi, é uma delícia! De sobremesa vai bem um doce de bacuri. E uma rede com varanda sob o céu daí. Quer mais? Que saudades do Piauí! Bjs.

Nivaldo Lemos · Rio de Janeiro, RJ 13/3/2007 17:30
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Nivaldo Lemos
 

Em tempo: adorei sua butija!

Nivaldo Lemos · Rio de Janeiro, RJ 13/3/2007 17:32
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Renato Torres
 

olá nivaldo,

texto conduzido de maneira brilhante, bom de se perder o fôlego... essa metáfora que rebrilha num fulcro primeiro, a volátil existência de tudo o que vive-morre sem cessar. seu poema poderia se chamar simplesmente "fruta", tão simples e poderosa é a imagem, tão fugaz a beleza e o sabor de tudo, que somos obrigados a reconhecer, como em mishima: a beleza é como um dente podre.

abraços!

r

Renato Torres · Belém, PA 13/3/2007 23:11
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Nivaldo Lemos
 

Oi, Renato,
obrigado pelas palavras, você entendeu bem o espírito do poema, é isso mesmo, a poesia em si mesma dói como um dente podre, uma fruta que apodrece na alma e brota, renascendo na própria dor da criação. Valeu, amigo. Um abraço.

Nivaldo Lemos · Rio de Janeiro, RJ 14/3/2007 10:49
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Saramar
 

Muito bonito e poderoso!
Um corte na fruta, na alma. Pungente sabor, intensa dor, em versos aparentemente leves.
Gostei imensamente.

Saramar · Goiânia, GO 15/3/2007 08:24
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Carlos ETC
 

Nossa!! Muito profundo, isso aí, Nivaldo!
Belíssimo!
Abraço!

Carlos ETC · Salvador, BA 15/3/2007 10:31
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Nivaldo Lemos
 

Saramar,
obrigado por suas palavras tão lisonjeiras, mas poderosa é você que carrega o mar no próprio nome. Um abraço.

Carlos ETC
muito obrigado também pelo incentivo. Abração.

Nivaldo Lemos · Rio de Janeiro, RJ 15/3/2007 10:43
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Poeta Jorge Henrique
 

A desintegração do "eu" e a insurreição da essência: poesia!
Magnífico poema !
Adorei.
Parabéns!

Poeta Jorge Henrique · Nossa Senhora da Glória, SE 15/3/2007 16:19
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Nivaldo Lemos
 

Obrigado, Poeta. Valeu mesmo!

Nivaldo Lemos · Rio de Janeiro, RJ 15/3/2007 16:23
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Cláudia Campello
 

...o tempo de maturação chega e
o sabor se altera....pra melhor!
agridoce esse poema... tdo vc entao, penso.

bjssssssss;

Cláudia Campello · Várzea Grande, MT 13/5/2010 23:53
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