Aviso aos corações de pedra: é poesia de amor

JuliBauer
1
Juliaura · Porto Alegre, RS
3/10/2008 · 82 · 10
 

José Qualquer Coisa.
Maria Quer Nada.
José, Maria quer nada.
Qualquer coisa, filho.
Maria, José quer nada
Qualquer coisa.

+++++

O morto, pobre,
Não sofreria.
Fria, pilhada!
Jaz! Pelado!
Carcaça esfolada!

É, criatura!

Olha o jacaré!
Olha a raposa!
Olha o mink!
Olha o arminho!
Olha a onça!
Olha o pavão!
Olha a perua!
Olha a esnobe!
Olha a grã-puta!
Olha a gelada!

+++++

Pavonice grã-fina
Maria polenta fria,
No caminho do meio
Um puta pedrão
E tanta patifaria...
Pele de raposa
não aquece pobre
Esquenta esnobe

+++++

Eu não consigo sequer chorar!
O impacto disso ficará em mim
por toda minha vida. A esnobe
com a pele da raposa desperta
nojo, raiva, vontade de vê-la
plantando e colhendo batatas,
para uma única refeição ao dia.

Sobre a obra

nem tudo que é imagem aparece no espelho
nem tudo que vem na rede é peixe ou lixo
embora todo mar é um buraco cheio d'água
nem qualquer buraco cheio de água é mar.
Vale amar o que se pegue e o que se veja.
Porém, ah, porém, também
se pode sonhar não mais matar
para tentar ficar nem aflita, nem bonita
Isso é que é horror, diria aterrado investidor
jacaré, onça, coelho, raposa virados em bolsa

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Autoria
Juliaura da Luiz Bauer
Ficha técnica
sem nenhuma, que resta sendo alguma
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Giovanni Guidi
 

Gostei bastante. Poema denúncia.
"O morto, pobre,
Não sofreria.
Fria, pilhada!
Jaz! Pelado!
Carcaça esfolada!"
Sucesso.
Voltarei para votar.

Giovanni Guidi · Piracicaba, SP 1/10/2008 12:24
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Cristiano Melo
 

Juliaura,
que poema mais porrada...isso mesmo! Isso sem falar nos animais de laboratório, nos roedores, coelhos, macacos e cachorros que sofrem um monte de intervenções inomináveis, não só para a produção de tecnologia em "saúde" mas da indústria cosmética também.

Cristiano Melo · Brasília, DF 1/10/2008 14:04
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Saramar
 

Li dois poemas neste, com cara de um somente.
Estou escrevendo um pequenino (como sempre) que passa mais ou menos perto deste (uns mil quilômetros da sensibilidade feroz do seu).

Carcaças em peles de mortos! Argh!

beijos

Saramar · Goiânia, GO 2/10/2008 15:03
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Saramar
 

Voltei.
Esqueci do outro poema.
Não há pele que aqueça, senão a vestimenta do amor e as palavras que ele desperta. E basta. E, basta-se.

beijos

Saramar · Goiânia, GO 2/10/2008 15:09
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alcanu
 

Agora a gente precisa avisar em letras garrafais se e quando for falar de amor, né ?
Um beijo !

alcanu · São Paulo, SP 2/10/2008 20:24
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Juliaura
 

É seo Alcanu, cabe avisar para emperdenidos não se aproximarem pensando ser isto uma seresta, quando é paixão pela vida o de que se diz aqui.
Qualquer vida.
Portanto, amor.
Agradecida.

Saramar,
És tão sensível, que tocas em fundo a alma.

Cristiano, o que estamos devendo para os bichos, que tenho visto aqui na espanha (que ainda sacrificam touros naquele esporte medonho), nas beiradas de portugal e nos cantinhos até de interior da França, é demais.
Bicho aqui vale mais que imigrante, então, aí já é desamor cruel.
Vasto mundo.
Vou aprendendo antes que estoures mais bolsas.
Grata.

Giovanni, agradecida por tua presença.

Juliaura · Porto Alegre, RS 2/10/2008 21:05
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Giovanni Guidi
 

É crime o que fazem com os bichos. Agasalham a fugaz moda.
Votado.
Sucesso.

Giovanni Guidi · Piracicaba, SP 2/10/2008 21:19
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O NOVO POETA.(W.Marques).
 

gostei muito do que li, votado.

O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca, SP 3/10/2008 15:06
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Sebastião Firmiano
 

Eu não consigo sequer chorar!
O impacto disso ficará em mim
por toda a minha vida.

Menina. Divina!!!
cê ta escrvendo uma belezura.
Não tenho tempo de acompanhar muito bem,
por isso perdi alguns dos seus textos
Mas esse final de semana vou ler tudinho.
Sabe como é que é né. Vida de peão é foda.
Beijos.

Sebastião Firmiano · São Paulo, SP 3/10/2008 19:56
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Juliaura
 

Foda é bão, sebastião.
Tu deve tá pensando em estupro ou coisa outra, tipo interruptus. Agradecida, ainda assim.
---
Grata, Marques.

---
E fazem coisa pior que nem tive coragem de escrever ainda, Gio, deixam os bichos com as patas presas nas armadilhas uns tempos que eles pra se libertarem arracam os pedaços e saem manquitolando e vão morrer de gangrena.
Pavoroso, pavoroso.
Coisa do capeta!

Juliaura · Porto Alegre, RS 4/10/2008 00:21
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