– Maiha! Está nascendo! – Bravo! - Agora? O que faço? – Prenda bem o cordão umbilical junto ao bebê e corte. – Mas como? Cortar com o quê? – Com os dentes, meu caro. Bem! Lá estava eu mordendo desesperado aquela coisa e depois de muito roer, consegui. Dei um nó no que sobrou junto ao bebê. – O choro! Ele precisa chorar! – Ta e como faço ele chorar? – Hora levante pelos pesinhos de cabeça pra baixo e dê uma palmada na bunda. Obedeci e então o malandro soltou o berro. Era um belo garoto. Eu estava trêmulo e exausto. Mas muito feliz por ter conseguido. Talvez este fosse o primeiro bebê a nascer no espaço. Mas agora vinha o pior, como tirar da nave a mãe com a criança? Não seria uma tarefa fácil. Depois de lavar o bebê com a orientação de Alinka que ainda se recuperava, eu o enrolei em uma outra toalha e o entreguei para a mãe. Sentei-me no único espaço possível para pensar sobre a situação. – Alinka! O que ouve com a nave e onde está o resto da tripulação? – Bem! Nós somos de Hélios K. Estávamos a dois anos no espaço. Transportamos matéria prima para fabricação de medicamentos. Nosso planeta sofre com uma pandemia de um vírus fatal há bastante tempo e estes medicamentos são a esperança de reverter o quadro. Nossa nave foi atingida por um meteoro e houve uma explosão. Perdemos todo o combustível. O choque nos tirou da rota e os equipamentos de navegação também foram avariados. Sou engenheira de navegação e tínhamos a bordo, meu marido e um engenheiro mecânico, tentavam consertar o equipamento de navegação, mas foram atingidos por uma chuva de meteoros. Então... Alinka começou a chorar. – Ok! Falei. – Dá para imaginar o resto. Vamos tirá-la daqui e veremos como resolver o problema com a nave. – Você tem trajes espaciais a bordo? – Sim ali em cima. Felizmente havia dois trajes. – Rogéro! Como fará com o bebê? A preocupação de Maiha era a minha também. Teríamos que esperar um pouco e dar um tempo para que Alinka se recuperasse mais. – Você está com fome? – Sim! Ali naquele armário tem pastilhas de nutrientes concentrados. Pegue as embalagens verdes. 2 por favor. A reserva estava se esgotando. Ela não agüentaria muito tempo mais. – Maiha! O bebê não caberá no traje junto com a mãe. Pretendo usar um outro só para ele. Vai ser complicado, mas não tem outro jeito. – Você está certo. Você conseguirá. Esperei o bebê mamar, e como mamava! Alinka sorria feliz. Depois o bebê dormiu e então começou a tarefa mais difícil que eu já enfrentara. Vestir um traje espacial numa mulher naquelas condições. Já era difícil em situações normais. Foi uma tarefa extenuante e depois de muita dificuldade o traje estava um tanto apertado, mas seria por pouco tempo. Assim eu esperava. Agora faltava o bebê e teria que coloca-lo confortável no traje. Apertei bastante o sinto logo abaixo dos pesinhos. Forrei as sobras de espaço com bastante pano e toalhas. Regulei o oxigênio com cuidado, precisava evitar que se afogasse. – Ok! Alinka, levo o bebê e você me segue, use o cabo como guia. Sai então para o espaço com meu precioso embrulho. Felizmente ele dormia tranqüilo. Voltando a nave Maiha ajudou a desfazer o pacote e ajudou Alinka a livra-se do incômodo traje. – Vou chamá-lo Ganyuk, em nossa língua significa nascido no céu. – Bom nome! Comentei! Na língua deles deveria ser um bonito nome. – Falou com Adan? Perguntei a Maiha que embalava o bebê enquanto Alinka se preparava para um banho. – Falei! Ele está mandando uma nave buscar a nave deles e depois leva-la para Hélios K. – Certo quanto a mãe e o bebê, levamos para Xkarpa e lá decidimos como devolve-los ao seu planeta. – Concordo e acho que Adan também. Ela precisa de atenção pós parto Há! Soltei o cabo e quando você quiser, podemos voltar para casa. – Meu comandante! Parabéns! Temos mais um parteiro espacial disponível. Era a voz de Adan 7, como sempre, gozando da minha cara depois do sufoco que foi trazer à luz aquela figurinha. - Há! Você e Maiha formam uma bela dupla. Sugiro que você e ela tirem uns dias de descanso, afinal, vocês merecem e agora você tem uma dupla tarefa, diga-se de passagem, gostaria de estar em seu lugar. Cuide-se! – Ta legal! Maiha, você falou a ele sobre nós? – Não! Porque pergunta? – Porque este cara sempre sabe tudo! Para mim, este homem é um mistério completo. Acho que se Deus estivesse entre nós, digo, fisicamente, seria como ele! – Bem! Você sabe que ele possui um cérebro muito avançado. Talvez ele consiga ver tudo ao mesmo tempo. Realmente ele na maioria das vezes, finge que não viu, que não sabe, mas na verdade ele tem o controle de tudo o tempo todo. – Bem! Não adianta ficarmos tentando definir Adan 7. Mas, que é um grande ser humano não tenho dúvidas. – Ok! Querido, agora Alinka e seu bebê estão descansando e eu já estava com saudades de... – Sei! Eu também. Escolha uma música suave, vai fazer bem ao bebê. – Sei! À nós também! Com música você fica incrivelmente romântico. Ajustamos a rota de retorno e teríamos agora mais 3 dias de viagem. Na manhã seguinte Alinka fazia-nos companhia no refeitório enquanto o bebê mamava feliz. – Sabem? Vocês são muito bons, eu achei que ia morrer ali. Não tinha mais de 10 h de oxigênio e você foi fantástico! Estou feliz que as coisas acabassem assim. Nos dois dias restantes a viagem transcorreu sem problemas e Alinka parecia da família. Ajudava Maiha nas tarefas comuns do dia a dia e Maiha passava um bom tempo ajudando nos cuidados com o bebê. Tudo parecia tranqüilo, até que a voz de Adan soou novamente e desta vez tinha um tom preocupado. – Meu comandante! Tenho uma má noticia! – Fale! – Falhamos com seu pai! – O quê? Você está dizendo que... – Sim! Mas ainda estamos em 2043, temos cinco anos pela frente. – Como foi? – Rogério! Lembra-se quando falei a você sobre as leis imutáveis do multi-universo? – Sim! – Pois é! Apesar de nosso esforço e da sua viagem, nós impedimos a viagem de seu pai. Isto foi no dia 12. Pois bem, Kelly voltou no dia seguinte a tarde e o encontrou caído no banheiro. Já estava morto desde a manhã. Ficamos os dois em silencio e eu pensava sobre o que tinha sido feito. Está certo que teríamos cinco anos pela frente. Mas, me assustava o fato de que talvez algumas leis naturais não pudessem mesmo ser alteradas. A morte do meu pai seria em 2048, até lá teríamos que encontrar um meio de evitar. – Sei no que você está pensando e também me preocupa. Foi colapso cardíaco, sem causas aparentes. Seu pai é no momento, um homem sadio. Temos tempo para cuidar que seu coração se mantenha saudável. Mas um colapso é um acontecimento aleatório e não tem como ser detectado. Esperamos que seja possível evitar o pior. – Assim espero amigo. Na pior das hipóteses, precisamos estar presentes e prevenidos para tentar o mesmo que você fez com minha mãe. Adan despediu-se e o dia me pareceu triste o resto do tempo. Maiha me dava conforto e carinho. – Calma querido, até 2048 teremos tempo para tentar evitar. Maiha foi ajudar Alinka a trocar o bebê e eu nem queria estar perto, com tudo o que ele mamava dava para imaginar o trabalho. Estávamos já quase entrando na órbita de Nova Terra, quando uma voz chegou aos meus ouvidos. – Filho! - Pai? Sua voz está diferente! – Sim filho, estou de volta a 2008. Como da primeira vez, lembra como me tornei Márcio Santana? – Sim Pai! Então! – Sim eu morri e não morri! Estou tentando contato a dias, mas não conseguia. Em que ano você está? – 2043 Por Quê? – Porque eu agora me chamo... Chamo... – Pronto perdemos contato. Você ouviu? – Sim! Falou Maiha com uma expressão enigmática. Então novamente a voz de Adan interrompeu-nos. –É isso! Estivemos lá como havíamos combinado! Tentamos, mas não funcionou! Não conseguimos traze-lo de volta. Estava escrito! Conhece a frase, o que está escrito é definitivo. Lei imutável. Lamento! – Você sabe que acabo de falar com ele? – Não! Diga! - Ele está novamente em 2008 e acha que está em Terra5, mas quando ia dizer o nome perdi contato. – Pense! Você pode descobrir o que aconteceu! È fácil. - Pronto fim de papo! Ele é assim. Sabe mas não vai dizer! – Fique frio! Seu pai está vivo e garanto que já tem outra namorada. – Sabe às vezes penso que Adan é o próprio Deus. Ele disse que já estava aqui antes do big bang. Ele trouxe este cristal que permite que nos comuniquemos dessa maneira. Implantou um outro cristal em minha mãe e a trouxe de volta. Ele parece estar onipresente em todo o multi-universo. Sempre sabe tudo. Acho que quem falou com Moisés foi ele, apenas naquela época, usava métodos ameaçadores para se fazer ouvir. Depois desistiu percebendo que a humanidade era aquela droga. Agora resolveu corrigir os rumos. Krol nos ajudou a transferir a terra para cá e mudamos os nossos hábitos. Então ele surge com seus milagres disfarçados em alta tecnologia. – Credo! Você parece saber mais do que deixa perceber. – Não! Pare por aí! Mas pense! Ele diz, o multi-universo é um todo de mente, espírito e matéria. A única coisa que mudou é que ele é como um Deus brincalhão que fica me gozando e me colocando a prova o tempo todo. Não exige templos, orações ou ameaça castigar todo mundo. Claro que ele sabe onde está meu pai! Mas não vai dizer! Vai querer que eu descubra. – É! Nesse ponto você tem razão. Mas vamos descobrir sim. Conte comigo. Já sei onde vamos tirar férias! – Onde? Terra 5 meu amor! E já sei como entrar em contato! – Está brincando! – Você está tão interessado em definir quem é Adan 7, que não está pensando direito! – Claro! Você é demais! Nós acabamos de sair do espaço-tempo em que estávamos e estamos penetrando em Nova Terra. Claro! Por isso perdi o contato. Ele deve estar no mesmo espaço em que estávamos. – Elementar meu caro Watson! – Hei! Você andou lendo os livros de meu pai? - Claro! Sou Fã de Sherlock Holmes. Descemos em Nova Terra e eu já pensava em Iub. Ela deveria estar de volta em mais dois ou três dias. Droga! Eu não entendia mais o que estava acontecendo comigo. Amava Iub, mas não queria perder Maiha. Quando estava com ela eu a amava com loucura. Quando estava com Iub, acontecia o mesmo. Será que o Adan andou também mexendo no meu código genético? Ou isso seria um sinal de uma transmutação?
2040 -12
Nasce um bebê mudando a rotina. Como transporta-lo para a outra nave?
LAURO WINCK · Rio Pardo (RS)
BEBÊ A BORDO
Um Bebê nascido no Espaço é Uma Boa Nova de Esperança para todos. A Aventura abrangendo o infinito.
Júnilo para todos que se sentem irmãos.
Parabéns.
Abração Amigo.
Se, os amigos Overmanos, quiserem sabr como desenvolvo meus personagens, clique aqui e deixem lá sua opinião. É muito importante:
http://laurowinck.blogspot.com/2009/10/construindo-personagens.html?showComment=1254762848718#c5554133114287789841
Puxa Lauro o conto está cada vez mais emocionante e intrigante. Esse comando do tempo. Mudar destinos. Saber o que vai acontecer.
Um bebe que já nasce no espaço..
Muito bom!
Bjos
Patty
e se eu te disser que ja estive la??? han?!
ñ me creria né?
bom, sua ficçao ta apaixonante.
(quem diria eu gostar de ler textos lonnnngos aqui?)
bjssss;
Como disse a Cláudia: quem diria eu gostar de ler textos lonnnngos aqui? Mas os teus eu adoro!!! Estou sempre junto nessa nave...
Votado
bjssssss
...uma criança vem ao mundo, simples assim, conforme o ensinamento dos nossos ancestrais. Que maravilha! Quando nasce uma criança é sinal que de que os dias serão melhores, em qualquer lugar, em qualquer planeta. Gostei mesmo.Bjos.
graça grauna · Recife, PE 6/10/2009 05:14Excelente como sempre... grande abraço.
Juscelino Mendes · Campinas, SP 6/10/2009 17:39
Parabéns, o nascer, a vida a explodir, de um ser é sempre felicidade e gratificante, ainda mais no espaço infindo. Agora a responsabilidade de terminar essa maravilhosa estória aumentou, tendo em vista a imaginação de todos viajando e imaginando como será o próximo capítulo.
Abraços,
kfarias.
Ficção e criatividade. Será ficção um dia verdade ou já o é? Belo texto
abs
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