Mundo meu, aprontai vossos ouvidos
que vim aqui para fazer grande alarido
estou aconselhada pelos deuses, por
padre, por gente bem religiosa. Tô prosa.
Aaah! agora sério: já pensei em largar o surf
e procurar ajuda psiquiátrica
uma clínica de desintoxicação
Dar um tempo nessa onda,
que tá me dando vacas pacas
Não tomei minha vitamina
Nem ainda sei falar ingleis
Me esforço, miscangalho
pra caralho e não contento
o meu deus, meu desamor
que fazer, ai di mim, tanta dor
Vinha pela areia da praia
e um menino gritava
Extra! Extra! Extra!
Acabou o mundo
O mundo acabou
Caiu riba deu, deu ripada ni mim
Fiquei na minha, que não sou de acreditar
em guri, que sai gritando assim,
muito menos em jornal de praia
Fuleiro, Zê Fulô
sorriu e disse perguntando:
Quem te falou dasdô, minina?
arrepiei até os cabelinnhos
de dentro das fendas
das narinas e fiquei de orelha em pé.
Que saberia Zé Fulô,
adivinhando das dores minhas
Dissera eu a ninguém nadica.
Bestunto encaraminholado a sibilar as sílabas: será cilada?
Ele também é de onde vovó veio, que não é vinda daqui.
Aí a macaca se me deu no coco e fiquei feito mico louco
(miquinha, que sou minina) puxando um ar a mais
que não trago outra coisa, na alma, um bom tempo faz
- e nem no bolso da calcinha, seu guarda.
Se me pico é pra doar sangue, coca, nem cola cheiro
que prefiro água de côco (boto acento pra não feder)
Virei a mesa, fui pra debaixo, os balaços, por pouco
muito pouco, disse Zé Geraldo, não me alcançam
Abrindo os olhos vi que era um treiler
de filme, do bope, que tá de audiência recorde
na favela, todo guri se achando um nascimento
enquanto a morte não vem, embalada no trilho do trem
Tem também a reza que fiz pra Anastácia
minha santa padroeira de fala e gritedo
desde que me cercaram, menininha, um criaredo
e destrabelhada, enrodilhada, sai por cima
Que Anastácia é feita Zumbi, boa de prosa e rima.
Zumbi, Anastácia, João Cândido, meu Tom Zé
Onde foram parar minhas bonecas, pirulito e picolé
Vão dizer que não tem arte nisso. Concordo.
Façam cada um as suas que nada mais digo, tô de castigo
Tomei um baita pito, perdi no grito.
Já, já eu acordo, Abdias, um nascimento outro.
Dá-me impulso e força, que sanidade
porém, quando a alma da gente acalma
é buscada em alguma estrada de luz.
De trevas, nem pra vender poesia estou licenciada,
embora possa me perfumar, com um bonito sabonete do Pará.
Não falaria aqui, mas minha avozinha querida de mim e das boas almas santas é, sim, como quem me criou: do Piauí.
Por isso, mais que sibilo, apito, chio embora estando no cio,
não cochilo, nem ajoelho pra rezar por mico pelado.
Então, metade da metade da metade do que se passou
na beira da praia tá contado, tá dito, peixe frito
trila o apito. Você pode confiar...
Do amanhã não posso falar, na manha
nem passado há: é tudo presente, que já passou, viu, nem doeu.
E, como eu disse pro guri do jornal: o mundo não acabou.
Acabou-se o que era doce, quem comeu nem teve dó. Foi-se.
Nunca vi despedida tão meteórica e segura.
Nem mágoa tão bem dita ou maldita?
Notícia de praia é assim, a onda lava e leva.
Fica só o sal cortando a pele.
beijos
Sal nos cortes das chibatadas, Saramar, meiga e linda amiga minha e das linhas do bem, cantiga que embala neném.
bijin, gratinada..
Olá Juliaura, menina que poema cadenciado, lúdico e gostoso de ser lido!
E a imagem é lindíssima, parabéns!
abraços
Tô indo aqui nuns ensaios de escola de samba, pequenas, mas com um baticum gostoso que me arreto e saio fazendo pezinho.
Então, dá nisso.
Deve ser pour cause, como diz um francês gostoso que quer meter um vinho em mim a todo pano.
E bebe o broto! Mas é calor demais pra tinto, então vamos de branco, que dá menos repé, né?
Ôxe, uai e bah, juntos.
Grata Branca,
é generosidade tua.
Sei não se a mereço, mas vou guardar no coração com carinho.
Bejin.
Salve, Juliaura!
A tua aura virou um tsuname!!!
Mutcho boomm!!
Mas bah, Rangel, que bela presença tua por aqui, tchê.
Falas das águas que tudo arrasam sem perder de conta que as margens as oprimem, por suposto.
Grata.
Acho mais que seria -
Águas das falas que tudo arrasam sem perder de conta que as margens as oprimem
PS - e a tudo frutificam...
Juli,
Que papo é esse de dar tchau, se ainda nem é Natal?
Está de castigo, menina?
Me conte esse babado...
Vou me queixar com sr. Adroaldo!
Se perdí algum diálogo
Por mais quente e malcriado,
Juli, você é a voz de menina
Que fala alto e esperneia
Que será do Overmundo?
Vai ficar chato, sem graça
Queremos a Juli fazendo pirraça!
Para você, Juli
Beijos,
Cris
Juli, diferente de tudo e ótima, sempre. Desculpe a curiosidade, mas, na foto é você?
abço.
Franck, que maravilha tu aqui.
Vi que fizestes o que devia eu ter feito, que te prometi, mas não deu tempo nem inspiração, que fiquei pirada com meu trabalho na Feira do Livro, e fizestes bem em publicar tuas lindas imagens em contexto com teus escritos.
Adorei. Votei. Tenho comentado pouco. Que havia me dado eu mesma um castigo pra acabar de vez com essa minha mania de desvirtuar postado dos outros e...
Bem Já tô falando demais de novo.
Sou eu na foto, só que a foto tá distorcida, que eu tenho muito mais osso que carne e aí eu pareço uma belezura, que até eu me apaixonei por esse mulherão que restou fotochopado.
Eu sou miudinha, bem magrelinha e aí tem mais carninha do que eu tenho na vera.
Beijin, guri.
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Cris,
Eu até disse em segredo de estado para a Ize, uma vez, depois da feira do livro aqui, que tô sem emprego fixo, recém formei, não sou mais estudante, nem estudante de pós sou ainda, então sou nada e tô pelada então vim pra me banhar no Costão do Santinho, nesta Floripalindailha, que tô cuidando um cafofo duma tia minha que foi pra Porto Alegre pesquisar Mario Quintana e ficou tudo di bom pra eu, que não gasto com alojo e inda ganho uns caraminguá pra água mineral que pro vinho tem um francesinho lindo no meu pé aqui que...
Ih, Cris, esse assunto nem é daqui tá, que já me disseram que isso não é sítio de relacionamento e fico eu me esparamando mais que devo do que contribuir para a cultura do mundo pelo overmundo com todo mundo e o vasto mundo e entupindo os ouvidos de quem vem aqui (pelo olho, por certo) ver uma coisa e acaba lendo outra, mas é que eu não me controlo e já vou levar pito de novo, mas se não me expulsarem, posso ir até ficando, para o meu bem me ver e dizer que me ama, e quem quiser meu bem também.
E só.
E grata por vir aqui, mesmo meu barraco estando fechado pra balada.
Beijin.
Parabéns pelo teu Oscar N.
Pra compensar e me penitenciar, posto aqui em preliminar.
Um outro hino ao amor
Olha a onda! Olha a onda!
Fico toda molhadinha!
Arrepiada até, quando
me dão o que não peço
e é amor, é dengo bom.
Fico mais despregada
das bandeiras, ainda,
quando a minha vida
se solta na tua vida
e se amarra numa
pipa que voamos
vemelhas auras
em contra o azul do céu anil
tu varonil, eu deitada em berço
tu, braço forte. à cintura minha.
Um gigante! Eu pequeninha.
Eu, pela própria natureza
amada, um sonho intenso
a se recriar real.
Colosso! Tu ainda bem moço
eu mocinha também
sem pecado porque é
equador abaixo e os
cisnes brancos aqui
voam como lá em noite de lua
enquanto corro nua de ti
também por às cinco da matina,
ninguém em nós atina
e vamos banhar feito neném
plácidos, os corações a retumbar
até o sol raiar e nos tirar essa
liberdade pouca que ainda há
que vamos fugidios dos fúlgidos raios
que o tempo esquenta e o brilho cega
- vamos à loja do penhor, amor...
- sim, mas cubra os seios, por favor
És mesmo de morte, idolatrada.
Salve! Salve! Salve! A vida enquanto há!
Quiridia Juliaura:
Mai que cousa mininaaaaaaaaaaaa
Só para os raros...
Ousadinhaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa, que só!
Êita que baita estilosa............ Ah! Cuidas da moda lierária...
Amei!
Beijos_Meus*
*
Lili (permite a intimidade, neguinha?),
agradeço a pre e a represença tuas.
Não saquei qualquilé da moda literária que falas.
Ousadias à parte, é bom que me enrosco nesse troço.
Beijin, disputando vaga pra Pequim.
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