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BOCA DE CARMIM

1
ANIBAL BEÇA · Manaus, AM
18/5/2008 · 116 · 38
 

O BEIJO

Anibal Beça ©



- Dona Zélia, a senhora está dispensada por hoje do ensaio.

O maestro foi seco e áspero. Não sem razão. Já tinha voltado ao início duas vezes. Aquela partitura exigia muito das cordas. Principalmente do violoncelo. Zélia estava estranha, tão diferente da primeira vez, quando fez o teste para a orquestra. Dominava o violoncelo como ninguém na cidade. Tratava o instrumento com carinho todo especial. Havia até quem apontasse um relacionamento fora dos ditames. Anormal mesmo.

Viu-se no meio da Rua 22 antes que o zelador fechasse as luzes da ribalta. As partituras voavam, o andar trôpego entre os carros, partituras coladas nos pára-brisas, buzinas, trompas rachando a tarde.
Mas o que o maestro Dorner entendia ou sabia de beijo? Será que ele não notava aquela boca escancarada como uma cadela à espera de uma língua? De um toque, breve e úmido, de uma língua viva, pentecostal?
O céu estava ali, solitário, virgem, sem nuvens, pronto a ser invadido por algum trovão perdido. Faísca que viesse rasgar aquele céu vermelho da boca virgem de romã.

Um tropeço mais forte trouxe Zélia para junto do cello único companheiro nos últimos 33 anos. Não tinha ninguém no mundo, Era como um cão abandonado de rua, uma cadela desprezada: "Las mujeres desde entonces conoci todas en una, mujer y perra parida no se me acerca ninguna". "A única mulher que andou na linha, o trem matou". Foi na fronteira do Brasil com o Paraguai. Não a mulher que o trem matou, mas a sua lua-de-mel: os caminhões e os dísticos chauvinistas.
Os caminhoneiros fortes reluzindo ao sol, as tatuagens de sereias, verdadeiros marujos do asfalto.

Os olhares despiam Zélia. Aquela sensação já havia sentido por duas vezes. A primeira quando fez a 1ª comunhão. O beijo na mão do padre, o beijo no anel do bispo; a hóstia colada ao céu da boca, e a calcinha colada ao mel do sexo.

20 anos passeando pelos parques. Coruja atrás de um casal de namorados, de preferência àqueles mais ousados nos beijos. Voyeuse. Sim. Zélia era uma voyeuse.

O falecido marido era homem muito estranho. Gostava de fazer sexo vestido e nunca a beijara. Thamaturgo Valle, seu nome. Com th e dois ll, mas sem beijos. Sempre com aquela mala preta e de luvas assepticamente alvas. Carregando para onde fosse, os famigerados talheres, o copo e o guardanapo. Comia sempre no mesmo restaurante. A fiscalização de sua refeição, era condição paga com gorda gorjeta ao cozinheiro. Pratos brancos, alva toalha de linho. Ritual que se repetia quando não comia em sua casa.

Falava-se na cidade, que a esquisitice havia sido herdada de seu pai. Dentista e inventor de aparelhos de reabilitação oral. As tarraxas eram testadas na cobaia mais próxima: o filho.

Dr. Espiridião Valle, este, o nome do pai. Sua meta era acabar com todos os dentuços do mundo. Thaumaturgo, por sua vez, foi eliminando a boca de seu franzino esqueleto. A boca, órgão que nos últimos dias de vida não lhe foi de serventia. Lepra maldita de vida. "O beijo é a véspera do escarro..."

Zélia colecionava os beijos mais famosos de gables e valentinos. Figurinhas que acompanhavam o perfumoso sabonete das estrelas e nunca havia sido beijada.
A televisão na vitrine mostrava uma boca enorme anunciando a refrescante sensação de bem-estar. Mania dessas lojas de expor televisores ligados de todas as polegadas. A Martha Rocha, que tem uma boca linda, não foi Miss Universo por causa de duas polegadas a mais nos quadris. Zélia também foi candidata a "Boneca Viva" no Colégio da Divina Providência. Não ganhou. A divina providência só ajudava a moças desembaraçadas. Toda cidade sabia de sua marfiléia dentadura, da sua boca apetitosa de romã. E ela continuava uma cadela de boca virgem.

Quando se deu conta, estava deitada na praia.Os pensamentos corriam acompanhando os finos grãos de areia. Sinuosos desenhos trazidos pelo vento e areia recobriam seu corpo. O vento zunia e a areia castigava. Ora açoite, ora cilício. Estava sozinha na praia. Um ou outro banhista à distância. Sozinha, continuava desprezada, uma cadela parida.

As ondas beijavam seus pés brancos. Sentiu o amargo do sal. Salamargo purgando sua alma. Naquele bailado, Tchaikovsky: o cisne mergulhando no imenso lago. As ondas rugiam furiosas, e ela não se sentia mais. O grande lago verde a possuía com fúria, engolindo-a.

Ainda chegou com vida à praia. A visão turva mal divisava a camiseta do musculoso salva-vidas, mas sentiu o calor daquela boca soprando na sua.

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Sandra Fonseca
 

Lí de um fôlego só. Ao fim, ainda sentí o beijo que salvou a vida de Zélia. Maravilhosos os recursos usados para revelar a dor dos lábios nunca beijados. "O céu estava ali, solitário, virgem, sem nuvens, pronto a ser invadido por algum trovão perdido. Faísca que viesse rasgar aquele céu vermelho da boca virgem de romã."
O beijo era tão imprescíndivel que era como se todo o corpo se erotizasse e se transformasse em boca. Corpo e função, a oralidade como via de acesso ao prazer. É o orgão que faz a ligação com a vida, com as coisas, a palavra.
"Freud distingue duas funções da boca:
a) A função de sugar, de beber o seio;
b) A função de chupar, função de erotização que, mais-além do sugar, pode ganhar autonomia para fazer da boca uma zona erógena e, por isso mesmo, uma zona histerógena.
Nesse prazer, que ultrapassa as pulsões de autoconservação, elabora-se também o primeiro orifício; essa abertura, esse buraco no corpo, permite fazer comunicar o interior e o exterior e, portanto, incorporar fragmentos do mundo externo para transforma-los em si mesmo." in "Psicanálise Kleiniana".
À Zélia falta o complemento da função da boca como construtora da sua imagem-mulher, plena, usuária do gozo, do prazer. Daí se perder entre os significantes, a mulher que beija, a beijável, é a perdida. E ela almeja ser essa, porque beijada."E ela continuava uma cadela de boca virgem", casada com um obssessivo por assepsias herdadas do pai, um homem de boca sem função, ou pior, o que salvava os dentes, mas matava a boca, "

" Aquela sensação já havia sentido por duas vezes. A primeira quando fez a 1ª comunhão. O beijo na mão do padre, o beijo no anel do bispo; a hóstia colada ao céu da boca, e a calcinha colada ao mel do sexo."
Interessante a descrição das experiências de beijo, em especial essas com elementos religiosos, o anel do Bispo, numa alusão à uma possível parceria entre pecado e prazer, e ainda, ao êxtase da elevação espiritual (A hóstia colada ao céu da boca).
E não é verdade que pela boca também se morre? E o primeiro beijo de Zélia foi o beijo de sal das águas do mar. Um beijo de entrega, de corpo inteiro," As ondas rugiam furiosas, e ela não se sentia mais. O grande lago verde a possuía com fúria, engolindo-a." Fantástico beijo, de vida e de morte. Esse o beijo verdadeiro do texto, O beijo simbólico, entre a vida e a "pequena morte" (Gozo).
Caro Aníbal, não resistí a comentar o seu brilhante texto, dentro do contexto que me é mais familiar, a psicologia, já que é minha profissão. Mas, é esse o alcance dos grandes escritores, retratam o sujeito e seu fantástico universo.
Para mim que sigo os teus passos, é ainda uma grande lição de literatura.
Bravíssimo!
Abraços,
Sandra.

Sandra Fonseca · Belo Horizonte, MG 17/5/2008 09:55
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Benny Franklin
 

Ufa! - E que beijo.

Um impressionante texto (com Alma solidária e Corpo metafísico)
que se lê (nós, os pobres mortais...) de uma tacada só.
Fruto imaginário que se delicia vindo de um grande escritor
- que é você, amigo Anibal.

Parabéns!

Benny Franklin

Benny Franklin · Belém, PA 17/5/2008 10:03
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ANIBAL BEÇA
 

Sandra querida:
Foram tantos os caminhos da interpretação crítica em nossos dias, a saber: Estilística, estruturalismo, psicanálise, sociologia da literatura, hermenêutica, semiótica, leitura dialética e outras menos votadas, que a decisão sobre a validade deste ou daquele método de abordagem do fenômeno estético tornou-se uma questão central dos estudos literários.
Portanto, só me honra, o seu comentário muito bem fundamentado, alicerçado em sua prática e conhecimento psicológicos. Uma bela interpretação a sua. Muito obrigado, querida.

Beijos

ANIBAL BEÇA · Manaus, AM 17/5/2008 10:21
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clara arruda
 

Passando para a leitura,voltarei.

clara arruda · Rio de Janeiro, RJ 17/5/2008 10:22
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ANIBAL BEÇA
 

Benny querido, obrigado pela sua visita, pela leitura 'de uma sentada' .

Abraço amazônico

ANIBAL BEÇA · Manaus, AM 17/5/2008 10:24
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Cristiano Melo
 

Poxa...eu havia escrito um texto super grande comentando o seu belíssimo trabalho e meu computador "deu pau"....Agora, vou só elogiar e dizer que me identifiquei com o pai da personagem, devido à profissão, pois é sou dentista...risos. E na minha humilde opinião, adorei lê-lo e vou relê-lo quando for a votação e votarei é claro. abraços do cerrado.

Cristiano Melo · Brasília, DF 17/5/2008 10:39
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Adroaldo Bauer
 

Sem qualquer aproximação a estilo, pra o coment´rio que faço, Anibal, fico com "a coisa em si". E dela posso dizer com entusiasmo e leitor surpreendido agradavelmente em tons diversos de tua colorida narrativa: é muitíssimo boa! O final, então, um achado irônico, cruel, mas eficaz: chega-se a pensar em morrer por um beijo.

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 17/5/2008 10:39
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ANIBAL BEÇA
 

Meu querido Adroaldo, obrigado pela visita,pela leitura e pelo comentário. Vc. vai direto ao ponto que eu queria. Anteriormente cheguei a pensa em intitulá-lo O Beijo da Morte. Mas aí, como há surpresa no final, me inclinei pelo 'O Beijo".

Abraço amazônico

ANIBAL BEÇA · Manaus, AM 17/5/2008 11:01
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ANIBAL BEÇA
 

Cristiano querido, obrigado. Mas vc. não coloca tarraxa em ninguém, né? Se bem que agora todo mundo anda de ' aparelho'. Virou até sinônimo de status. Que pena que seu PC tenha dado problema, mas máquina é assim mesmo.

Abraço amazônico

ANIBAL BEÇA · Manaus, AM 17/5/2008 11:04
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Lena Girard
 

Ah, tadinha! Tinha de ser o salva-vidas pra estrear a boca da coitada, né? Li num fôlego só, menino! Muito bom mesmo. Adorei!
Eu volto. Beijos

Lena Girard · Belém, PA 17/5/2008 11:05
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ANIBAL BEÇA
 

Lena querida, muito obrigado pela sua leitura. O conto é cruel, mas é verdadeiro... na minha imaginação "perversa" (risos).

Beijoa

ANIBAL BEÇA · Manaus, AM 17/5/2008 11:22
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victorvapf
 

Texto cheio de nuances , que nos leva a preocuparmos com o personagem principal. Redação rica, nos conduz a varios passeios, mostrando que o escritor tem varias explosões de inspiração. abraços

victorvapf · Belo Horizonte, MG 17/5/2008 12:03
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ANIBAL BEÇA
 

Vitor, obrigado pela visita e pela leitura. Seu comentário é muito generoso.

Abraço amazônico

ANIBAL BEÇA · Manaus, AM 17/5/2008 12:17
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Regina Lyra
 

Aníbal querido,
O texto vai caminhando e brincando com as palavras.
Texto delícia.
Quero mais.
Beijos,
Regina

Regina Lyra · João Pessoa, PB 17/5/2008 14:25
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Cristiano Melo
 

Não não não...não coloco tarraxas...risos, aliás sou da linha generalista, que percebe o indivíduo como um todo e não apenas a boca separada do contexto social do ser...risos.

Cristiano Melo · Brasília, DF 17/5/2008 16:09
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marilia carboni
 

Consegui Aníbal!!!! Li...reli...e volto p votar!!!
Delícia de leitura!!!!!
Obrigado...muitos beijos !!!!

marilia carboni · Londrina, PR 17/5/2008 17:07
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Cintia Thome
 

Descreve seus personagens de maneira que nos vem à memória tipos "esquisitos" que encontramos no caminho da vida e não conseguimos saber as neuroses "por baixo dos panos"...

Anibal excelente trajetória de uma moça "casta"...O final, apesar das águas salinas, ela encontrou o "Deus do Mar"...
Delícias...
Parabens Anibal.
Um abraço

Cintia Thome · São Paulo, SP 17/5/2008 17:52
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Gustavo Adonias
 

Olá, Anibal

Bem interessante conto este seu. As personagens que você traz neste conto, possuem traços "caricaturais", e ao mesmo tempo, banais, encontrados em nosso cotidiano. A figura do sujeito "hipocondríaco", maníaco por higiene e limpeza, o tal do Thaumaturgo Valle, com th e dois ll, é tão esquisito e tão comum (lembrou-me o ótimo filme "Melhor é Impossível", com o Jack Nicholson). E a pobre da Zélia, boca virgem, desesperada por um beijo, sonhando com os astros da TV, só sentiu o "calor de uma boca soprando na sua" na eminência da morte, como que em um milagre divino, salvando-a e "desvirginando-a" em uma respiração boca-a-boca.

Seu conto traz algo de dramático, e ao mesmo tempo, hilário, como é a vida, a um só tempo drama e comédia, que vão se revezando.

Parabéns! Vo(l)tarei.

Abraços

Gustavo Adonias · Salvador, BA 17/5/2008 18:54
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ANIBAL BEÇA
 

Obrigadoa todos pelos comentários, a leitura e a presença por aqui. Mas vou pegar a figura do Gustavo para agradecer a todos. Seu comentário, Gustavo, é muito perpiscaz. De fato, quando escrevi, queria caminhar pelo humor dito negro. O tal Thamaturgo com th e dos eles é mesmo um enfermo de TOC (transtorno obsessivo-compulsivo) o mesmo do personagem de Nicholson. É isso, companheiro.

Abraço amazônico

ANIBAL BEÇA · Manaus, AM 17/5/2008 19:58
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Rubenio Marcelo
 

Ainda há pouco – e diante de um soneto (“Meu Desejo”) da autoria de Sandra Fonseca – eu fiquei duplamente sem palavras: primeiro, pela impressionante beleza do poema de Sandra; depois, pelo justo e perfeito comentário de Aníbal Beça (que ilustra a referida publicação).
Aqui, lendo este maravilhoso texto em prosa de Aníbal (“O Beijo”) e a respectiva análise de Sandra Fonseca, bem que – embalado em dupla estesia – eu poderia dizer o mesmo que disse acima (apenas invertendo as posições dos protagonistas). Mas não serei repetitivo, afirmando que me encontro sem palavras. Destarte, quero cumprimentar Beça e Sandra, transmitindo-lhes o que expressa o meu coração, não com cem palavras, mas com apenas duas: - Sinceros parabéns!

Rubenio Marcelo · Campo Grande, MS 17/5/2008 20:39
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Nydia Bonetti
 

Acho interessante as diversas leituras que possibilita teu texto. Alguns podem acha-lo mesmo cruel. Outros acharão doce. Pode ser engraçado, ou doloroso. Personagens e leitores: a maravilhosa diversidade que nos torna únicos e especiais.
Grande, Anibal!
Abraços

Nydia Bonetti · Campinas, SP 17/5/2008 21:46
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raphaelreys
 

Um texto profundamente psicanalítico meu caro Anibal! Uma beleza de construção literária. Agradeço a Cíntia pela indicação. Agora ficarei cativo! Um grande abraço!

raphaelreys · Montes Claros, MG 18/5/2008 05:53
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Raiblue
 


A boca...a porta de entrada ...e de saída tbém...passagem...convite...espera e entrega...
céu....e inferno("...o mal é o que sai da boca do homem...")

"O céu estava ali, solitário, virgem, sem nuvens, pronto a ser invadido por algum trovão perdido. Faísca que viesse rasgar aquele céu vermelho da boca virgem de romã."

Esta passagem é poética demais!!
Vemos ,através do seu texto,Aníbal, a vida como ela é,os personagens que compõem esse imenso teatro tragicômico ...até mesmo a caricatura do homem moderno com seus TOCs....excelente esse retrato que vc reproduziu tão divinamente!

E o final foi genial mesmo!!Uma solução vinda dos mares....deveter sido um presente de Iemanjá..vai ver que ela era protegida por Odoyá e nem sabia...brilhante idéia...inspiração milll!!!

Amei esta passagem:

"As ondas beijavam seus pés brancos. Sentiu o amargo do sal. Salamargo purgando sua alma. Naquele bailado, Tchaikovsky: o cisne mergulhando no imenso lago.


Brilhante!!
Aplausos e aplausos!!

besitos bluecarinhosos e ternurinhas...hehe
Rai...blue

Raiblue · Salvador, BA 18/5/2008 12:03
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Raiblue
 

Abrindo a votação!!!!Abrindo a s cortinas para este grande espetáculo!!Será um sucesso de bilheteria!!hehhe
besitos azuis,querido Aníbal!!
Rai..blue

Raiblue · Salvador, BA 18/5/2008 12:47
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marilia carboni
 

Vitando tambem !!!!

marilia carboni · Londrina, PR 18/5/2008 13:17
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Cintia Thome
 

Anibal. Os comentarios estão muito interessantes também, mas o de Sandra é perfeito, não só na análise dos personagens.
Este beijo

Cintia Thome · São Paulo, SP 18/5/2008 13:51
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Cintia Thome
 

Este beijo final faz, de certa forma, em dos capítulos da minha estória, romance que anda a me dar muito trabalho...Parabens...

Cintia Thome · São Paulo, SP 18/5/2008 13:52
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Gustavo Adonias
 

Olá, Anibal

Cá estou eu novamente, relendo e deixando o meu voto.

Abraços poéticos

Gustavo Adonias · Salvador, BA 18/5/2008 15:40
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Tita Coelho
 

Anibal,
um dos melhores contos que li. Nossa está perfeito demais... com um certo requinte de crueldade kkkkkkk
gostei muito!
beijos

Tita Coelho · Porto Alegre, RS 18/5/2008 15:53
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Alice Poltronieri
 

Oi Anibal...!
Belo conto. Leitura instigante cheia de suspense e com final surpreendente.
Muito bom.
Beijos e votos.

Alice Poltronieri · Porto Velho, RO 18/5/2008 18:09
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Lili_Beth*
 

Querido Aníbal:

Maravilhosamente envolvente
PARABÉNS!!!


Beijos_Meus_Muitos* ...................... (rsrsrs)
*

VO(L)TADO!!!

Lili_Beth* · Rio de Janeiro, RJ 18/5/2008 18:10
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clara arruda
 

Com carinho...Publicado

clara arruda · Rio de Janeiro, RJ 18/5/2008 19:08
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Saavedra Valentim
 

Caro amigo Aníbal,
Maravilhoso o seu conto. Muito bem construído, estruturado sobre um tema muito interessante. O que a personagem buscou a vida inteira, encontrou quase na morte. Bem, nem que seja nesta cuircustância mas ele encontrou o beijo tão buscado.
Parabens amigo. Votado.

Saavedra Valentim · Vitória, ES 18/5/2008 21:44
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Noelio Mello
 

Anibal.
Cíntia me falou do teu talento. Teu escrito é rico em imaginação.
Palavras certas para personagens certos. Final extremamente surpreendente e encantador.
Abraços
Noélio

Noelio Mello · Belém, PA 18/5/2008 22:16
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alcanu
 

Um poema daqueles feitos pra gente babar...de vontade, de quero mais, ele é delicioso, pela malícia, pela verdade, pela delícia que é beijar e ser beijado, acende em cima, esquenta em baixo !
Um abraço, só não te beijo porque cê tá muito longe, hehehehehe
Alcanu ( e eu não sou desses ! )

alcanu · São Paulo, SP 19/5/2008 00:33
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Regina Lyra
 

Oi Aníbal,
Retorno para uma nova leitura.
Beijos e votos.
Boa semana!
Regina

Regina Lyra · João Pessoa, PB 19/5/2008 00:39
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graça grauna
 

Menino....acho que já vi esse filme, observando sobretudo as donas carolas da minha infancia. A atmosfera ora triste ora cômica do seu conto dessacralizam o que desde cedo somos levadas a crer na falsa santidade daqueles que ostentam esses aneis, na verdade são mais assustadores. Parabens, Anibal. Bjos.

Os olhares despiam Zélia. Aquela sensação já havia sentido por duas vezes. A primeira quando fez a 1ª comunhão. O beijo na mão do padre, o beijo no anel do bispo; a hóstia colada ao céu da boca, e a calcinha colada ao mel do sexo.

graça grauna · Recife, PE 19/5/2008 06:37
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ANIBAL BEÇA
 

Sou muito agradecido pela generosidade de tantos. Queria me desculpar prque só agora venho agradecer. O meu servidor VIVAX passou o domingo todo fora do ar.

Abraço amazônico

ANIBAL BEÇA · Manaus, AM 19/5/2008 09:36
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