Borboleta na Janela

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Cassiane Schmidt · Gaspar, SC
18/4/2009 · 30 · 2
 

Estava trabalhando no meu escritório quando notei a presença de uma pequena borboleta debatendo-se na parte superior da janela, ela batia suas asas contra o vidro, bastava apenas descer um pouquinho e encontraria a passagem para rua, e poderia sair voando.

Eu, ocupada demais, acabei deixando o pobre inseto debater-se por algum tempo, até que aquela luta desleal, da borboleta com o vidro da janela, me incomodou.

Parei por alguns instantes tudo o que estava fazendo, neste momento pude perceber o invisível, percebi que mesmo a liberdade estando a poucos centímetros da borboleta ela não conseguia enxergá-la, estava tão obstinada com a paisagem por detrás do vidro, que não conseguia perceber que era preciso ir em busca da liberdade e não ficar apenas sonhando com ela.

Por quantas vezes nós também ficamos como a pobre borboleta?Cegos, debatendo-se num problema, paralisados num obstáculo, sem perceber que a saída está logo ali, bem diante de nossos olhos.

Envergonhada pela indiferença ao sofrimento do pobre inseto de indelével beleza, levantei-me e fui até a ela, peguei-a delicadamente e soltei-a no ar. Impressionante foi ver a borboleta sair voando neste céu azul de abril, acariciada pelo sol morno desta estação de uma deliciosa particularidade climática.

Provavelmente a borboletinha irá sobrevoar jardins, polinizar plantas e flores, encher de graça o mundo com sua beleza, seguir sua missão.Inevitável foi, não lembrar duma bela mensagem, que conta a história de um homem que vendo o sofrimento da borboleta tentando romper o casulo, tentou ajudá-la, pegou uma tesoura e fez uma pequena abertura no casulo para que a borboleta pudesse sair mais facilmente.

A borboleta então saiu com facilidade, mas seu corpo estava murcho e era pequeno e tinha as asas amassadas, era incapaz de voar pois saiu do casulo antes da hora certa! Pois tudo na vida, caros leitores, tem a hora certa para acontecer!

O que o homem, em sua gentileza e vontade de ajudar não compreendia, era que o casulo apertado e o esforço necessário à borboleta para passar através da pequena abertura era o modo com que a natureza fazia com que o fluido do corpo da borboleta fosse para as suas asas, para que assim ela conseguisse desenvolver resistência para o vôo.

Muitas vezes agimos como o homem da história, queremos facilitar as coisas para o outro, isso cabe muito bem aos pais, muitos deles acreditam que conceder aos filhos várias “facilidades”, que ao fazer “tudo” pelos filhos, estão contribuindo para torná-los melhores, o que não sabem, ou fingem não saber, é que acabam criando aleijões emocionais e desvios de caráter em suas próprias crias!

Deixem seus filhos crescerem, dêem-lhes boa educação e deixe que eles façam o resto! Pais assistencialistas acabam sendo assistidos mais tarde por uma série de problemas com os filhos.

É preciso ter equilíbrio e sabedoria, antes de sair rompendo casulos, antes de ir poupando os que amamos de tudo, cada pessoa necessita passar por determinadas experiências, e muitas vezes o sofrimento por determinado tempo é a medida necessária para tornar-nos mais fortes e resistentes.Devemos ajudar nossos irmãos, as pessoas que amamos, até mesmo uma indefesa borboleta presa na janela, contudo a ajuda deve ser na medida em que não impedimos o crescimento do outro, não podemos roubar experiências de aprendizagem, muito menos subestimar a capacidade das pessoas que amamos de resolverem seus próprios problemas.

Ajudar não pode jamais isentar o outro de suas responsabilidades, cada pessoa deve caminhar com suas próprias pernas, ou voar com suas próprias asas! De nada adiantaria eu libertar a borboleta da janela se ela não tivesse vontade e condições de voar!

Cada um de nós terá que romper seus próprios casulos ao longo da vida, portanto não faça tudo pelo outro, não queira ser a bengala de ninguém, pois assim você estará correndo o risco de fazer o outro acreditar que ele não é capaz de caminhar com suas próprias pernas. Amor e sabedoria são como remos de um barco, se remarmos o barco com um só remo, ele acabará dando voltas e não conseguirá sair do lugar.

(Cassiane Schmidt)

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Cassiane Schmidt
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Doroni Hilgenberg
 

Cassiane,
Iniciando sua votação

beleza de texto
Perceber o mundo a nossa volta
não significa doar-se por inteira.
Precisamos saber voar e deixar que
outros também aprendam a voar.
bjs

Doroni Hilgenberg · Manaus, AM 18/4/2009 12:32
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Cláudia Campello
 

Bom esse texto.
e é tudo mesmo como dito.
a vida nos chama aos seus desafios...
e temos que aprender sozinhos.
é o processo da... borboleta.

bjsssssss;)

Cláudia Campello · Várzea Grande, MT 20/4/2009 03:49
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