Boxer
Um latido forte que não se ouve mais...
Uma altiva figura de cor escura
com aqueles olhos azul e negro
a devolver-nos o olhar
como a esperar uma ordem
que não vinha...
Nenhuma ordem, nenhum comando
Tudo se resumia a um olhar
a dizer mensagens de amizade
e agradecimento profundo
pela segurança incondicional oferecida.
Boxer II (O mundo como o conheço)
Só conheço esse mundo.
E é nele que me vejo mergulhado
em alegrias e tristezas,
como parte de um jogo
em que não há tempo para lamentações.
Gestos de compreensão mútua
e um enorme agradecimento por participar de tudo,
não como se comandado por vontades terceiras.
Ser de tudo um pouco;
ter do pouco e desse pouco usufruir o muito
e desse muito em tudo se deixar fluir.
Mesmo os ventos fortes
não trazem só destruição;
nem as cinzas representam o fim.
Um eterno recomeçar
e nisso encontrar as facetas da Vida e da Morte
como num jogo interminável.
Ser triste no pouco
e feliz no muito que esse pouco oferece.
Por tudo, obrigado, Boxer, meu velho...
Boxer nos deixou em setembro. Uma infecção intestinal o levou. Levei algum tempo pra assimilar esse distanciamento.
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