Brisa Rubra

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Alex Costa Lopes · Cuiabá, MT
2/3/2007 · 84 · 12
 

O sangue escorre do meu braço esquerdo, devo ter me cortado na arvore lá atrás. O cheiro é inebrizante, o sangue me fascina... o fluir da vida em frágeis veias.
Não posso parar. Sinto o vento tocar meu rosto molhado de suor e sujeira e gotas frescas do recente orvalho nas folhas. O cheiro doce da morte das folhas a sair do chão e inundar as minhas narinas e meu pulmão... a morte que dá vida... Não posso parar, mesmo sabendo que meus pés sangram e derramam o doce sangue nas folhas já mortas, que recebem agradecidas minha inquerida oferenda...
Tenho que continuar, mesmo com a respiração arfante e o corpo doloroso. Tenho que sair. Devo continuar, não posso parar.
A luz entre as folhas está começando a ficar alta, o calor aumenta, o vapor que sobre a das raízes seculares é bom... Estou feliz, embora não saiba por que. As cores, os reflexos, os perfumes que o calor me mostra... Mas não posso parar pra contemplar essas minimesas do caminho... TENHO Q CORRER.
Os cipos do caminho seguram meus braços, tentam me impedir de continuar minha jornada... mais um corte. Um Grito sai de minha garganta, mas eu não gritei...
O caminho está cada vez mais difícil, mas tenho q seguir... mas o que é aquilo a minha frente? É linda...
Seu perfume adocicadamente gostoso chega e me descansa. Sua beleza não tem igual... Fascinado estou... Suas formas perfeitas e carnalmente vermelhas... como é bela, singela... O que é que eu tinha que fazer, mesmo??? Não importa, nada mais importa. Só olhar esta beleza única oferecidamente minha... Nunca vi nada mais perfeito em toda minha vida, minha beleza única, minha flor escarlate...
Que som é este? É DISSO QUE EU ESTAVA CORRENDO... SOCORRO!!
Está escuro aqui...
O perfume de mofo tão conhecido por mim. A leve brisa tocando o meu rosto pontilhado por suores...
Sim é meu quarto. As cortinas brancas inundadas pela luz prateada da lua dança no ritmo da brisa... que ponto vermelho é este no meu travesseiro ao meu lado?
Que bela flor vermelha... Deve ter vindo pela janela. Coloco no criado-mudo fiel e volto a dormir.
Tenho que dormir, amanhã será um dia dificil, muita correria nesta selva de pedra a beira-mar...

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Autoria
Alexandro V. da Costa Lopes
Ficha técnica
Acadêmico do último semestre de Letras, pela Universidade do Estado de Mato Grosso
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Zéduardo Calegari Paulino
 

Um bom pesadelo sonhado de forma linda...

Zéduardo Calegari Paulino · Campo Grande, MS 27/2/2007 00:53
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Adroaldo Bauer
 

Sonhar pode ser tão melhor que o real, ainda que sangre, ou assim pareça. E, depois, se realiza o sonhado.

Alex,
Se me permites: poderias mesmo, com a paciência que os escritores devem ter, revisar a ortografia, pouca coisa na concordância e redigir as palavras inteiras desta nossa inculta, bela e última flor.
Não dói, nem sangra. E te ajudará nas Letras.

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 1/3/2007 10:01
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Zéduardo Calegari Paulino
 

Concordo com o amigo Adroaldo... Ainda tem"q" órfão, e tmabém algumas concordâncias discordantes.
Desse jeito o brilho rubro será ainda maior!

Zéduardo Calegari Paulino · Campo Grande, MS 1/3/2007 11:03
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Juliaura
 

Zé-duardo e Adroaldo te aconselharam bem meu caro criador de sonhos.
Se sonhastes, lembrastes bem. Se criastes, foi como sonhar, não é mesmo?

Juliaura · Porto Alegre, RS 2/3/2007 07:27
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Alex Costa Lopes
 

sim Juliaura, criar e sonhar são dois caminhos muito proximos, nos quais sempre sofremos suas consequencias, dias felizes ou grandes angustias. Minha criação caminha assim, sempre sinto em toda a intensidade tudo q escrevo ou imagino... talvez seje por isso que sempre acabo fazendo alguma piada para quebrar o grande clima de angustia. Nunca sei se estou criando ou se sonhei e estou apenas passando para o papel os meus sonhos.

Alex Costa Lopes · Cuiabá, MT 3/3/2007 20:28
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Alex Costa Lopes
 

Peço perdão pela linguagem tosca, palavras abreviadas e modo tão diverso do meu outro conto...
Primeiro, por que este conto escrevi e publiquei num momento de folga no emprego. E nem sei por que eu nao quis esperar pra corrigir as falhas, simplesmente quis publicar assim, na hora, no mesma forma que veio a mente.
Serei mais cuidado da próxima vez.

Alex Costa Lopes · Cuiabá, MT 3/3/2007 20:32
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Zéduardo Calegari Paulino
 

ô guri!
Pra que tanta desculpa? A fila de edição existe porque ninguém aqui é perfeito...
Além do mais, sabe quanto custa uma boa revisão? Pois é, no overmundo "é de grátis".

Zéduardo Calegari Paulino · Campo Grande, MS 4/3/2007 01:08
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Zéduardo Calegari Paulino
 

E assim mesmo você não corrigiu...
A não ser que sua proposta seja essa mesmo, de deixar os erros aparentes, se for, deixa claro, que você é o criador, e pode deixar o filho do jeito que quiser.
Dizem que essa linguagem da internet é o futuro, vc pode querer escrever na língua do futuro q tdb!

Zéduardo Calegari Paulino · Campo Grande, MS 4/3/2007 01:10
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Adroaldo Bauer
 

Ocorre, zéduardo, que língua do futuro tem a ver com futuro, não é?
Que futuro tem uma língua que desiste de si para ser outra?
Com que sotaque soaram as consoantes sem a memória das vogais.
Ouça o que disse o famoso escrito e poeta do milênio passado não publicado: drld br spdl crr.
Sem as cinco pequenas fadinhas da língua, poderemos até ser germânicos que não teremos comunicação em razão de que não há memória dos sons. Na escrita será necessário o aprendizado do lfbt, enfim sem acentuação (rsrs). Nem falemos de crase e subtônicas, que me parece coisa que vem com limão e sem gelo.
Saudações do Lácio,
Adroaldo Bauer Spíndola Corrêa

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 4/3/2007 09:59
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Zéduardo Calegari Paulino
 

Adroaldo, em particular eu concordo.
Mas as pessoas são tantas e diversas, que compreendo cada um tem uma maneira de ver essa coisa orgânica que é uma língua dentro do tempo.
Se aasim não fosse, ainda escreveríamos actualizar ou elle, e ainda outras grafias. Na verdade, se um antigo falante da flor do lácio, diríamos de 100 anos atrás, caísse por aqui iria com certeza levar imenso susto como nos comunicamos agora!

Zéduardo Calegari Paulino · Campo Grande, MS 4/3/2007 17:17
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Adroaldo Bauer
 

Tenho acordo sobre a evolução da linguagem e a posterior incorporação à escrita, bicho. É legal isso daí. Tri-legal, se me faço entender, pra não ficar por fora.
O que observei é a impossibilidade de pronunciar palavras sem as vogais, que é o caso da escrita em internetês.
As consoantes mesmas, para soar, necessitam das cinco vogais. E, veja você, soam de modo diferente comonforme a língua de origem, não é mesmo?
É uma porteira aberta para a definitiva ocupação cultural e aniquilamento da língua nossa de cada dia.
Pode ser o futuro que alguns em sua diferença pretendam pra meus netos e netas, filhos e filhas; eu, diferente também, não tenho acordo com esta possibilidade por estamos estamos aqui nesta micro trincheira fazendo o bom combate.

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 5/3/2007 09:23
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Zéduardo Calegari Paulino
 

Agora concordo completamente contigo!
Saquei, bro!

Zéduardo Calegari Paulino · Campo Grande, MS 5/3/2007 17:27
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