peão quando dá pra ser caborteiro
é que nem porco em chiqueiro
é mais esparramado que arroz secando
parece chuva fininha
quando viu acabou molhando
parece cavalo chucro na doma
gato fugindo do banho
cachorro que deitou na lama
bezerro que perdeu o rebanho
na primeira tá ali
na segunda sumiu
peão quando dá pra ser caborteiro
é um esparramo,
é um tiro de fuzil !
Rangel, boas imagens pantaneiras.
Peão caborteiro é como lobo assustado:
no primeiro estalo do cipó, desaparece no sapé...
E só obedece a viola, o carreteiro e o tereré...
Salve, Anastácio!!!
Salve, Frazão!!!!
Obrigado pelo comentário, amigo!!
Rangel: teu cantar arde e queima nossas mentes. Parabéns!
Benny Franklin · Belém, PA 25/7/2007 20:56
Benny, ao menos que atenda a Milton Nascimento:
"calor que arde, queima, encoraja - amor..."
já me sinto feliz!!!!
Obrigado.
Rangel,
adorei conhecer essa palavra,"caborteiro", em um lindo poema.
Abraços de Betha.
Betha!!!!!!!!!!
Obrigado, minha menina de Carnaíba!
AMIGO RANGEL CASTILHO...
Estou saindo do "OVERMUNDO"...
Quero deixar dois poemas para você...
E O TEMPO NÃO DEVORA
( Lailton Araújo )
Será que sou um passageiro de um trem noturno
viajante sem rumo nas terras européias?
Será que sou um cidadão do mundo nos aviões
voando sem metas nas retas continentais?
Talvez eu seja um aprendiz de poeta escrevendo
os versos que voam e viajam sem métricas
Será que sou o protetor dos desertos, guardião órfão
guerreiro sem armas, lutando por igualdade?
Será que sou o cantor das minorias, amado e odiado
por críticos ferozes, nas arenas das comunicações?
Talvez eu seja um homem tímido, buscando novo ar
e formas de sobrevivência sem dar um único grito...
Sei que não sei o que sou e não saberei o que virá
e viajarei nesse mundo seguindo o que Deus mandar
Serei sempre um andarilho nas novas vielas do acaso
e falarei de amor em versos longos e abstratos
Foi o coração que aproximou os nossos caminhos
nas distâncias que o tempo marca e não devora
UM URSO NO PAÍS DAS TRAVESSURAS
( Lailton Araújo/Luizinho Salvador )
Sempre falam do folclore e da canção
Da bela terra, lá distante, no Sertão
E por motivos tão alheios ao meu povo
Hoje canto verdadeiro verso novo
Descamisados vivem lá na redondeza
Nos povoados situados na pobreza
Não se sabe como ensinar a tal lição
E bem menos o tempo da hibernação
Cachoeira, a peneira do cascalho
Ribanceira, a parede do riacho
Lancei o pensamento no passado
Cansei de viver muito humilhado
Quero mel, quero peixe, quero toca
Proteção do maldito caçador
Urso velho no país de travessuras
Cansou de perder o seu valor
Diz o ditado do pequeno lenhador
A foice boa tem no cabo um pensador
Eu fico atento ao provérbio criador
Se não consigo entender o predador
Encabulado, não desfaço o pensamento
Da cachoeira peneirar todo cascalho
E chateado, olho lá pra o firmamento
Nesse momento, entrego a Deus o sofrimento
Urso velho no país de travessuras
Cansou de perder o seu valor
Valeu pela consideração artística...
Abraços.
Lailton Araújo
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