A nossa missão ali deveria ter levado 15 meses entre ida e volta, mas a descoberta do Novo planeta e sua população primitiva nos obrigou a construir um muro de proteção paralelamente à construção da base em terra para apoio à estação de observação. A convivência com os nossos novos amigos já era razoável e nos comunicávamos através de gestos. Eles até estavam tentando copiar o que dizíamos e em breve deveriam ter um vocabulário desenvolvido. As duas naves enviadas por Adan já estavam a caminho e começamos os preparativos para a viagem de volta. Deixamos um contingente de homens e mulheres membros da tripulação e partimos no final de novembro de 2042. Um ano e nove meses ao invés da previsão inicial de 15 meses. Haveria ainda durante o caminho de volta a missão para desvendar o caso do estranho planeta de Delora. Minha aventura naquele planeta em minha viagem inicial ainda era motivo de brincadeiras. Mas Adan queria saber o que era aquele estranho planeta e a missão caberia a mim. Nós o monitorávamos constantemente e mesmo que não pudéssemos observá-lo detectávamos sua presença por leve oscilação nas órbitas de planetas próximos. Nos primeiros dois meses a viagem transcorreu sem novidades. Ao final do terceiro mês detectamos sua presença a 1,2 milhões de km um pouco mais próximo do que da vez anterior. Resolvemos por precaução estacionar a nave em uma órbita de um planeta próximo de onde se encontrava nosso alvo. Dali eu poderia alcançá-lo, como da outra vez em uma nave de combate. Maiha queria que eu usasse uma nave com dois lugares e que levasse alguém comigo, mas não aceitei. Essa era uma missão que eu deveria cumprir sozinho. Deixei Maiha no comando e parti. Viajando nos espaços-tempo paralelos eu o alcançaria em 10 horas de viagem. Quando finalmente o avistei, a coisa me pareceu muito estranha parecia uma estrutura de ferro queimando por dentro. Parecia uma bola de magma incandescente com uma espécie de rede a cobri-lo. - Maiha! Você sabe o que é aquilo? – Rogério, no meu monitor não dá para definir, mas não há nada que indique alteração nas informações anteriores. – Ok, vou me aproximar com cuidado e ver o que acontece. Os sensores de fato não acusavam calor excessivo ou qualquer outra anormalidade, o que era bastante estranho. Coloquei a nave em órbita e decidi observar. Aquilo estava me parecendo uma camuflagem. Decidi então criar uma projeção material da nave e paralelamente manobrar para que a projeção pudesse ultrapassar aquela área e então eu poderia observar o próprio interior do planeta Controlei a distância para permanecer fora do alcance da estranha parede que o envolvia. As imagens vistas pelas câmeras de proa da projeção eram bem nítidas no meu monitor, como se eu próprio estivesse invadindo o espaço deles. Assim que atravessamos a barreira descortinou-se a mesma paisagem que havia visto em minha viagem anterior. Eu estava agora mergulhando em direção ao oceano e reduzi a velocidade, queria ver o que eles tinham de vida marinha. Para meu espanto, não havia nada, nem mesmo parecia água. Era como uma gelatina meio gasosa. Continuei avançando lentamente e penetrei no que devia ser a calota do planeta e por um tempo, não conseguia ver absolutamente nada, mas continuei avançando vagarosamente. Em determinado momento atingi o que Delora chamara de cidade. Então a visão que tive me deixou completamente atônito e comecei a sentir náuseas, mas aos poucos o sangue me subiu a cabeça e um ódio mortal tomou conta de todo o meu ser.Eu estava num corredor imenso cujo final perdia-se na distância. Nas laterais, fileiras imensas e intermináveis de cadáveres, humanos de todas as espécies. Quase todo o interior daquela coisa estava recheada de cadáveres conservados em enormes frascos transparentes imersos em um líquido estranho, provavelmente um conservante. Contendo a ânsia de vômito eu avançava. Via pessoas de etnias conhecidas, como negros, asiáticos, ruivos, adolescentes, adultos, não havia critério. Até seres como os nossos amigos cinzentos faziam parte da macabra coleção. Não sei o tempo que durou até que chegasse ao centro daquele inferno. Então quando consegui, comecei a entender. No centro daquela coisa havia máquinas que provavelmente serviam para movimentar aquilo utilizando a força de gravidade dos planetas próximos, como meio de propulsão. Mais para o interior salas enormes e seres que pareciam humanos, todos nus, como Delora me havia recebido. Eram evidentemente mutantes, pois a uma das mesas algumas criaturas disformes, como o que eu chamara de gelatina, Absorviam partes de corpos humanos. – Meu Deus! Pensei, energia solar coisa nenhuma estes miseráveis alimentam-se de carne humana. Usavam artifícios como a presença de Delora para atrair eventuais visitantes que se atrevessem a penetrar em seu espaço. Eu estava estarrecido com o que havia visto e eles embora percebessem a minha nave invadindo seus domínios, não esboçavam a menor reação. Tinham certeza de que não poderiam ser molestados. Tratei de sair, mas vagarosamente Eu não tinha pressa! Em determinado momento uma tatuagem sobre o peito de um dos cadáveres ainda jovem, não deveria ter mais que uns 17 ou 18 anos. Dizia, “ Nora eu te amo!” Sobre um desenho de um coração. Estava escrito em Português, Brasileiro ou talvez Português. Confesso que não pude conter as lágrimas, tomado de uma raiva fora de controle eu acelerei até sair fora daquilo. Coloquei-me a uma distância segura e procurava conter meu ímpeto. Mas, eu estava determinado. Debrucei-me sobre os controles do painel e chorei. Eu precisava fazer isso. – Maiha! – Sim comandante, eu sei. Não sei o que você viu, mas sinto que foi algo muito forte. Chore! Isto vai fazer bem a você! - Fiquei um bom tempo observando aquela coisa. Depois selecionei uma ampola de antimatéria de 30 megatons. E disparei. O imenso clarão como um sol, chegou bastante perto. Pouco mais e eu teria ido junto. Depois o vazio negro do espaço. Sobraria daquilo apenas um pequeno buraco negro pouco maior que um grão de ervilha. Pela primeira vez eu senti algo que jamais pensei um dia pudesse sentir. Eu senti prazer! Prazer de matar! Lentamente dei a volta e acelerei. A voz suave de Maiha novamente me tirou daquele transe em que me encontrava. – Rogério! Eu vi! Nem vou perguntar por quê! – Maiha! Depois ponho você a par de tudo! Foi a coisa mais terrível que meus olhos já presenciaram.
- Tenho certeza disso! Para vê-lo assim, deve ter sido algo aterrador. No resto da viagem eu não tirava aquela visão da cabeça e tinha agora certeza de que eu iria caçá-los onde estivessem. – Bravo meu comandante! Era a voz de Adan 7. Ele sempre sabia de tudo. – Adan, perdoe-me se fiz algo errado, mas, não pude me conter e nem queria me conter! – Não se preocupe! Você tem meu total apoio. Como disse a você, o multi-universo é cheio de vida, de todos os tipos e todas as espécies e há de tudo. Não será a última vez que você vê coisas desse tipo. – Obrigado Adan! – Agora dedique-se apenas a viagem de volta. Fique em paz. Retornando a nave, Maiha e Iub vieram me receber. Iub me beijou e disse. – Rogério! Estar triste! Iub triste também. – Não foi nada Iub, já passou. Maiha me abraçou. – Ok! Chefe! Agora vá descansar. - Nada disso, seu turno não está terminado? Além disso! Ficou o tempo todo responsável pela nave. – Chefe! Eu ordeno! Na condição de comandante, uma vez que ainda não passei o comando de volta a você! Além disso, isto aqui ta uma chatice não está acontecendo nada fora do previsto. – Maiha, deixar, Iub levar ele pra cama. Era isso que eu temia. Eu estava um lixo, mas Iub não iria querer saber. Claro que quando Iub finalmente me deixou dormir, eu apaguei. Na manhã seguinte cheguei à sala de comando e o pessoal estava todo de cochichos. Quando me viram trataram cada um de fingir que estava trabalhando. – Ta legal! Já que trabalharam tanto, devem estar bastante cansados então! Todo mundo de folga pro resto do dia. Vamos, não quero ninguém por aqui. O espaço a minha frente era apenas o vazio negro de sempre. Coloquei a nave no controle de navegação e fui ao refeitório tomar um café e sabia que encontraria Maiha. Era o dia de folga, mas ela sempre vinha. – Oi! Sente aqui comigo. -Claro! Dormiu bem? – Sim! Mas, estava curiosa! O que afinal você viu? Contei então com todos os detalhes e ao cabo vi lágrimas em seus olhos. – Não me admira que tenha sentido tanta revolta. – Maiha! Sempre houve na terra, desaparecimentos inexplicáveis, casos de abduções por extraterrestres. Milhares de pessoas que sumiam todos os anos sem deixar qualquer vestígio. Sabe-se lá há quanto tempo vem ocorrendo este tipo de coisa. – Puxa, quando vi aquele clarão, temi por você! Na exagerou na dose? – Não! Eu não queria que sobrasse uma pulga viva naquele inferno. – Bem, pelo menos desta vez você não teve que fazer xixi em cima de ninguém! Voltei para o comando e sentei-me na minha cadeira. Meus pensamentos vagavam pelas estrelas ao longe. Era tudo admiravelmente gigantesco. Uma inteligência de tal magnitude que jamais poderíamos calcular foi capaz de criar tudo isso. Bilhões de universos compunham o que Adan 7 chamava de multi-universo. Um todo de proporções impossíveis de serem plenamente calculadas ou sequer compreendidas pelas mais avançadas mentes de nosso tempo. Com que finalidade? Porque seres tão insignificantes como nós, temos acesso a tanta beleza e ao mesmo tempo tanta diversidade, de seres maravilhosos e de seres terríveis como aqueles? Os cinzentos que escravizam outros povos? Os seres humanos que escravizam seus próprios semelhantes? - É isso meu comandante! A voz do Adan desta vez me arrancou de meu devaneio e cheguei a levar um susto! – Isto é Deus! Meu comandante, você não queria saber? Nós apenas não somos capazes de entendê-lo! Ele é o próprio multi-universo. E tudo isso, cabe aí dentro de você. Mas você é livre para arbitrar sua própria existência, praticando o bem ou o mal. Quem decide é você. Ok, agora chega de papo furado! Tenho uma missão muito importante, mas, você irá sozinho. Vou mandar a Iub, numa missão diplomática junto ao rei, seu pai. Assim ela não irá reclamar que marido viaje sozinho! É ele sabia sempre tudo, até o que eu estava pensando!
2040-10
Ao encontrar o misterioso planeta de Delora, Uma surpresa terrível exige umna resposta radical...
Meu caro, tome cuidado !
Começam a surgir inevitáveis comparações com fatos ocorridos na Terra do passado...
o relatado nessa saga nos remete a Auschwitz, com leves toques de premissas de ARQUIVO 'X' & THE 4400...
Uma sutil referência a canibalismo parece muito semelhante ao que Rod Taylor presenciou em sua "A MÁQUINA DO TEMPO"...
Sou um viciado em ficção científica e é muito difícil esquecer certas cenas em certos filmes ou livros...
A indignação do personagem diante da constatação da chacina é um dos clichês mais manjados desde quando Charlton "Taylor" Heston vislumbra a meia Estátua da Liberdade no inesquecível PLANETA DOS MACACOS primeiro e único...
Cuidado, Laurinho, nós, chatos de plantão estamos em cima da pinta, seja criativo, ainda não vou te processar por plágio, mas tá quase chegando perto !
No mais, a história tá muito bem narrada, acho que eu que tô ficando véio e implicante, rabugento ao extremo, querendo aparecer mais do que você, gênio criativo, uma raríssima exceção hoje em dia, onde ninguém escreve mais sobre ficção científica, talvez até pela existência de chatos como eu !
Eu sou aquele cara que viu tudo, bicho, de Solaris ( original ) a 2001, uma Odisséia no Espaço, nada escapa a meus atentos olhos, minuciosas referências, nitidamente influenciando os novos autores, mas de uma maneira criativa, como está sendo até agora, sem clichês manjados, né ?
Cara, isso num foi nem de perto uma crítica, ok ?
Só toma cuidado pra num 'usar' algo que um chato de plantão possa te encher o saco depois...
"Vida longa & próspera" !
Um beijo !
Caro Alcanu! Também assisti aos filmes sitados, mas não vejo semelhança alguma , no conteúdo e sertas atitudes, não são privilégios do cinema americano. Não concordo com o clichê. Talvez alguma passagem sitada lembre algo semlhante, como cadáverse em ampolas que já apareceram em outros filmes. Mera coincidência. Não crei que qaulquer passagem possa ser tachada de plágio. Em todo caso, resopondo por meus atos.
Abçs
desculpa, Lauro, sou um cara perfeccionista demais...
As situações são completamente diferentes, só tô te dando um toque que às vezes elas ficam tão gravadas no nosso subconsciente, que a gente cisma de usar alguma coisa e tal, entende, sem nem se dar conta de onde q veio essa idéia...
as coisas que eu escrevo, por exemplo, pode ser que tragam nítidas influências de outras coisas que li, de filmes que vi, a gente é uma colcha de retalhos dessas idéias...
você é um talento nato, um plagiador barato não se sustenta nas primeiras linhas, você constrói situações e sequencias inteiras com brilhantismo...
Vida longa & próspera é ou não é um plágio ?
amigão, do jeito que todo mundo ta 'desligado', a impressão que eu tenho, aqui nesse overmundo é que se eu 'chupar' um capítulo inteiro dos Lusíadas, vai ter nego aí achando o mor barato !
Tomara que eu esteja errado !
um beijo !
Lauro meu amigo...seus contos acabam com minhas unhas...
Mas digo uma coisa: torci para o Rogerio explodir aquele planeta.
Que mente a sua! Nossa dá até medo..
Adorei!
Parabéns!
Bjos
Patty
eu que nunca gostei de ficçao to me "amarrando", rsrs
ta mto envolvente a historia........romance, filosofia, etica, suspense...tudo mto bem dosado. coisa de "outro mundo"...viajante!
bjsssssss;
LAURO WINCK · Rio Pardo (RS)
Caça ao planeta de Delora
Mais uma Aventura incrível com as famosas coisas do Arco da Velha.
Impressionante e marcam a alma da gente.
Parabéns pelo Trabalho tão valoroso.
Abração Amigo
eu tenho a impressão de ja ter visto uma cena como essas em algum filme...¬¬
Greyce Kelly Cruz · São Luís, MA 1/10/2009 09:16
Menina Flor, os próximos dois contos amenizarão um pouco.
bjs
Gookz! Alguma cena coincidente numa época em que se produz filmes em maça, é algo qase inevitável. Acho que meus contos diferem mmastante em conteudo e proposta. Neles você não vai encontrar um ET com cara de cahorro como o Shubaka, nenhum um robot com tiques boyolas, ou um Jedi minúsculo com orelhas de morgego e vestindo um saco de aninhagem.
Um beijo.
Claudinha, os próximos 2 contos trarão um pouco de romance, algo inusitado.
Beijo
Raphael Reys, Obrigado.
Mestre azuir obrigado.
abçs
O Universo é grande porque grandes somos nós, seus filhos.
Muito bom Lauro. Parabens... Luz e Paz. jbconrado.
Lauro! A sua caça ao planeta de Delora, lavou a égua, tchê!!!
Como sempre, seu texto me prende e me arrepia... Não se esqueça
nunca, que você é mais você e sempre será... Adoro seu estilo e seus personagens. Votado
Tri-beijo
texto interessante, abraçossssss
O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca, SP 7/10/2009 07:54Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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