O Novo Mundo precisa se inventar como Utopia, é um novo lugar que deve criar seu sentido. Caetano Veloso e Richard Rorty são dois autores que caminham nessa direção utilizando-se de meios diferentes: o primeiro com a canção, o segundo com a filosofia. Nesse trabalho pretendo aproximar a idéia de Utopia Liberal de Richard Rorty do conceito de Utopia Lírica, criado por Renato Janine Ribeiro na análise da obra de Chico Buarque, que redescrito, aplicamos à obra do compositor baiano, como ferramenta para pensar a Música Popular Brasileira. Aproximando essas duas versões de um pensamento utópico poderemos contextualizar e problematizar os pontos comuns e as diferenças entre as perspectivas destes dois autores, marcados pela valorização da imaginação e pela critica da sede platônica de reunir Beleza e Justiça em uma única visão. Seguindo a trajetória da obra de Caetano, poderemos entender como se configura a idéia de “Esquerda Cultural” no Brasil e a forma como lidamos com as demandas do multiculturalismo. A idéia não é que um mesmo modelo de Utopia seja pertinente ao Novo Mundo, como afirma Caetano Veloso na letra de Fora da Ordem: “Eu não espero pelo dia em que todos os homens concordem/ Apenas sei de diversas harmonias bonitas possíveis sem juízo final”.
Texto de uma comunicação que apresentei no Congresso Internacional Richard Rorty em Outubro de 2009 no Rio e Janeiro. É "parte" de um artigo que estou finalizando chamado A utopia de Caetano Veloso e a filosofia no Brasil.
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