CAIEIRA
Escolhe-se bem a terra,
Dela faz um barreiro.
Encharca-o bem com água,
Molhando-o por inteiro.
Do barro faz o tijolo
E o bota pra secar.
Depois desse processo
Está pronto pra queimar.
A parte mais importante,
O momento da montagem.
Alguém com experiência,
Se encarrega da pilhagem.
Monta-se uma caieira,
Com parede emboçada.
Quatro túneis em baixo,
Convida-se a moçada.
Corta-se muita lenha,
Pra queimar a noite inteira.
O contador de estórias,
Chega cedo a caieira.
A brasa virou cinza,
O sol ja se mostrou.
O povo vai para casa,
O tijolo já queimou.
LENHA
Ainda muito escuro,
Cedo de madrugada.
Levanta o tropeiro,
E acorda a moçada.
Amarrados no terreiro,
Um lote de jumento.
Com cangalha alçada,
Pronto pro regimento.
Uma cabaça de água,
Cordas e roçadeira.
Espingarda e machado,
Rapadura e peixeira.
A vida era difícil,
Um terrivel sofrimento.
O cabloco laborava,
Sufocando o sofrimento.
Depois da lenha cortada,
Recolhida e ajeitada.
Na cangalha era posta,
Com corda bem amarrada.
Após e arreamento,
a luta continuava.
E uma-a-uma por vez,
Toda lenha era lascada.
Caieira é um trabalho documental e monumental sobre a arte e cultura das comunidades ribeirinha, o fabrico do tijolo ainda de forma artesanal é feito desta meneira descrita com desenvoltura e a precisão do conterrâneo Assis Pio. Parabéns
Coluna do Domingos · Aurora, CE 3/11/2008 16:58
assis pio · Aurora (CE)
CAIEIRA E LENHA
Maravilhoso como colocou em poesia o processo da confecção dos Tijolos, inclusive com o mutiráo feito e a busca da lenha na mata.
Verdadeira epopéia.
Nordestino é forte, Fez Lembrar Euclides e Patativa do Assaré.
Parabéns pelo Trabalho.
Abracáo Amigo
Domingos disse tudo. Documentário em versos que transmite o cotidiano dos trabalhadores artesãos.
Legal. Tem um alto teor informativo.
Votei.
Seus dois poemas para mim retratam com simplicidade pra lá de competente (ser simples é muito dificil, por estranho que pareça).
Versos com cheiro de interior, da marca do trabalho de gente que não foge da lida. Aliás, contribuem e muito para o crescimento da nação com seus tijolos e lenhas.
Parabéns.
Votado.
Publicado com muita honra teu texto maravilhoso!
beijo no coração!
Barreiro é tipicamente cearence
Muito bom
Publicado
Corta-se muita lenha,
Pra queimar a noite inteira.
O contador de estórias,
Chega cedo a caieira.
linda poesia amigo, parabéns.votado.
Assis,
belos versos,
quanto trabalho e suor para que haja progresso!
bjs
Legal mesmo!!!! gostei e votei grande overmano
José Cycero · Aurora, CE 10/11/2008 09:39Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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