revolvendo a minha caixa de dós
vou serelepe até onde o mundo acaba
desatando a cegueira dos meus nós
vendo a sorte que sobre mim desaba
que me venha o suporte
telúricas comichões
nem príncipe, nem consorte
perfeito para outros corações
réu solto no desvairio
carregando do fardo
sobre o charco do ludibrio
nem preto, nem branco
apenas um pardo fugidio
provo do riso colérico por dom
gargalho no dia prolífico por nada
conheço o estado histérico por tom
tiros no nada em curvas de estrada
das piedades expostas nas prateleiras
de segunda pra sexta, em todas as feiras
me tolhi de dó
pelos fracos guiados em coleiras
até os bardos engolfados de frieiras
e mesmo com a dôr penhorada
me senti só
do elétrico restou o inerte
nem mesmo um rastejo se deu
da inanição ao sacio se converte
com luz, ou cego, ou no breu
meus prezados contendores
perdidos em nome dos seus
afim de se expor aos horrores
dos finais ditos romeus
da caixa de dós, a minha pena
compreende o vagar doloroso
reacendido pela cena
do teu caminhar desonroso
por ti estendo a mão
querendo-o comigo
abandonando o chão
entendendo o que digo
ser humano sairá
da boca do carcará
enquanto eu for seu amigo.
É de amigos assim que o Mundo precisa... já votei, meu caro. Parabéns, simples e direta mensagem, com toques de beleza colorida como o desenho que a ilustra. Abraços do "NATO"
PS.; a segunda parte de TIRO E QUEDA está em votação
Amigo Nato,
Obrigado pelos ricos vocábulos, estou indo "passear" pelos seus escritos já! Um abs.
Tua caixa vibra de sons, ritmos e saudades. Lindo.
Abraços.
Já leu o meu poema, Retalhos de Aprendiz? Se puder, dê uma passadinha por lá.
Abraços.
Betha,
Grato pelas palavras, fico feliz que tenhas gostado. Também te farei uma "visita". Um abs.
Marcelo,
Explêndido!
Um dos teus mais belos poemas!
...
entendendo o que digo
ser humano sairá
da boca do carcará
enquanto eu for seu amigo.
Que grandeza!
Fico com o todo, mas destaco a frase: ... desatando a cegueira dos meus nós...
Um aBRAÇO, Marluce
Marluce,
Fico-lhe grato pela leitura e comentários elogiosos. São de interpretações desse calibre que um poeta sobrevive. Um super abs.
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