1.
Aqui o poeta levita...
assim, na sua masturbação, o vinho novo
em cálices novos persegue-se,
o verbo arqueia-se, e deita-se a palavra.
Oh! destino! não ouso calar-te.
A ereção gramatical não grita,
ou ejacula a metade, ou mofa as nádegas,
tampouco liquefaz-se aérea;
e, assassinar os campos de cachoeira
é como desmontar o poema,
que na tara se condensa...
2.
O silêncio impôs a carne
(estância sem agasalho)
a membrana da áspera sarjeta, ...
ai... mas com tão nefasto vômito
que apenas penetração reboa,
e com tão breve vida desiste, ...
e com água filtrada perdoa, ...
e com doce aruanda consiste, ...
e com banho de cheiro caçoa, ...
cujos pentacantos de um sonho irremediável
(tal o suor comendo areias...)
oferta-se à palavra e cerca-se de dores,
louva-a pelos arames farpados,
extermina-a ante o ridículo da fala,
perfura-a inveridicamente
enquanto alada, penetrada.
3.
Regozar o quê?
Lacrimejar sangue, saliva e corrimão?
Quando a oração abortará a indulgência,
a súplica- a fé?
Lágrimas?
Ai... caem nas flores que o tempo vai beijar.
Ai...
Por quê celas infantis gritam de sede
e dor – por quê?
4.
Sob o olhar da pagã aurora
não temo o norte e o frio...
pois superabunda-se o vento a desvirginar-me
como a fritar-se qual paixão que nunca é lógica...
álibi da fúria que é pródiga em assassinar o futuro,
tal qual o cajado eletrônico que destampa o mormaço,
e magoa e sacrifica a solidão
dos poetas..
5.
Transpondo o ulterior fluxo da vida,
onde a asceta palavra
goza e dá-se (entrincheirada) a lida do homem,
ai, condeno-me a viver
na impaciência da consciência
- e só.
Benny Franklin
Poema (re)construído (em São Paulo sob o vazio dos minutos que antecederam a noite de autógrafo da fantástica Cintia Thomé que não pude estar presente...) a partir de um poema de 1986.
De fato, aqui o poeta levita. E o que é afinal entregar-se à leviana poesia? Levitar até liquefazer-se num nada cheio de um tudo incompreeensível. Parabéns!
Kasinsk · Embu, SP 15/4/2008 19:25Caro Benny, primeira vez que leio trabalhos seus, descobertos numa zapeada pelo over. Cara, que beleza, que turbilhão de palavras com seus signicados que se alteram a cada vez que se lê... que sensações de angústia e vazio nestaa "ejaculação" de palavras, sêmem, sementes jorradas assim, ao léu, trazendo taantos e tantos entendimentos e desfazimentos... sua póesia é provocativa, é instigante, afeta os nossos sentidos... e a gente levita, ou se arrasta, ou se eleva... depende do estado do espírito que te lê. Muito bom!
danlima · Brasília, DF 15/4/2008 22:45Lindo poema meu poeta del mundo.Como todos que a já tive o prazer de lerUm fraterno abraço.
clara arruda · Rio de Janeiro, RJ 16/4/2008 05:21
Benny
Ah...se todas as orquideas falassem como eu queria...mas elas estavam lá, faltou teus olhos, tão alvas como a paz, o branco de tua alma...mas não as vi chorar...mas sei que no meio de Sampa corria uma lágrima por que eu disse nesta vida tão vadia...: Parecemos Nós... orquideas
Orquidea Selvagem Henry Ford sempre
.
O poeta é perfeito, a reconstrução é perfeita...a fotográfa Aninha é perfeita...o que + queremos???? Aqui nós é que levitamos...
Mil beijos....
Aqui é assim,de uns textos a gente vai vendo outros e forma-se um leque de amizades
Adorei sua reconstruçao e vo[l]arei
É bom votar aplaudindo !!!! Mil beijos !!!!!!
marilia carboni · Londrina, PR 17/4/2008 21:03
versos ( como sempre ) extraordinários!!
abração,
Aqui estou para a publicação.,sob o olhar da pagã aurora.
clara arruda · Rio de Janeiro, RJ 18/4/2008 09:45
Lágrimas?
Ai... caem nas flores que o tempo vai beijar.
Ai...
Por quê celas infantis gritam de sede
e dor – por quê?
Um vazio aqui deste lado invade a minha alma
Nem sei bem a razão, se é que haja razão
nas cabeceiras das pessoas. Deitar e dormir
com tantos feitos desfetos...
Uma lâmpada se apaga
e conduz ao ponto final...E assim, fica o vão, vadio e um vazio cheio de dor...vácuo.
Ser forte é lida, é luta, mas já aqui do outro lado do monitor... não há lágrima a cair...caída já está, eu que não vi...
Se entender, perfeito, se não entender
digo que toda vida que renasce, nasce ainda nada preenchida
e tem que se começar ou recomeçar, mas demora como uma lagarta que sai de um casulo,,,demora a ter asas...mas elas crescerão...
É difícil a metamorfose....e assim estou. bjus.
Lindos versos, Benny,
com toda força que sai de tua poesia e nos transporta para outras fantasias.
Abçs de Betha.
Salve Benny,
Belissímos versos formam este poema de primeira linhagem.
Um canto de dor e paixão pela palavra.
Voltarei para reler mais vezes.
Precisa-se de tempo para sentir... sentir...
Beijos e votos de agora.
Parabens!
Regina
Completando a mensagem...
Mais uma beleza da sua lavra.
Bem ao seu estilo - forte e profundo.
Votei.
abrs,
Suas idéias e figuras e símbolos fluem como as nascentes do norte, aos borbotões, formando os mananciais. Poesia rica que nos põe em contato com uma multiplicidade de insights a lembrarem os vôos dos guarás. E há o perfume da piprioca e a sensualidade do patchouli, como em uma travessia da Guajará ao som do carimbó. rs. Parabéns pelo belos versos.
abraços.
é na criação (no caso, o fazer poético, ensandecido, urgente e necessário, como uma fome), Benny, que o poeta busca (e encontra?) companhia? é isso?
e após a criação , após transpor o "ulterior fluxo de vida", quando a obra já é ser vivente e independente e solto do criador, e após isso? o poeta consciente volta a ser só? é essa a tragédia do artista consciente?...
Juro que vou ficar com isso na cabeça por algum tempo...
Valeu!
Carpe diem!
Querido Benny:
Condena-te a viver
Vida ... Vi_vida
...
Muito interessante
Mais_ainda instigante
...
Beijos_Meus*
*
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