Do tempo que sou?
ora, te digo já
sou do tempo da véa noca
pomba-gira do terreiro
do zé da porca
sou do tempo do seu inocêncio
coronel impiedoso
não perdoava hômi frôxo
sou da era do pião rôxo
cipó desgraçado
minino danado
que não entrasse na linha
dele provava
sou do tempo
da marinarva
moça bonita e formosa
desonrada
por chico trem
que com ela teve de casar
sou tempo de passarinhar
mocó do lado
baladeira
aquela espinheira...
Sou do tempo de raimundo bacurau
vaqueiro daquele jeito
por aquelas bandas
nunca mais apareceu igual
duro feito pau
derrubava boi à força
mas, ora, era filho
do nêgo gentil
caboco lá das bandas do roncador
que dizia ter o corpo fechado
pelas mãos
do joão rezador...
do tempo que flor
inda era fulô
que juriti avoava
dos tempos de farinhada
beijú de coco
macacheira assada
do tempo que o socó-boi
lá no igarapé
pescava por diversão
agora, coitado do bichin, peixe tem mais não...
sou do tempo que caçar tatu
se fazia à meia-noite
do tempo que sapo
se esbaldava na invernada
que o capelobo metia medo
na criançada
do tempo que nada e tudo
era a mesma coisa
ô, tempo bão!
tempo de fartura
tempo de gengelin
pisado no pilão
que me tomaram
por uma coisa, dizem,
chamada "civilização"
Caro Acácio,
gosto muito desse estilo que exploras vez em quando. Versos cadenceados em rimas agradáveis e com tema sobre a reflexão do tempo de um sertanejo. Tempo como tema, vou fundir minha cuca...rs
Parabéns
abraços
Saudades de você. Esse tempo sertanejo lento, atropelado pela civilização. Belíssimos versos, Acácio.Domínio da linguagem. Parabéns
Compulsão Diária · São Paulo, SP 18/7/2008 23:16
Linguagem cabloca posta a ninar um poema bucólico com um leve sabor de crítica.
Aplausos!
Herculano
Como sempre,brilhante,ACácio,meu querido e lindo amigo-poeta!
Civilização? Aonde?rsrs...pecisamos mesmo civilizar as ações...que se perderam no abismo moderno...
Que saudade da paz das cantigas desse tempo quase perdido, engolido pela urbanização, mas muito vivo em nossa memória....
Uma linguagem musical...quase uma cantiga sertaneja mesmo...cheia de delicadeza e naturalidade que só encontramos nos sertões ...doce saudade...
Parabéns,meu lindo!
Poema crítico e cheio de ritmo!
beijinhos azuiszencarinhosos...
Raiblue
Abrindo a votação....será que sou trevo hein?rsrss
Feliz dia do amigo,meu querido Acácio!!!
um beijo azulzinho com carinho...
Rai..Blue
Belissimo versejar querido poeta!
meus votos e meu carinho!
beijo no coração
Gostei muito de tua cantiga.Parabéns!
Abraços e votos
Que maravilha de poesia/conto/ensaio !!!...cinematografico, amigo !
votado "com gosto"...
abs
Joe
Cantiga dos bons tempos, cheia de saudade.
Parabéns.
Beijo.
Muito bom. Original... Êta saudade danada do Tempo que não volta mais. Abraços.
ayruman · Cuiabá, MT 21/7/2008 09:56um linda obra em todos os sentidos.votei.
O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca, SP 21/7/2008 15:41
tempo de fartura
tempo de gengelin
pisado no pilão
que me tomaram
por uma coisa, dizem,
chamada "civilização" "
Acacio,volto aos amigos overmanos para admirar poetas com voce!!Obrigada por elogio e voto em Meu Baião,e voto com alegria grande dos seus versos!!Abraços.
muito obrigado por todos os comentários elogiosos.
abraços a todos os amigos
acácio
Acacio,
que maravilha esse tempo bom que você tem para recordar.
" do tempo que nada e tudo
era a mesma coisa!
gostei!
bjssssss
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