A tarde envolve Porto Alegre
os raios lânguidos do sol
jorram fiapos de ouro nas cabeleiras
das árvores da Praça de Oswaldo Cruz,
lá para os lados da Rua da Praia
um vento frio vindo dos Andes
enrijece os ossos e transforma
a cidade poeticamente cinza
(Porto Alegre extasia no inverno).
O fim de tarde cobre os tecidos da cidade
( ruas,becos,praças e avenidas),
e eu caminho na Praça dos Açorianos
por entre os cílios de um chuvísco
que tenta molhar a aspereza das calçadas,
e neste instante a imaginação voeja
nas asas imortais do tempo
e os meus olhos parecem rever
o poeta Mario Quintana sentando
em uma poltrona do Hotel Majestic
tragando seu indefectivel cigarro
a lobrigar os estertores da tarde.
Por fim o sol de vêz esmorece
e Porto Alegre calma e bela, anoitece.
Que beleza essa homenagem ao Poeta, Jornalista Adroaldo,
uma admiração que foi crescendo pelos dias desde que descobri essa figura humana e sensível aqui no Overmundo.
Bela homenagem e versos lindos de Porto Alegre que acolheu Adroaldo. Júlio vc é ímpar.
ab
Julio,
Gentil tua dedicatória assim nestes versos que encantam
dizendo de Porto Alegre, uma cidade que tanto sabemos acolhedora.
Cada canto destes em teu poema põe-nos uma lembrança na alma.
E é de novo outono, vê, aquela estação calma, aqui de luz insólita, de folhas ao chão, que vão permitr a primavera nos trazer
os jacarandás e ipês mais floridos e belos da terra, após um inverno
que sempre nos espanta, ao vento Minuano, mesmo cada vez mais curto, mas ainda com as geadas que, quando garotos, nos deixavam os pés descalços arroxeados, que gostávamos de quebrar aquela fina camada de gelo no brinquedo matutino, pra ajudar o sol a furar o bloqueio chumbo das nuvens.
Grato, por teu carinho.
___
É mútua e singular a admiração que nos aproxima e envolve, amiga e poeta Cintia. Prova de que o tempo também pode conspirar a favor da compreensão e da beleza e do amor. Abraço solidário.
Canta o poeta para uma cidade e suas pedras e águas.
Canta o poeta as pedras e, de maneira tão sedutora as descreve, com seus outros poetas, Quintana, Adroaldo, que nos sentimos sob esta nuvem que "tenta molhar a aspereza das calçadas", tla qual os versos que molham os olhos e alma.
Um poema belíssio, tal qual a cidade que canta...
beijos
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